Literatura brasileira,

38 livros imperdíveis da literatura brasileira do século 21

Críticos brasileiros e estrangeiros indicam obras fundamentais publicadas desde o ano 2000 em edição especial da revista portuguesa Colóquio dedicada ao Brasil

19set2025

Em sua nova edição, totalmente dedicada à literatura e às artes brasileiras, a revista portuguesa Colóquio traz uma lista de 38 grandes livros brasileiros do século 21 escolhidos e resenhados por críticos, artistas e autores (não só brasileiros) especializados em nossa literatura. Entre os títulos, aparecem obras de diferentes gêneros, do romance à poesia, passando por ensaio, literatura infantojuvenil e até roteiro cinematográfico. 

Confira a seguir as obras consideradas imperdíveis pelos especialistas convidados da revista portuguesa, quem elegeu cada livro e o que já saiu na Quatro Cinco Um sobre alguns deles:

Pós-poemas. Augusto de Campos.
Escolhido por Eduardo Jorge de Oliveira


Asma. Adelaide Ivánova.
Escolhido por Pedro Meira Monteiro

Em resenha para a revista dos livros, Odorico Leal escreve: “Nunca se sabe o que esperar de Asma, obra em tudo surpreendente e original. Remexendo episódios dolorosos, sempre comunica um entusiasmo valente e desabusado, recusando a obediência e também o esmorecimento, convocando e inventando sua comunidade. Manipulando técnicas modernistas de maneira muito própria, com sotaque forte e desencanado, revela ao mesmo tempo um trabalho sério e apaixonado de pesquisa.” Leia na íntegra.


O homem não existe. Ligia Gonçalves Diniz.
Escolhido por Arthur Nestrovski

“Se a literatura é a linguagem da alma, poucos trabalhos são tão aptos para dar conta da dimensão dos conflitos internos masculinos quanto O homem não existe, de Ligia Gonçalves Diniz, livro que mergulha na longa história da ficção ocidental para decifrar questões que há séculos têm norteado o gênero”, diz Guilherme Pavarin em resenha na Quatro Cinco Um. Leia o texto completo aqui.

Nara Vidal também resenhou O homem não existe para a revista dos livros: “A fragilidade de um varão cansado de parecer forte ou a beleza da insegurança masculina são temas que percorrem o livro que, muito inteligentemente, se orienta de forma geral na literatura para elaborar tais propostas e nos tirar do lugar-comum quando discutimos o papel masculino no imaginário construído social, cultural e economicamente”. Leia mais,


Cave carmen. Maria do Carmo Ferreira.
Escolhido por Ricardo Domeneck


O que é meu. José Henrique Bortoluci.
Escolhido por Paulo Roberto Pires

“O que é meu, livro de estreia de José Henrique Bortoluci que entrelaça a história de seu pai, caminhoneiro por cinco décadas, à construção da noção de Brasil calcada no ideal de progresso do desenvolvimentismo militar, se tornou um sucesso instantâneo”, afirma Francesca Angiolillo na Quatro Cinco Um. Comparada à história do pai, a de Bortoluci, hoje professor da Fundação Getulio Vargas, “faz dele um clássico ‘trânsfuga de classe’, nome cunhado por Pierre Bourdieu e aplicado na sociologia àqueles que, vindo de um meio menos abastado, ascendem pela educação ou por um talento extraordinário”, escreve Angiolillo. Leia na íntegra.

O livro de Bortoluci também foi tema de um encontro com Júlia de Souza, autora de John, sobre o pai da escritora, durante A Feira do Livro 2025. A mesa foi mediada pelo colunista da Quatro Cinco Um Paulo Roberto Pires e transformada no episódio “Meu pai e eu” do podcast 451 MHz. Ouça aqui.


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Justine. Caio Gagliardi.
Escolhido por Yudith Rosenbaum


Labor de sondar. Lu Menezes.
Escolhido por Gustavo Silveira Ribeiro


As 29 poetas hoje. Org. Heloisa Buarque de Hollanda.
Escolhido por Julia Klien


Performances do tempo espiralar. Leda Maria Martins.
Escolhido por Ricardo Aleixo


O castiçal florentino. Paulo Henriques Britto.
Escolhido por Helena Martins

O livro foi citado no episódio “Em outras palavras” do 451 MHz, que teve como convidados Paulo Henriques Britto e a tradutora e intérprete simultânea Anna Vianna. No programa, eles falaram sobre o ofício da tradução e os desafios que fazem parte do trabalho de transpor ideias de um idioma para o outro. Ouça aqui.


O avesso da pele. Jeferson Tenório.
Escolhido por Lilia Schwarcz

Em participação no 451 MHz, Jeferson Tenório definiu O avesso da pele como “uma declaração de amor aos livros, ao conhecimento e à educação”. A história trata da relação de Henrique, um professor de literatura negro que é brutalment e assassinado pela polícia após uma aula, e seu filho Pedro, um estudante de arquitetura que rememora a história do pai. Ouça aqui o episódio “Simplesmente escritor”.

