451, Literatura, Livros e Livres,
Livros e dicas literárias LGBTQIA+ de 2025
Grandes colaboradores e leitores indicam livros marcantes sobre diversidade sexual e de gênero no podcast 451 MHz
15jan2025 • Atualizado em: 19dez2025A Quatro Cinco Um convida grandes autoras e autores para indicar livros que foram marcantes, leituras recentes e outras dicas literárias LGBTQIA+ imperdíveis para todos os leitores. Confira as indicações dadas no podcast 451 MHz, no bloco O Melhor da Literatura LGBTQIA+.
Brenda Lee e o palácio das princesas. Fernanda Maia e Rafael Miranda. (Ercolano, 2024).
Cláudia Wonder: flor do asfalto. Dácio Pinheiro. (Ercolano, 2025).
Dando o nome: narrativa de humanidade de travestis. Dediane de Souza. (UFC, 2024).
Sugestões de Verónica Valenttino no episódio “A arte de plantar”. Ela é atriz e interpretou Brenda Lee na peça de teatro Brenda Lee e o palácio das princesas.
“Essa é a dica pra gente resgatar e deixar viva a memória travesti do Brasil.”
Mais Lidas
Não sou Orlando. Helena Cunha.
(2025).
Sugestão de Kael Vitorelo no episódio “Mentira e tirania“. Elu é autor da HQ Filosofia do mamilo (Veneta, 2024).
“Em Não sou Orlando, a Helena tomou para si a grande tarefa de adaptar essa anti-autobiografia, que é Orlando [de Virginia Woolf], em uma história gráfica. O que resultou disso é um livro que diz muito sobre sexualidade, sobre esse processo de se entender lésbica, mas que se expande também para outros assuntos, como a importância das relações platônicas e sobre a brevidade da vida.”
Quarto aberto. Tobias Carvalho.
(Companhia das Letras, 2023).
Sugestão de Raphael Montes no episódio “O que a poesia fez por mim“. Ele é roteirista e autor de Uma família feliz (Companhia das Letras, 2024) e Dias Perfeitos (Companhia das Letras, 2014), entre outros livros.
“Tobias Carvalho escreve sobre as relações contemporâneas sem moralismo e sem muita definição. É um jovem autor para ficar de olho. Sou bem fã.”
O segredo da força sobre-humana. Alison Bechdel.
(Todavia, 2023).
Sugestão de Mariana Amaral no episódio “Escrever a ditadura“. Ela é socióloga e pesquisadora do Laut (Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo) e coautora de A lei da bala, do boi e da Bíblia (Tinta-da-China Brasil, 2024).
“Além de ser muito encorajador para a gente sair de casa, se mexer, fazer coisas, pensar sobre o corpo, foi uma super-referência para mim sobre como envelhecer enquanto uma mulher lésbica.”
Brenda Lee: memórias entrelaçadas da Aids. Ubirajara Caputo.
(Politeia, 2021).
Sugestão de Fernanda Maia no episódio “Achille Mbembe, além da necropolítica” Ela é dramaturga e autora da peça Brenda Lee e o palácio das princesas (Ercolano, 2024).
“Nesta biografia de Brenda Lee, militante transexual brasileira pelos direitos LGBTQIA+, o autor, que trabalhou no chamado ‘Palácio das Princesas’, a primeira casa de apoio para pessoas com HIV/Aids do país nos anos 1980, mistura as memórias dele com relação à Aids com o que ele testemunhou do trabalho da Brenda Lee e o legado dela. É uma leitura muito tocante, bonita, que eu recomendo para todo mundo.”
Irmã outsider. Audre Lorde.
(Autêntica, 2019).
Sugestão de Ana Silva Rosa no episódio “Machado, ontem e hoje”. Ela é cientista política e coautora de A lei da bala, do boi e da Bíblia (Tinta-da-China Brasil, 2024).
“Um deles é sobre a poesia, e sobre como a poesia não é uma coisa supérflua, longe disso. É uma força, principalmente uma força construtora para a luta das mulheres. E o outro é sobre os usos da raiva. Ela vai contar sobre como a raiva, que é um sentimento que nós, mulheres — principalmente mulheres negras —, por vezes tentamos suprimir, repelir, também é uma força construtiva na luta contra o racismo. Acho que é um livro incrível.”
Inacabada. Ariel Florencia Richards.
(Poente, 2024).
Sugestão de Beth Leites no episódio “40 anos de poesia”. Ela é jornalista e uma das criadoras do clube de leitura Rolê dos Livros, em São Paulo.
