451, Literatura, Livros e Livres,

Livros e dicas literárias LGBTQIA+ de 2026

Grandes colaboradores e leitores indicam livros marcantes sobre diversidade sexual e de gênero no podcast 451 MHz

04fev2026 • Atualizado em: 12jun2026

A Quatro Cinco Um convida grandes autoras e autores para indicar livros que foram marcantes, leituras recentes e outras dicas literárias LGBTQIA+ imperdíveis para todos os leitores. Confira as indicações dadas no podcast 451 MHz, no bloco O Melhor da Literatura LGBTQIA+.


A insubmissa. Cristina Peri Rossi.
(Bazar do Tempo, 2025).

Sugestão de Julia Kumpera no episódio “Lugar de fala“. Ela é historiador e autora de Na noite lésbica: o levante do Ferro’s Bar (Autêntica, 2026).

“Esse é um romance autobiográfico em que a gente acompanha os anos da infância e da juventude da Cristina. Primeiro a gente vê uma menina curiosa com o seu entorno, a zona rural uruguaia, as relações familiares, os livros, e a gente vai acompanhando ela se tornando uma jovem mulher, à medida também que o interesse pela escrita vai aumentando”.


Nossa vingança é o amor: antologia poética (1971-2024). Cristina Peri Rossi.
(Editora 34, 2025).

Sugestão de Julián Fuks no episódio “Pilar Quintana e os medos femininos“. Ele é escritor e crítico literário.

“Essa antologia reúne dezoito volumes de poesia dela, publicados ao longo de cinco décadas; publicada pela Editora 34, traz muita força numa poesia, ao mesmo tempo, coloquial e rigorosa, toda carregada de desejo, de beleza — a declaração de desejo entre mulheres feita de forma muito explícita e muito contundente”.


A palavra que resta. Stênio Gardel.
(Companhia das Letras, 2021).

Sugestão de Natércia Pontes no episódio “Vozes da guerra“. Ela é autora de Os tais caquinhos (2021) e Vida doçura (2026),  ambos publicados pela Companhia das Letras, e esteve no 193º episódio do 451 MHz.

“É um livro que eu não li, mas tenho certeza que vou adorar. É do meu conterrâneo Stênio Gardel. A palavra que resta está aqui na fila de leitura e eu estou querendo muito, muito concluir, porque muita gente já falou super bem dele — eu vou gostar e eu tenho certeza”.


Sismógrafo. Leonardo Piana.
(Autêntica Contemporânea, 2026).

Sugestão de Danilo Cymrot no episódio “Palavras no centro“. Ele é autor de O funk na batida: baile, rua e parlamento (Edições Sesc, 2022).

“O livro tem um relato lindo, poético, nostálgico, com descrições bem visuais, cinematográficas, e uma boa carga de erotismo. A gente torce pelo Eduardo e é bonito acompanhá-lo descobrindo e vivendo sua sexualidade. Mas, ao mesmo tempo, o livro tem passagens dolorosas e traumáticas, em que a gente se depara com a violência da homofobia que o Eduardo sofre em uma cidade bucólica, mas também conservadora”.


Grrrls: garotas iradas. Vange Leonel.
(GLS, 2001).

Sugestão de Marcos Visnadi no episódio “Liberdade de exposição“. Ele é doutor em literatura brasileira pela USP.

“Esse é um livro que reúne as crônicas que a Vange Leonel escreveu no final dos anos 90 para a revista Sui Generis. É muito legal como registro de uma época e registro do que era ser dissidente sexual no final do século 20; mas também é muito bom ler a Vange, que era uma excelente cronista, além de uma excelente cantora.”


Onde estão as bombas. Tatiana Pequeno.
(Macondo, 2019).

Sugestão de Élvio Cotrim no episódio “Querido diário“. Ele é professor de literatura e língua francesa da UFF (Universidade Federal Fluminense).

“É um livro sobre o corpo como campo de batalha, mas não só isso também, o corpo como lugar de prazer. É aquilo que uma voz lésbica pode dizer quando decide não pedir licença para existir em várias instâncias. Esse livro é importante porque, no momento em que as mulheres ainda precisam nomear o perigo para sobreviver a eles, Onde estão as bombas nos lembra que a poesia também pode ser isso, uma detonação cuidadosamente construída.”


Na casa dos sonhos. Carmen Maria Machado.
(Companhia das Letras, 2021).

Sugestão de Rita Palmeira no episódio “Colecionadora de histórias“. Ela é editora, crítica literária e curadora da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) deste ano.

“A Carmen Maria Machado conta a história de um relacionamento abusivo vivido por ela numa relação com outra mulher. É um livro desses que você não larga — muito pela construção da tensão, que é feita de um modo muito inteligente e habilidoso; e também pela história, que impressiona por essa violência contida numa relação entre duas mulheres.”


