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Os finalistas do 18º Prêmio São Paulo de Literatura
Romances de Mariana Salomão Carrara, Beatriz Bracher, Caetano W. Galindo e Amara Moira estão entre os selecionados pela edição de 2025; confira a lista completa e saiba mais sobre os livros
30set2025 • Atualizado em: 01out2025Uma das principais premiações literárias do país, o Prêmio São Paulo de Literatura, organizado pelo governo do estado de São Paulo por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, divulgou nesta terça (30), no Diário Oficial, os finalistas de sua 18ª edição. Duas categorias avaliam romances de estreantes e veteranos, e o prêmio destina R$ 200 mil para o vencedor de cada uma delas.
Entre os selecionados para a categoria de Melhor Romance (que contempla livros publicados em 2024) estão autores como Mariana Salomão Carrara, por A árvore mais sozinha do mundo (Todavia), Beatriz Bracher, por Guerra — I: ofensiva paraguaia e reação aliada novembro de 1864 a março de 1866 (Editora 34), Paula Fábrio, por Casa de família (Companhia das Letras) e Ronaldo Correia de Brito, por Rio sangue (Alfaguara). Já na categoria Melhor Romance de Estreia publicado em 2024, o escritor curitibano Caetano W. Galindo concorre por Lia (Companhia das Letras), junto com romances como O embranquecimento (Patuá), de Evandro Cruz Silva, e Neca (Companhia das Letras), de Amara Moira. Os vencedores serão anunciados em 24 de novembro.
Confira a lista completa e saiba mais sobre os livros finalistas:
Categoria Melhor Romance de 2024
Os grandes carnívoros. Adriana Lisboa.
Alfaguara // 176 pp // R$ 84,90
Mais Lidas
Vencedora do prêmio José Saramago, a poeta Adriana Lisboa constrói neste romance uma análise sobre a condenação e a normalização da violência nas relações, principalmente as que se dão entre humanos e outras espécies.
No muro da nossa casa. Ana Kiffer.
Bazar do Tempo // 98 pp // R$ 67,90
Finalista do prêmio São Paulo de Literatura por O canto dela (Patuá, 2022), a escritora e professora Ana Kiffer agora narra as vozes de uma mãe e uma filha e suas recordações sobre o período de medo, tortura, violência e silêncio impostos pela ditadura brasileira, além das consequências que permaneceram mesmo após o fim do regime, baseando-se na experiência vivida por sua própria família.
Guerra — I: ofensiva paraguaia e reação aliada novembro de 1864 a março de 1866. Beatriz Bracher.
Editora 34 // 535 pp // R$ 119
Primeiro romance de uma trilogia, fruto da pesquisa de Bracher sobre relatos de pessoas que viveram a Guerra do Paraguai (1864-70). A editora e escritora, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura em 2016, costura múltiplas vozes para abordar o conflito. Inclui mapas baseados em pesquisas de Lúcia Klück Stump.
Em entrevista à Quatro Cinco Um, a autora trouxe os detalhes de sua pesquisa — que durou quase uma década — e a façanha de contar a Guerra do Paraguai em primeira pessoa. “Qualquer momento seria um momento para falar sobre a Guerra do Paraguai, pois a minha questão é que a gente lutou: brasileiros lutaram, muitos morreram, há mil histórias. Sabemos mais como os americanos lutaram no Vietnã, ou os europeus nas guerras mundiais, do que sobre esse conflito. E a guerra não é só lutar; no Paraguai, a maioria das pessoas morreu de fome, de doenças”, disse.
Leia na íntegra a entrevista realizada por Ronaldo Bressane.
Vento Vazio. Marcela Dantés.
Companhia das Letras // 224 pp // R$ 74,90
Em seu quarto livro, a escritora mineira Marcela Dantés, que já foi finalista dos prêmios São Paulo de Literatura e Jabuti e semifinalista do Oceanos, escreve sobre os fantasmas que rodeiam quatro moradores de um povoado fictício encostado na Serra do Espinhaço. Nessa cadeia de montanhas mineira, ninguém está protegido do vento que carrega consigo lembranças e memórias.
Escalavra. Marcelino Freire.
Amarcord // 152 pp // R$ 54,90
Segundo romance do escritor pernambucano vencedor dos prêmios Jabuti e Machado de Assis, narra a complexa relação entre um pai e um filho de origem sertaneja. Aqui, o autor de Contos negreiros (Record, 2005) utiliza da oralidade antiga e da sonoridade das palavras para “escalavrar” (arar, revirar) o silêncio de uma família e sua ligação com o passado.
O autor, que só publicou o romance dez anos após o lançamento do primeiro, contou em entrevista à Quatro Cinco Um, realizada por Iara Biderman, as dificuldades no processo criativo: “Depois de vários livros de contos, acreditava ter encontrado uma técnica para o romance. Fiquei feliz: ‘Maravilha, agora vai ser fácil’. Que nada. […] Já sabia o que era, mas não tinha encontrado o tom nem a linguagem. Quando me aproximei mais da linguagem megalítica, o livro começou a me emocionar. Eu ficava me perguntando quem sou eu no meio dessas pedras”.