“A obra de Tenório fala sobre racismo, mas só porque o racismo atravessa a vida de todas as pessoas no Brasil, brancas ou negras. São, na verdade, romances de formação, onde pessoas constroem vidas possíveis em uma sociedade que as vê como o outro.”, escreve o escritor e professor Alex Castro em resenha para a Quatro Cinco Um


Bacurau (roteiro). Kleber Mendonça Filho & Juliano Dornelles.
Escolhido por Jaime Ginzburg

Talvez a força de Bacurau não resida no conforto imaginário que nos restitui ao final, assim que descem os créditos. Depois disso, o mal-estar persiste. Talvez Kleber Mendonça tenha conseguido fazer (como Glauber Rocha) uma grande alegoria do Brasil. Pois bem: a alegoria, que os brasileiros se habituaram a associar com o Carnaval, situa-se no mesmo campo da melancolia”, diz a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl em resenha para a revista dos livros.


Tudo pronto para o fim do mundo. Bruno Brum.
Escolhido por Pablo Simpson


JLG. Franklin Alves Dassie.
Escolhido por Leonardo Gandolfi


O sol na cabeça. Geovani Martins.
Escolhido por Laura Erber

Em entrevista à Quatro Cinco Um, Geovani Martins afirmou: “O sol na cabeça foi um marco para o que vemos hoje dentro das editoras, mas também na mídia. A maioria dos jornalistas que me entrevistam agora é de negros. […] Após publicar O sol na cabeça, consegui estabelecer um novo cânone de referências literárias. Instintivamente, sempre acreditei que a linguagem oral está à frente da escrita. Em uma perspectiva afrocentrada, é natural valorizar a oralidade. A maioria das histórias africanas foi mantida dessa forma, e o griô [contador] é importante em várias culturas. Até a música brasileira é uma crônica, seja no rap, no funk ou no samba. Isso explica a identificação com meus textos. Hoje, sou bastante influenciado por autores africanos.”


Maquinação do mundo. José Miguel Wisnik. 
Escolhido por Eucanaã Ferraz

“Talvez a maior prova da delicadeza do modo de leitura de Wisnik é que esses dois movimentos sejam desde o início indestrinçáveis em Maquinação do mundo: ao transformar em experiência e acontecimento o embate entre a memória da poesia e a leitura do lugar, o livro se transforma também numa interrogação, a partir do lugar da leitura, da temporalidade ao mesmo tempo atual e suspensa da representação poética”, escreve Clara Rowland em resenha para a Quatro Cinco Um


Parque das ruínas. Marília Garcia.
Escolhido por Florencia Garramuño

Parque das ruínas (Luna Parque, 2018), livro de Marília Garcia que traz dois poemas longos e explora problemas urbanos do Rio de Janeiro e de suas universidades, relacionando-os a obras de artistas como Debret e David Perlov, foi resenhado por Yasmin Nigri na edição #25 da revista, publicada em agosto de 2019. Leia aqui.

“Sua obra tem se demonstrado incontornável na cena atual da poesia brasileira, seja pelas questões sobre as quais se debruça, seja pelo diálogo com grandes representantes em diversos campos do saber. Permeada por interrupções e intermitências, a narrativa de Parque das ruínas flui, mas é inconstante.”, escreve Nigri no texto.

Este ano, Marília Garcia participou do episódio “Pensar com as mãos” do 451 MHz e conversou com a poeta Bruna Beber, colunista do podcast, sobre seu novo livro Pensar com as mãos. Ouça aqui.


Trio pagão. Sérgio Medeiros.
Escolhido por Annita Costa Malufe


À espera de um igual. Thomaz Albornoz Neves.
Escolhido por Paulo Franchetti


Verdade tropical. Caetano Veloso.
Escolhido por Augusto Massi


Adeus, cavalo. Nuno Ramos.
Escolhido por Alva Martínez Teixeiro

O artista plástico e escritor Nuno Ramos esteve no 451 MHz em 2022, falando sobre seu livro Fooquedeu, lançado na época, a crise institucional no Brasil, suas criações e suas influências literárias. Ouça aqui o episódio.


Rosa. Odilon Moraes.
Escolhido por Rosana Kohl Bines


O amor dos homens avulsos. Victor Heringer.
Escolhido por Michel Riaudel

A obra do romancista, cronista e poeta premiado Victor Heringer foi tema do 124º episódio do 451 MHz. A poeta e editora Alice Sant’Anna e o também poeta Ricardo Domeneck falaram sobre o escritor cuja obra continua a ser descoberta e reconhecida após sua morte precoce, em 2018, aos 29 anos. 

“Victor me parece ser um escritor muito completo. Ele fazia romance, crônica, poesia, vídeo, desenho, coisas só para a internet”, conta Alice Sant’Anna. Para Domeneck, o texto de Heringer é um texto que respira: “parece um pulmão que infla”. “Ele fala de coisas cosmogônicas, a imagem do astronauta, o universo, mas sempre voltando para o corriqueiro, o pequeno. Ele tem o interesse nesses dois aspectos, entre o maiúsculo e o minúsculo.” Ouça o episódio “A poesia de Victor Heringer” na íntegra.