Um beijo de Dick. Fernando Molano Vargas.
(Pinard, 2026).

Sugestão de Jean Cândido Brasileiro no episódio “Manuel Bandeira, safado e sagrado“. Ele é editor, produtor cultural e ator.

“O grande trunfo do Molano Vargas aqui é a normalização do afeto. A homossexualidade não é o problema da trama, mas o cenário onde eles exploram as possibilidades cotidianas de amar. Ao escolher a narrativa em primeira pessoa, o autor afasta qualquer olhar moralizante ou sociológico. Ele cria um espaço de afirmação íntima onde o que importa é a subjetividade dos personagens.”


Pernalonga: uma sinfonia inacabada. Márcio Bastos.
(Cepe, 2023).

Sugestão de Renan Marinho Sukevicius no episódio “Liberdade crítica“. Ele é autor do livro de contos Quase verão (Diadorim, 2023).

“O livro tem a figura de Antônio Roberto Lira de França, o Pernalonga, como uma via central para entender as artérias do teatro de Pernambuco durante a ditadura. Por vezes ele era tratado como homem, outras vezes como mulher, e foi diagnosticado no fim dos anos 80 com HIV e morreu de forma trágica com um misterioso ferimento na perna. O texto do talentoso Márcio Bastos chega para a nossa comunidade como um lembrete, que a gente não seja esquecido. Ainda que saia de cena.”


Planta oração. Calila das Mercês.
(Nós, 2022).

Sugestão de Ernesto Mané no episódio “Sonetos subversivos“. Ele é autor de Antes do início, publicado em 2025 pela Tinta-da-China Brasil (selo editorial Associação Quatro Cinco Um).

“É um livro de muita sensibilidade, que aborda seus temas com uma delicadeza impressionante. A obra reúne narrativas curtas, com uma linguagem bastante poética, trabalhando memórias, afetos e experiências de vida de um jeito muito íntimo, quase como uma oração, como sugere o próprio título.“


Sobre o fundo azul da infância. Tônio Caetano.
(Editora de Cultura, 2024).

Sugestão de José Falero no episódio “Poesia conjugal“. Ele é autor do livro de contos Vila Sapo e do romance Vera, ambos publicados pela Todavia.

“É um livro muito bacana, muito sensível, que narra as memórias de um menino na periferia de Porto Alegre dos anos 90, a descoberta da sexualidade, enfim, é um livro incrível, realmente muito sensível e que eu recomendo demais.“


Boulder. Eva Baltasar.
(Dublinense, 2024).

Sugestão de Mariana Salomão Carrara no episódio “Agentina, civilização e barbárie: 50 anos de golpe“. Ela é autora dos romances Não fossem as sílabas do sábado (2022) A árvore mais sozinha do mundo (2024), ambos publicados pela Todavia.

“Eu achei um livro muito maravilhoso, tanto do ponto de vista da linguagem, como do assunto ali narrado, um relacionamento entre duas mulheres. E tem várias fases desse relacionamento, tem maternidade e uma poesia, mas ao mesmo tempo uma sacanagem poética, muito triste.“


Hotel Atlântico. João Gilberto Noll.
(Rocco, 1989).

Sugestão de Victor da Rosa no episódio “Jogo de escritor”. Ele é crítico literário e coorganizador da antologia 99 poemas, de Joan Brossa (Demônio Negro, 2009).

“O livro conta a trajetória de um personagem que se desloca pelo Brasil até chegar no Rio Grande do Sul, passando por uma série de experiências esquisitas. Nas últimas cenas, esse personagem estabelece uma relação profunda com o enfermeiro que cuida dele em um hospital de um pequeno vilarejo do interior. […] A relação entre esses dois homens é belíssima em sua ambiguidade e, com certeza, possui conotação queer.“


Amora. Natalia Borges Polesso.
(Dublinense, 2022).

Sugestão de Reginaldo Pujol Filho no episódio “As regras da guerra”. Ele é professor e autor de Nosso corpo estranho (Fósforo, 2024).

“É um livraço de contos, por tudo que já se falou dele, inclusive pela sua importância na temática LGBTQIA+. Mas eu acho que tem uma coisa que a gente tem que celebrar, que é o trabalho de linguagem da Natalia, como ela consegue variar as vozes narrativas de um conto para outro, as perspectivas, os falares das personagens.”


Nada digo de ti, que em ti não veja. Eliana Alves Cruz.
(Pallas, 2020).

Sugestão de Lavínia Rocha no episódio “Primeiras poetas”. Ela é professora e autora do livro infanto-juveil O que você pensa quando falo África? (Yellowfante, 2025).