A árvore mais sozinha do mundo. Mariana Salomão Carrara.
Todavia // 208 pp // R$ 69,90
Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura 2023 por Não fossem as sílabas do sábado (Todavia), Salomão Carrara resgata em seu novo romance a temática da morte abordada no livro anterior. Desta vez, a autora discute as altas taxas de suicídio registradas entre agricultores a partir da realidade de uma família que vive do cultivo de tabaco no sul do país.
A história da família, formada por Guerlinda, a mãe, Carlos, o pai, e seus três filhos, é contada por uma árvore intoxicada pelo solo, uma caminhonete, uma roupa de proteção contra defensivos químicos e um espelho lusitano que reflete o visível e o invisível. O diálogo entre os quatro elementos salienta a tristeza e, sobretudo, a insalubridade que permeia a vida dos roceiros.
“Salomão é cria da classe média paulistana e tem o desafio de contar uma história que a expulsa de sua zona de conforto literária. Supera-o com destreza. Duas escolhas contribuem para o sucesso: fugir de didatismos excessivos para explicar o flagelo agrícola e não ter personagens de carne e osso dando voz à narrativa”, escreve a jornalista Anna Virginia Balloussier em resenha na Quatro Cinco Um.
Casa de família. Paula Fábrio.
Companhia das Letras // 296 pp // R$ 79,90
A vencedora do prêmio São Paulo de Literatura por Desnorteio (2012) discute questões de gênero e classe, racismo e origens de alguns pensamentos da extrema direita por meio da preocupação de uma mulher que, dia após dia, perde cada vez mais a própria memória. Empenhada em registrar suas lembranças, o que ganha destaque em suas recordações é a presença das várias mulheres nordestinas que trabalhavam como domésticas, babás e cuidadoras em sua casa, uma típica residência patriarcal da classe média paulistana.
Rio sangue. Ronaldo Correia de Brito.
Alfaguara // 320 pp // R$ 89,90
O dramaturgo e ficcionista, vencedor do prêmio São Paulo de Literatura pelo romance Galiléia (Alfaguara, 2009), recria uma espécie de Brasil mitológico que mistura histórias e lendas enquanto narra a oposição entre dois irmãos. Um, contido e que será ordenado padre compulsoriamente, e o outro, violento e ousado, compartilham entre si apenas o tom trágico de seus destinos.
Ressuscitar mamutes. Silvana Tavano.
Autêntica Contemporânea // 118 pp // R$ 59,80
Autora de infantojuvenis premiados, Tavano escreve aqui um livro híbrido de ficção, ensaio e memórias, no qual uma narradora viaja no tempo para encontrar a mãe que sempre a acompanhou.
Em entrevista a Iara Biderman na Quatro Cinco Um, a escritora comentou o livro e a experiência de escrever para o público adulto: “O tempo sempre foi um tema para mim: o começo e o fim das coisas, os ciclos. Isso está nos meus infantojuvenis, em meu primeiro romance. […] Meu livro é uma tentativa de mergulhar e flutuar nesse mar dos tempos”.
Krakatoa. Veronica Stigger.
Todavia // 176 pp // R$ 74,90
Vencedora dos prêmios Açorianos, Jabuti, Machado de Assis e São Paulo de Literatura, a escritora, professora e crítica de arte gaúcha constrói uma trama envolta em fábula, mito e eventos do cotidiano contemporâneo sobre tragédias individuais e coletivas e a devastação causada pela morte. Stigger evoca Anok Krakatoa, um dos 120 vulcões ativos da Indonésia, situado no estreito de Sunda — que em 2022 voltou a registrar aumentos de atividade vulcânica — e que, em 1883, foi responsável por quatro erupções e uma série de tsunamis.
“Vertiginosa, a escrita de Krakatoa não respeita as ordens que o cérebro envia, muda de tom a cada capítulo, não se explica, deixa que digam que pensem que falem os vulcões italianos (‘se elevam e produzem um som nem grave, nem agudo”); os vulcões chilenos e os mexicanos (‘um som médio, mas diverso dos italianos, porque se encontram em círculos de fogo distintos’); os vulcões da Islândia, que percorrem a escala acústica do mais grave ao mais agudo”, escreve Luana Chnaiderman de Almeida em resenha na Quatro Cinco Um.
Categoria Melhor Romance de Estreia 2024
Neca. Amara Moira.
Companhia das Letras // 120 pp // R$ 59,90
Escritora travesti, feminista e autora de Se eu fosse puta (N-1 Edições, 2023), uma espécie de autobiografia, Moira traz com Neca: romance em bajubá, o primeiro romance brasileiro escrito inteiramente na língua cifrada das bichas e travestis.
No 155º episódio do 451 MHz, gravado n’A Feira do Livro 2025, a escritora conversa com o colunista da Quatro Cinco Um Renan Quinalha, que resenhou o livro na revista dos livros, e explica que o romance — um monólogo de 120 páginas de uma travesti mais velha com uma mais nova, que acaba de chegar às ruas — nasceu da sua própria experiência.