Anatomia do paraíso. Beatriz Bracher.
Escolhido por Pedro Süssekind


Por escrito. Elvira Vigna.
Escolhido por Noemi Jaffe


Entremilênios. Haroldo de Campos.
Escolhido por Marcos Siscar


Pornopopéia. Reinaldo Moraes.
Escolhido por Alcir Pécora


Veneno remédio. José Miguel Wisnik.
Escolhido por Pedro Duarte de Andrade


Um defeito de cor. Ana Maria Gonçalves.
Escolhido por Fernanda Diamant

A escritora esteve n’A Feira do Livro em 2023, onde ressaltou, em mesa com Itamar Vieira Jr, a importância de contar histórias silenciadas por séculos. “Nós fomos calados, principalmente nos últimos quatro anos. Vamos voltar a falar educadamente, civilizadamente, generosamente”, disse Gonçalves, que afirma escrever os livros que não achou para ler.

Em 2022, a autora foi uma das convidadas do episódio “Produzir infinitos” do 451 MHz, em que conversou com Cidinha da Silva sobre a importância histórica de Um defeito de cor e de Maria Firmina dos Reis. Ouça aqui.


A fila sem fim dos demônios descontentes. Bruna Beber.
Escolhido por Eduardo Coelho

Colaboradora da Quatro Cinco Um, a poeta Bruna Beber é colunista do podcast 451 MHz desde abril de 2025.Uma vez por mês, ela conduz entrevistas sobre grandes livros e grandes autores, compartilhando no programa seu humor sagaz e seu repertório literário com os ouvintes. Ela já falou, por exemplo, sobre Paulo Leminski, autor homenageado da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2025 e entrevistou o poeta Chico Alvim, referência da poesia marginal nos anos 70, e a cantora e escritora Letrux.


Margem de manobra. Claudia Roquette-Pinto.
Escolhido por Paulo Henriques Britto


Budapeste. Chico Buarque.
Escolhido por Ettore Finazzi-Agrò


Capitu sou eu. Dalton Trevisan.
Escolhido por Hélio de Seixas Guimarães


Pico na veia. Dalton Trevisan.
Escolhido por Eliane Robert Moraes

A edição #89 da Quatro Cinco Um, de janeiro deste ano, trouxe um especial sobre Dalton Trevisan, morto em dezembro de 2024. Leia os textos “Uma longa vida póstuma, Dalton!”, por Hélio de Seixas Guimarães; “À sombra do vampiro”, por Giovana Maladosso; e “Titilar a língua”, por Caetano W. Galindo.


Amor e outras histórias. André Sant’Anna.
Escolhido por Bernardo Carvalho

“Monotonia, repetição e frases em curto-circuito espessam o estilo de Sant’Anna, que trabalha seus temas de modo musical, como se fossem riffs, licks ou refrões. Os raciocínios tautológicos e rasos e os longos períodos que dão voltas e voltas retornando às vezes ao mesmo lugar lembram Samuel Beckett e Thomas Bernhard.”, escreveu Ronaldo Bressane em resenha para a Quatro Cinco Um.


Sob a noite física. Carlito Azevedo.
Escolhido por Pedro Mexia

No 126º episódio do 451 MHz, o poeta Carlito Azevedo reflete sobre o processo de escrita e as transformações que surgem no encontro entre a arte, a política e a vida. “Foi na psicanálise que comecei a perceber como muitos dos meus padrões de escrita e de vida estavam cristalizados. Esse distanciamento, que Brecht chama de efeito de estranhamento, me ajudou a olhar para mim mesmo e para a poesia como algo a ser continuamente reinventado”, conta. Ouça aqui.


Elefante. Francisco Alvim.
Escolhido por Roberto Vecchi

Referência para gerações de poetas, Francisco Alvim falou sobre o surgimento da poesia marginal nos anos 70 e seu caso de horror e prazer com a literatura no episódio “Tenho horror de escrever” do 451 MHz. No programa, ele também lembra da influência de sua irmã mais velha, Maria Ângela Alvim (1926-59), que o apresentou à poesia ainda na juventude. “Ela que me abriu para a poesia pelo interesse dela, me surpreendeu com um interesse muito grande. E aquilo me deu uma vontade de seguir os passos dela”, diz. Ouça na íntegra.


Dois irmãos. Milton Hatoum.
Escolhido por Ivan Marques

No centésimo episódio do 451 MHz, em 2023, Milton Hatoum falou sobre o relançamento e adaptações de sua obra, seus hábitos de escrita e leitura e sua relação com a Amazônia e o mundo árabe. “A escrita não pode ser obrigação. Borges dizia que não se pode ser poeta das oito da manhã às cinco da tarde. E acho que isso serve para a prosa também”, pontuou. “Escrevo quando me dá vontade. Às vezes, não escrevo nada.” Ouça o episódio “Relatos de um certo autor” aqui.