“Tem muita dor e tem muita beleza nesse livro. É um romance sobre um percurso e não sobre um ponto de chegada. É um caminho que ela está trilhando e que faz a gente também se perguntar em que momento a gente está acabado, em que momento da vida a gente termina o nosso processo.”
E se eu fosse puta. Amara Moira.
(N-1 Edições, 2023).
Sugestão de Ana Carolina Mesquita no episódio “Ideologia hoje”. Ela é pesquisadora e tradutora. Mesquita verteu para o português várias obras da escritora britânica Virginia Woolf. Entre elas, quatro diários e uma nova edição do clássico Mrs Dalloway, publicados pela editora Nós.
“É um livro maravilhoso de ler, muito gostoso. Amara foi uma das primeiras a trazer a temática queer e trans para o centro da narrativa, misturando seus relatos autobiográficos com ficção de uma maneira surpreendente.”
Poco hombre: escritos de uma bicha terceiro-mundista. Pedro Lemebel.
(Zahar, 2023).
Sugestão de Caetano Romão no episódio “Pra guardar Antonio Cicero”. Ele é poeta e autor de Escrevo seu nome no arroz (Fósforo, 2025).
“Ele é um escritor, cronista, performer, que escreveu durante o período da ditadura militar no Chile e depois, e que tem uma obra extremamente visceral e disruptiva.”
Fé no inferno. Santiago Nazarian. (Companhia das Letras, 2020).
Escrevo o seu nome no arroz. Caetano Romão. (Fósforo, 2025).
Sodomita. Alexandre Vidal Porto. (Companhia das Letras, 2023).
Escalavra. Marcelino Freire. (Amarcord, 2024).
Sugestões de Andréa del Fuego no episódio “Entre música e literatura”. Ela é autora de A Pediatra (Companhia das Letras, 2021), e lança em novembro a coletânea de minicontos Nego tudo: ficções súbitas, pela mesma editora.
“São livros imperdíveis.”
Sal de fruta. Bruna Beber.
(Círculo de Poemas, 2023).
Sugestão de Isabelle Moreira Lima no episódio “Na cena do crime”. Ela é jornalista e editora da revista Gama.
“É um livro maravilhoso, um dos meus livros favoritos da vida. Ela faz poemas para cada uma das frutas, explorando a personalidade delas. Eu só acho que ela é muito injusta com o melão, fica aqui o meu protesto. Mas o figo é uma coisa linda.”
Mudar: método. Édouard Louis.
(Todavia, 2024).
Sugestão de Bela Gil no episódio “Cristina Peri Rossi e o amor”. Ela é chef, apresentadora de televisão e escritora, e lançou em 2024 o infantil Florisbela: receitas de amizade (WMF Martins Fontes).
“Eu acho que [o livro] é fundamental para a gente enxergar toda a violência relacionada à temática LGBT. A escrita é maravilhosa e ele é uma pessoa muito inteligente, muito culto, muito sensível, vale a pena a leitura.”
Água de maré. Tatiana Nascimento.
(Pallas, 2025).
Sugestão de Cidinha da Silva no episódio “Direto do Xingu”. Ela é autora do livro Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior (Rosa dos Tempos), em que reúne 81 lições de vida e formação política que aprendeu com a filósofa Sueli Carneiro ao longo de quase quatro décadas de convivência.
“É um texto muito bonito, muito instigante, que tira a gente do chão, não deixa a gente confortável na leitura.”
Corpo desfeito. Jarid Arraes.
(Alfaguara, 2022).
Sugestão de Elisama Santos no episódio “A analista no divã”. Ela é psicanalista e autora dos romances Ensaios de despedida (2025) e Mesmo rio (2024), que saíram pela Record. Também escreveu os best-sellers Educação não violenta (2019), Por que gritamos (2020), Conversas corajosas (2021) e Vamos conversar (2023), todos publicados pela Paz & Terra.
“Tudo que ela escreve é incrível. Corpo desfeito é um livro que dói na alma. Ela tem uma capacidade de falar de coisas doloridas com uma beleza única.”
Movimento LGBTI+: uma breve história do século 19 aos nossos dias. Renan Quinalha.
(Autêntica, 2022).
Sugestão de Ana Rüsche no episódio “Jogada nas palavras”. Ela é autora de dois lançamentos que aproximam a crise ambiental vivida no nosso planeta do universo literário: Quimeras do agora: literatura, ecologia e imaginação política no Antropoceno e Filamentos: leituras ecológicas comentadas, ambos lançados em 2025 pela editora Bandeirola.