“Sempre quis ser escritora. Quando comecei a minha transição, onze anos atrás, encontrei o que eu gostaria de escrever. Queria colocar esse mundo que estava descobrindo em palavras e convidar pessoas que não são trans e travestis a se verem nessas palavras. E também convidar pessoas trans, travestis, a imaginarem que a literatura é nossa também”, contou.
Lia: cem vistas do monte Fuji. Caetano W. Galindo.
Companhia das Letras // 232 pp // R$ 69,90
Autor de Latim em pó (Companhia das Letras, 2023) e Na ponta da língua (Companhia das Letras, 2024) e tradutor de James Joyce, T.S. Eliot, J.D. Salinger e David Foster Wallace, o poeta, ficcionista e linguista curitibano estreia como romancista com uma espécie de mosaico que vai narrando a vida de uma mulher a partir de 99 fragmentos não diretamente conectados.
“Em meio aos pequenos acontecimentos narrados, reflexões sobre o tempo que passa, acenos à meditação (contrabandeados do zazen que o autor pratica), descrições de árvores e pássaros — ideias que poderiam nos jogar para longe de Lia e, paradoxalmente, dão a ilusão de falar sobre ela”, escreve Francesca Angiolillo em resenha na Quatro Cinco Um.
Avenida Beberibe. Claudia Cavalcanti.
Fósforo // 88 pp // R$ 64,90
Autora de A vida dos outros e a minha (Cultura e Barbárie, 2021), a escritora e editora pernambucana reconstitui, neste romance memorialístico, os cenários urbanos que marcaram a sua vida — como a prisão e espancamento do líder comunista Gregório Bezerra em 1964, a experiência de ter assistido ao National Kid, o super-herói vindo da galáxia Andrômeda para nos salvar dos ataques dos incas venusianos, e a história da mansão em que viveu o escritor Thomas Mann em Munique.
O embranquecimento. Evandro Cruz Silva.
Patuá // 182 pp // R$ 70
Primeiro romance do sociólogo e escritor vencedor do Prêmio Nacional de Ensaísmo da revista serrote, publicado três anos depois dos contos de Praia artificial (2021), também pela editora Patuá. A partir de uma trama repleta de simbologias envolvendo o quadro A redenção de Cam, do pintor espanhol Modesto Brocos, o autor pensa o Brasil e suas heranças coloniais sob uma perspectiva inusitada.
“O embranquecimento está fincado na dureza da vida: Macária, intelectual que, assim como o autor, se forma no Brasil das cotas, tem que se haver com fundas questões existenciais e políticas desencadeadas pela morte da mãe”, escreve Paulo Roberto Pires em coluna na Quatro Cinco Um.
Fora da rota. Evelyn Blaut.
Todavia // 112 pp // R$ 64,90
Estreia da autora carioca na ficção longa, o romance em forma de poemas é narrado por uma mulher que descreve suas memórias familiares, de uma casa com grades pretas a cenas que parecem saídas de delírios.
O que resta a partir daqui. Flávia Braz.
Aboio // 200 pp // R$ 59,90
A autora de Quem foi você na fila da quarentena (Reformatório) traz em seu primeiro romance a história de uma mulher que, ainda que não goste da convivência com pessoas mais velhas, trabalha como cuidadora de idosos em uma casa de repouso e na casa de uma família.
A união das Coreias. Luiz Gustavo Medeiros.
Reformatório // 152 pp // R$ 54
Três anos após publicar sua antologia de contos O corpo útil (Patuá, 2021), o escritor carioca estreia no romance com uma reflexão sobre as contradições da sociedade contemporânea ao acompanhar o dia de um homem de meia idade que enfrenta experiências racistas, um emprego monótono e outras perturbações da vida em Goiânia.
O último dos copistas. Marcílio França Castro.
Companhia das Letras // 208 pp // R$ 89,90
Narra a história de uma amizade entre um revisor literário e uma ilustradora de uma pequena casa editorial na era digital que têm a obsessão de desvendar detalhes da vida de Ângelo Vergécio, um copista do século 16 cuja caligrafia deu origem à fonte Garamond.
“O último dos copistas põe em cena o preciso instante que antecede uma extinção, para mostrar que o tempo passa para todos, a vida muda. Há quem se mova no mesmo ritmo que ela, se adapte, se transforme; e há quem se veja sem condições para sair do lugar”, escreve Luis Campagnoli em resenha do livro na Quatro Cinco Um.
A infância de Joana. Mariana Ianelli.
Maralto // 80 pp // R$ 59,90
A jornalista e escritora paulistana, autora da coletânea de poemas Vida dupla (Peirópolis, 2022), narra a infância de uma menina inventiva que explora o jardim da casa da avó e escreve para amigos imaginários de séculos anteriores.
As fronteiras de Oline. Rafael Zoehler.
Patuá // 152 pp // R$ 60
Autor de Testado em animais (2020), também publicado pela editora Patuá, o escritor gaúcho acompanha o senhor Oline, cuja existência é destinada à proteção da fronteira da Sérvia com o Cazaquistão. Quando o protagonista comete o erro de arremessar uma pedra do Cazaquistão para dentro da Sérvia, sua reputação é ameaçada, o que o leva a atravessar o mundo em busca do objeto.
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