“A protagonista é uma mulher negra e trans, […] ela faz uma narrativa, ela constrói uma história que é tão emocionante e com vários personagens. Assim, a gente vai vendo várias questões acontecendo ao mesmo tempo. Eu não conseguia parar de ler; até hoje eu fico pensando muito em todos os sentimentos que esse livro arrancou de mim.”


Simpatia pelo demônio. Bernardo Carvalho.
(Companhia das Letras, 2016).

Sugestão de Luciano Brito no episódio “Páginas antirracistas”. Ele é autor do romance As falésias (Machado, 2024).

“O arranjo é impressionante. Na maneira labiríntica como a narração estuda essas obsessões e emoções, muitas vezes ela parece sair de controle, mas sempre se reencontra. Até sugere alguns esclarecimentos sobre um caminho feito, depois que, em dada fase da vida, tudo se desfaz. No comentário que faz sobre a violência, é um livro incendiário, fino e sóbrio.”


Os anos de vidro. Mateus Baldi.
(Nós, 2025).

Sugestão de Luiz Morando no episódio “Samba e negociação”. Ele pesquisador e autor de Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte (O Sexo da Palavra, 2020).

“O livro reúne onze narrativas, que abordam temas da vida contemporânea, envolvendo sexualidade, amores improváveis, recusa do binarismo e outros mais. Tenham muita atenção com o conto, do qual eu gostei muito, intitulado ‘Istmo’, em torno da transição de gênero de um jovem adolescente.”


Antes que anoiteça. Reinaldo Arenas.
(BestSeller, 2009).
Amolando o fio da Alma. Roberto Muniz Dias.
(Urutau, 2025).

Sugestão de Ícaro Jatobá no episódio “Viagem no país da crônica”. Ele é jornalista, e já escreveu pra Quatro Cinco Um sobre o livro Páginas coloridas: editoras independentes pela diversidade sexual (Com-Arte, 2024). Leia aqui.

“As minhas duas indicações literárias de hoje vão para os livros Antes que anoiteça, do escritor cubano Reinaldo Arenas, que faz um importante relato sobre a perseguição do regime de Fidel Castro contra os homossexuais — mas também é um forte adeus do autor, que se suicidou nos Estados Unidos após dar de cara com a ilusória liberdade norte-americana. A segunda indicação é uma leitura recente: o livro Amolando o fio da alma, do escritor Roberto Muniz Dias, que aborda os desejos, medos e abusos sofridos por uma criança em seu processo de aceitação homossexual.”


Em breve cárcere. Silvia Molloy.
(Iluminuras, 1995).

Sugestão de Júlio Pimentel Pinto no episódio “Miró da Muribeca, poeta andarilho”. Ele é historiador e crítico.

“O romance reivindica o feminino e percorre o universo da sensibilidade lésbica, enquanto fala da ausência de duas amantes da narradora. Eu escolhi esse livro porque, num tom proustiano, ele mostra as ambiguidades do passado, revisita e interpreta o amor distante e a sua persistência no turbilhão de fragmentos da memória.”


Enverga, mas não quebra: Cintura Fina em Belo Horizonte. Luiz Morando.
(O Sexo da Palavra, 2020).

Sugestão de Márcio Bastos no episódio “Cenas de São Paulo”. Ele é jornalista e autor de Pernalonga: uma sinfonia inacabada (Cepe, 2023)

“Luiz complexifica a história de Cintura Fina a partir de resgates documentais, de entrevistas, insere também a importância de Cintura Fina na geografia da cidade, mostrando como os corpos dissidentes sempre foram tão essenciais, apesar de apagados, na história das cidades, dos estados do Brasil.”


90 dias: diário de uma recuperação. Bill Clegg.
(Companhia das Letras, 2013).

Sugestão de Felipe Cabral no episódio “Pé na crítica”. Ele é diretor de cinema e autor de O diário de Aquiles (Record, 2023).

“É um livro espetacular. Um relato muito contundente, muito sincero e, no fundo, esperançoso também sobre a recuperação de dependentes químicos.”


O negócio do michê: prostituição viril em São Paulo. Néstor Perlongher.
(Fundação Perseu Abramo, 2009).

Sugestão de Dácio Pinheiro no episódio “Entre parentes”. Ele é escritor e autor de Claudia Wonder: flor do asfalto (Ercolano, 2025)

“O livro foi lançado nos anos 80, teve uma reedição nos anos 2000 e valeria muito a pena ter uma reedição atualizada com um olhar para esse mundo que a gente vive hoje das redes sociais, do sexo via internet e tudo mais.”


Confira as dicas literárias LGBTQIA+ de 2025.