“Eu acho ele muito interessante: é de fácil leitura e muito completo para a gente entender toda a trajetória e as lutas.”
Homem com homem: poesia homoerótica brasileira no século 21. Ricardo Domeneck.
(Ercolano, 2025).
Sugestão de Ramon Nunes Mello no episódio “O Nordeste contra o estigma”. Ele é autor de Cazuza: meu lance é poesia (WMF Martins Fontes, 2024), que reúne todos os poemas escritos pelo cantor.
“O livro reúne 21 poetas escrevendo com essa temática e trazendo a poesia homoerótica. Tem Rafael Mantovani, Ismar Tirelli Neto, Tiago Galego, Francisco Mallmann, Caetano Romão e muita gente boa. Super recomendo a leitura.”

Arlindo. Ilustralu.
(Seguinte, 2021).
Madame Xanadu. Aureliano.
(Nacional, 2021).
Sugestões de Octávio Santiago, no episódio “Guiné-Bissau, Bahia, travessia”. Santiago é pesquisador e autor de Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste (Autêntica, 2025).
“Arlindo é uma história que ela [Ilustralu] vinha compartilhando nas redes sociais e virou um livro de sucesso, foi indicada ao Jabuti, inclusive. E Madame Xanadu traz um Nordeste completamente não estereotipado, para mostrar que a nossa subjetividade e os lugares que a gente quer ocupar e o que a gente pode ser vai muito além daquelas narrativas já prontas que existem sobre nós.”
Para todas as mulheres que não tem coragem. Daniela Arrais.
BestSeller (2024).
Sugestão de Petria Chaves, no episódio “Pensar com as mãos“. Chaves é escritora e jornalista.
“A Dani tem um olhar para as redes sociais, para a internet, para o nosso comportamento muito de vanguarda. Nesse livro ela condensa muitas propostas para que a gente tenha coragem, mesmo quando a gente não tem coragem.”
Azul é a cor mais quente. Julie Maroh.
Martins Fontes (2013).
Indicado por Anna Vianna, no episódio “Meu pai e eu”. Vianna é tradutora e intérprete simultânea.
“A história trata do despertar do desejo, da descoberta da identidade sexual, da dificuldade de você ter um relacionamento fora das normas, digamos assim, que é um assunto muito atual e necessário. O autor é transgênero, é não binário, e publicou essa obra quando tinha dezenove anos, antes de fazer a transição. Julie Maroh é uma das vozes mais potentes da cena queer europeia.”
Santo de casa. Stefano Volpi.
Record (2025).
Indicado por Airton Souza, no episódio “Tenho horror de escrever”. Souza é autor de Outono de carne estranha (Record, 2023), vencedor do Prêmio Sesc de Literatura em 2023.
“O livro debate uma série de problemáticas que atravessam a história desse país, sobretudo ligada ao tema das identidades, do racismo, da LGBTfobia, das diferenças sociais, a partir de um mundo que é o da casa.”
João. Ronie Rodrigues.
Telaranha (2024).
Indicado por Wagner Schwartz, no episódio “Asma, boca e cova profunda”. Schwartz é autor de A nudez da cópia imperfeita (Nós, 2023), inspirado num episódio de ódio sofrido pelo autor após fazer uma performance no Museu de Arte Moderna de São Paulo, o MAM, em 2017.
“Em João, Ronie apaga o contexto de Harmada, de João Gilberto Noll, um de seus autores preferidos. Retira dele as palavras que só cabem no seu corpo. O livro de Noll não perdeu páginas, perdeu o narrador. Quando leio João, escuto a voz de Ronie.”
Eu sou o monstro que vos fala. Paul B. Preciado.
Zahar (2022).
Indicado por Milly Lacombe, no episódio “Asma, boca e cova profunda”. Lacombe é autora de sete livros, entre eles o romance O ano em que morri em Nova York (Planeta, 2017) e o ensaio Feminismo para não feministas: como o machismo machuca todo mundo (Planeta, 2024), em coautoria com Paola Lins de Oliveira.
“Preciado escreveu esse livro depois de uma fracassada palestra que ele foi dar em 2019 para 3.500 psicanalistas franceses. A palestra se chamava ‘Mulher na psicanálise’. Ele começou a palestra perguntando quantos ali na audiência eram homossexuais ou pessoas trans e o rebuliço começou. Muitos levantaram e foram embora. Só que resultou nesse livro delicioso, que é, no fim das contas, a palestra completa que ele não conseguiu dar e fala a respeito das pessoas que, como o Paul Preciado coloca, são dissidentes do regime binário da diferença sexual.”
