Repertório 451 MHz,

Palavras no centro

Na coluna Bruna Beber Entrevista, Buhr fala sobre os bastidores de Feixe de fogo, seu novo álbum, e conta como mistura a escrita de canções e de literatura

15maio2026 • Atualizado em: 06jul2026

Está no ar o 196º episódio do 451 MHz, o podcast dos livros. Nesta edição, a coluna Bruna Beber Entrevista recebe a cantora, compositora e escritora Buhr, que fala sobre seu novo álbum, Feixe de fogo, e sua trajetória na música e na literatura. 

A convidada conta os bastidores do disco e lembra de momentos marcantes, como seu encontro com Itamar Assumpção. Ela ainda revela planos para sua participação no Festival Poesia no Centro, que acontece de 15 a 17 de maio, em São Paulo. O episódio foi realizado com o apoio da Lei Rouanet.

Nascida em Salvador, onde viveu até os sete anos, Buhr começou no mundo da música nos anos 90 em Recife. Tem cinco álbuns autorais — Eu menti pra você (2010), Longe de onde (2011), Selvática (2015), Desmanche (2019) e o recente Feixe de fogo, lançado em abril. Na literatura,  publicou a coletânea de poemas Desperdiçando rima (Rocco, 2015) e o romance Mainá (Todavia, 2022). Desde 2025, deixou para trás o nome Karina e passou a usar o sobrenome para expressar sua identidade de pessoa não binária. 

Música e poesia

Na conversa, ela conta que começou a tocar percussão e a cantar em 1992, no maracatu recifense Piaba de Ouro, e diz que, até hoje, cria canções a partir da mistura de percussão e poesia. “É como eu faço música, com o ritmo das palavras”, define.

A cantora, compositora e escritora Buhr (Renato Parada/Divulgação)

Sobre o processo de criação de Feixe de fogo, ela conta que o disco levou dois anos para ficar pronto, período em que escrevia as canções e as gravava, aos poucos, em estúdios de diferentes cidades: Fortaleza, Sobral, Salvador, Recife e São Paulo. Buhr diz que, pela primeira vez, não partiu de escritos anteriores para compor — todo o livro Desperdiçando rima, por exemplo, virou música segundo ela. Mas depois percebeu que inconscientemente incorporou versos de um poema do livro à música “Oxê”, no refrão “Eu gostaria de um sapato branco/ pra acertar seu dedo/ pra esmagar meu medo”.

“Então fica muita coisa voando, o que vai virar disco, o que vai virar o livro, o que vai virar música…”, reflete. “Fica um universo de coisas sobrevoando, e aí você vai pegando daqui, pegando de lá, e vai virando [a obra].”

Para a artista, seus diferentes projetos são como uma costura, mesmo quando realizados cada um a seu tempo. “Eu estou separadamente fazendo cada trabalho, claro, mas para mim acontece tudo junto. Enquanto estou escrevendo, o teatro está comigo também; enquanto estou atuando, a música está comigo, a palavra está comigo”, diz a cantora, que também é atriz e já afirmou que veio morar em São Paulo por causa do Teatro Oficina, onde atuou em peças como As bacantes e Os sertões.

Encontro marcante

A convidada também lembra do início da carreira como compositora. Sua primeira composição foi “O trem”, de 1999, quando integrava a banda Comadre Fulozinha. A canção foi a primeira que a cantora gravou como voz principal, numa ocasião que a marcou por causa da presença do cantor e compositor paulista Itamar Assumpção.

Capa do álbum Comadre Florzinha, de 1999

“Renata Mata, que tocava na Comadre Fulozinha, levou Itamar na gravação. Eu vi ela chegando com ele, ele do lado da [área] técnica, e eu dentro [do estúdio] já para gravar a voz”, conta. “Ele entrou no estúdio, olhou para mim, sentou, ficou olhando para minha cara, e eu gravando.” Só depois do fim da sessão os dois foram apresentados.

Poesia no Centro

Buhr ainda adianta no episódio como deve ser sua participação durante o Festival Poesia no Centro, no Teatro Cultura Artística, em São Paulo, na noite desta sexta (15). Ela faz leituras e performances na mesa “Quem mais calaria sirenes?”, ao lado da poeta Luiza Romão. O festival tem curadoria de Bruna Beber e a entrada é gratuita.

A cantora diz estar planejando “se jogar” e fazer “alguma coisa nova” por finalmente poder subir ao palco com Romão, num encontro há tempos ansiado por ela. “Vou levar meu tambor porque é minha boia [de salvação]”, brinca.

Mais na Quatro Cinco Um

Em agosto de 2022, a revista dos livros publicou uma entrevista de Buhr à editora Iara Biderman. Na conversa, ela falou sobre Mainá, seu primeiro romance. “Nunca tinha feito uma coisa assim, dessa forma diária, esse negócio de voltar, esmerilhar”, ela conta. Leia na íntegra.

O melhor da literatura LGBTQIA+

O episódio traz uma dica literária do cantor e escritor Danilo Cymrot. Ele é autor de O funk na batida: baile, rua e parlamento (Edições Sesc, 2022). Ele sugere Sismógrafo (Autêntica Contemporânea, 2026), primeiro romance de Leonardo Piana, lançado originalmente em 2022 pela editora Macondo.

“O livro tem um relato lindo, poético, nostálgico, com descrições bem visuais, cinematográficas, e uma boa carga de erotismo. A gente torce pelo Eduardo e é bonito acompanhá-lo descobrindo e vivendo sua sexualidade. Mas, ao mesmo tempo, o livro tem passagens dolorosas e traumáticas, em que a gente se depara com a violência da homofobia que o Eduardo sofre em uma cidade bucólica, mas também conservadora”, diz.

Leia mais dicas da seção O Melhor da Literatura LGBTQIA+.

O 451 MHz é uma produção da Associação Quatro Cinco Um.
Apresentação: Paulo Werneck
Colunista mensal: Bruna Beber
Produção: Beatriz Souza e Mariana Franco
Edição e mixagem: Fabio Teixeira
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Identidade sonora: Guilherme Granado e Mario Cappi
Apoio: Ministério da Cultura –  Lei Rouanet
Para falar com a equipe: [email protected]