Sarah é isso. Pauline Delabroy-Allard.
Nós (2021).
Indicado por Ana Lima Cecilio, no episódio “Uma cronista em Hollywood“. A curadora da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) fala do romance de estreia da francesa Pauline Delabroy-Allard, publicado em 2021 pela editora Nós, em tradução de Raquel Camargo.
“Esse livro é uma história de amor arrebatada, como poucas vezes a gente vê na história da literatura, entre duas mulheres. A narradora é uma mulher que tem um namorado, tem uma filhinha e leva a vida de um jeito meio entediado, até que passa esse vendaval da paixão por essa mulher chamada Sarah e ela fica completamente enlouquecida.”
Orlando. Virginia Woolf.
Penguin-Companhia (2014).
Indicado pela escritora e psicanalista Vera Iaconelli, no episódio “Virginia Woolf por inteiro”. Ela é autora de Felicidade ordinária (Zahar, 2024) e Manifesto antimaternalista: Psicanálise e políticas da reprodução (Zahar, 2023).
“É um livro lançado em 1928 que causou burburinho, fascinação, certo escândalo, porque a personagem ou o personagem que dá nome à trama, ela vive séculos e no meio da trama muda de gênero. É um clássico extremamente ousado para a época e que traz questões que valem ser revisitadas.”
Como ser as duas coisas. Ali Smith.
Companhia das Letras (2016).
Indicado por Caetano W. Galindo, no episódio “Palavras, palavras, palavras”. Ele é escritor, tradutor e professor da Universidade Federal do Paraná. Galindo é autor do recém-lançado Na ponta da língua: o nosso português da cabeça aos pés e de Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português (2023).
“É um romance que trata de questões de mudança de gênero. Um romance trans através da história da arte e através da história de duas pessoas em momentos diferentes do mundo, em lugares diferentes do mundo, e que, além de tudo, representa essa bagunça de gêneros pelo fato de que cada uma dessas histórias é contada independentemente.”
Ética bicha: proclamações libertárias para uma militância LGBTQ. Paco Vidarte.
N-1 Edições (2019).
Indicado pela escritora, ativista indígena e psicóloga Geni Núñez, no episódio “Paulo Leminski na Flip 2025”. Ela é autora de Felizes por enquanto: escritos sobre outros mundos possíveis (Planeta, 2024) e Descolonizando afetos: experimentações sobre outras formas de amar (Paidós, 2023).
“Esse é um livro que eu gosto muito porque ele não tem uma estética higienizada de falar sobre questões de gênero e sexualidade. É, de certa forma, um manifesto, um convite, uma dança.”
De Quatro. Miranda July.
Amancord (2024).
Indicado pela antropóloga e escritora Aparecida Vilaça, no episódio “A terra dá, a terra quer”. Aparecida é colaboradora da Quatro Cinco Um e autora, com Geoffrey Lloyd, do recém-lançado Onças e borboletas: diálogos entre antropologia e filosofia (Todavia).
“Embora o livro De quatro, de Miranda July, tenha sido apontado em críticas como tendo a perimenopausa como eixo narrativo, eu o li como um livro tremendamente sexy, em que o tesão e a abertura para a experimentação sexual dão a tônica das reflexões e ações da protagonista.”
As lágrimas amargas de Petra von Kant. Rainer Werner Fassbinder.
Cobogó (2024).
Sugestão da escritora Aline Bei, autora de O peso do pássaro morto (Nós) e de Pequena coreografia do adeus (Companhia das Letras), no episódio “A boba da corte”.
“As lágrimas amargas de Petra von Kant conta a história de Petra, uma estilista famosa, conceituada, culta, que está passando por um período de pós-divórcio, e ela conhece uma mulher misteriosa, pela qual ela se apaixona perdidamente, amargamente, a Karen.”
Sodomita. Alexandre Vidal Porto.
Companhia das Letras (2023).
Indicado pelo livreiro Rui Campos, fundador da Livraria da Travessa, rede criada nos anos 80 no Rio de Janeiro e que hoje tem filiais em São Paulo, Brasília e Lisboa, no episódio “Devorando Oswald de Andrade“.
“Cheio de ironia e com português arcaico inventado, super criativo, Alexandre nos leva a passear pelas aventuras de um personagem que, graças ao seu talento em criar estilo próprio em que nunca sabemos o que é invenção ou realidade, refletimos sobre temas de total atualidade: homossexualidade, Brasil, Portugal, Estado, tirania, liberdade, escravidão, entre tantas outras coisas. Isso tudo com muito humor e seriedade ao mesmo tempo.”
Haverá festa com o que restar. Francisco Mallmann.
Urutau (2018).
Indicado pela cantora e atriz Letrux, que é também autora de Zaralha: abri minha pasta (Guarda-Chuva, 2015) e Tudo que já nadei: ressaca, quebra-mar e marolinhas (Planeta, 2021), no episódio “Matemática para quem é de humanas”.
“Acho a poesia do Francisco muito específica, muito genuína, muito curiosa. Francisco me faz rir, me faz chorar, e eu acho isso muito importante. Quando qualquer ação artística, eu quero um passeio completo das sensações, sabe? Não quero só rir, nem quero só chorar. Eu quero ser perturbada, incomodada, acariciada, machucada, e acho que esse livro me causa tudo isso.”
Mrs. Dalloway. Virginia Woolf.
Autêntica (2025).
Indicado pela cantora e compositora Alice Caymmi, que explora na música questões da sexualidade e da diversidade de gêneros que por muito tempo foram tabu na MPB, no episódio “Poesia do cotidiano”.
“Eu acho Mrs. Dalloway um livro que traz uma sensação corporal parecida com o que acontece na nossa comunidade, com todos nós. Quando a gente vem ao mundo e tenta ser como a gente é. Tenta ser quem nós somos. Então, para mim, Mrs. Dalloway é não só um dos livros mais importantes da minha vida, como se encaixa nesse rol também para mim de literatura LGBTQIA+.”
Neca. Amara Moira.
Companhia das Letras (2024).
Indicado pelo Renan Quinalha, professor de direito da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e autor de Movimento LGBTI+: uma breve história do século 19 aos nossos dias (Autêntica, 2022), no episódio “Formas de afeto”.
“O livro é todo baseado num relato, numa narrativa bastante frenética, numa oralidade muito marcada na linguagem de uma travesti mais velha que reencontra um amor do passado, que é uma travesti mais jovem”, descreve Quinalha. “E ela vai relatando a sua vida, suas viagens, suas experiências sexuais, os fetiches, enfim, numa linguagem toda muito provocativa, com muitas passagens engraçadas também, com um humor muito afiado.”
Lord Lyllian – Missas Negras. Jacques d’Adelswärd-Fersen
Ercolano (2024).
Indicado pelo editor e tradutor Régis Mikail, no episódio “De quatro com Miranda July”.
“O romance narra como eles se conhecem, como o Harold Skilde desperta o amor pela literatura nesse jovem rapaz e conta também uma história de abuso bastante delicada. Apesar disso tudo, tem muita comédia e muitas representações e descrições do que era a cena LGBTQIA+ na França daquela época.”
Santíssimo. Rafael Amorim.
Urutau (2023).
Indicado pelo poeta Leo Nunes, autor de Está na hora de me tornar um homem sério (Minimalismo, 2023), finalista do Prêmio Jabuti em 2024, no episódio “São Paulo é uma festa”.
“É um livro de poesia em que o Rafael trabalha com uma construção de memórias desde uma infância, em constante tensão com a sexualidade, até a vida adulta e o corpo não normativo que caminha pelo espaço geográfico da cidade“, diz Nunes. “O Rafael, a meu ver, faz parte de um grupo de autores atuais que está interessado em produzir e escrever a partir de sua realidade e existência. Mas o que mais me interessa no livro é como esse recorte não se limita apenas a um questionamento sobre a sexualidade, mas transborda ao colocar também em xeque uma questão de classe.”
Dedo no Cu y Gritaria. Mercedes Sonsa.
Uruatu (2022).
Indicado pela escritora Amara Moira, autora de Neca: romance em bajubá (Companhia das Letras, 2024), no episódio “O poeta no divã”.
“Essa coletânea mergulha a fundo na sordidez, desfilando corpas transviadas que não se contentam com prazeres simples: os buracos que temos e as mil maneiras de penetrá-los, nossos fluidos, o papel da dor e da humilhação, tesão pelos ocós mais lixos e também o tchaca-tchaca gostosinho com boycetas. Agora imagina isso tudo numa linguagem babadeira, macunaímica, gozosa pencas!”
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