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Os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura 2025
Romances de Mariana Salomão Carrara e Marcílio França Castro são os premiados da 18ª edição; saiba mais sobre os livros
25nov2025O Prêmio São Paulo de Literatura, uma das principais premiações literárias do país, divulgou na noite desta segunda (24), em cerimônia realizada na Biblioteca Parque Villa-Lobos, em São Paulo, os vencedores de sua 18ª edição.
Pela segunda vez nos últimos três anos, a escritora paulistana Mariana Salomão Carrara venceu a disputa de Melhor Romance do Ano, com o livro A árvore mais sozinha do mundo (Todavia) — ela havia ganhado o prêmio em 2023 por Não fossem as sílabas do sábado, publicado pela mesma editora. Já na categoria de Melhor Romance de Estreia do Ano de 2024, o prêmio laureou o autor mineiro Marcílio França Castro por O último dos copistas (Companhia das Letras).
A premiação, organizada pelo Estado de São Paulo por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, é dividida em duas categorias que avaliam romances de estreantes e veteranos lançados no ano anterior. O prêmio destina R$ 200 mil para o vencedor de cada uma delas.
Narradores incomuns
Em A árvore mais sozinha do mundo, Salomão Carrara resgata a temática da morte, já presente também no seu romance anteriormente laureado. Desta vez, discute as altas taxas de suícidio registradas entre agricultores a partir da realidade de uma família que vive do cultivo de tabaco no sul do país.
A história da família, formada por Guerlinda, a mãe, Carlos, o pai, e seus três filhos, é contada por uma árvore intoxicada pelo solo, uma caminhonete, uma roupa de proteção contra defensivos químicos e um espelho lusitano que reflete o visível e o invisível. O diálogo entre os quatro elementos reflete a tristeza e, sobretudo, a insalubridade que permeia a vida dos camponeses.
Em resenha para a edição #85 da Quatro Cinco Um, a jornalista Anna Virginia Balloussier destaca a destreza e maestria da autora ao tratar o tema da morte com profundidade e contar uma história fora de sua zona de conforto literária.
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“Salomão investiga ‘essa coisa obscura’ do humano ‘de saber o que é o certo, o melhor, e fazer o contrário’, como se restasse a nós escolher entre a praga que devora ou o veneno que mata junto com ela. A autora, no entanto, não nega espaço para falar de amor. Há na trama uma árvore que vê tudo de cima, soberana num reino de misérias, e ela consegue enxergar curas possíveis para uma terra pervertida por toxinas”, escreve.
Metalinguagem e tempo
Premiada na outra categoria do prêmio, a estreia de Marcílio França Castro na forma longa, por sua vez, é com um livro que brinca com a metalinguagem e com a noção do tempo ao traçar um paralelo entre o copista do século 16 e o revisor de hoje. O último dos copistas narra a história de uma amizade entre um revisor literário e uma ilustradora de uma pequena casa editorial na era digital. Juntos, eles têm a obsessão de desvendar detalhes da vida de Ângelo Vergécio, um copista cuja caligrafia deu origem à fonte Garamond.
Como destaca Luis Campagnoli em resenha do romance na Quatro Cinco Um, França Castro faz da sua paixão pelas letras uma leitura sobre as inevitáveis transformações da sociedade: “O último dos copistas põe em cena o preciso instante que antecede uma extinção, para mostrar que o tempo passa para todos, a vida muda. Há quem se mova no mesmo ritmo que ela, se adapte, se transforme; e há quem se veja sem condições para sair do lugar. Os obsoletos, no entanto, não precisam se preocupar demais, pois a eles está afiançada uma sobrevida”.
Confira a lista completa dos finalistas do prêmio:
Categoria Melhor Romance do Ano de 2024
Os grandes carnívoros (Alfaguara), de Adriana Lisboa
No muro da nossa casa (Bazar do Tempo), de Ana Kiffer
Guerra I – Ofensiva paraguaia e reação aliada novembro de 1864 a março de 1866 (Editora 34), de Beatriz Bracher
Vento vazio (Companhia das Letras), de Marcela Dantés
Escalavra (Record), de Marcelino Freire
A árvore mais sozinha do mundo (Todavia), de Mariana Salomão Carrara
Casa de família (Companhia das Letras), de Paula Fábrio
Rio sangue (Alfaguara), de Ronaldo Correia de Brito
Ressuscitar mamutes (Autêntica Contemporânea), de Silvana Tavano
Krakatoa (Todavia), de Veronica Stigger
Categoria Melhor Romance de Estreia de 2024
Neca (Companhia das Letras), de Amara Moira
Lia (Companhia das Letras), de Caetano W. Galindo
Avenida Beberibe (Fósforo), de Claudia Cavalcanti
O embranquecimento (Patuá), de Evandro Cruz Silva
Fora da rota (Todavia), de Evelyn Blaut
O que resta a partir daqui (Aboio), de Flávia Braz
A união das Coreias (Reformatório), de Luiz Gustavo Medeiros
O último dos copistas (Companhia das Letras), de Marcílio França Castro
A infância de Joana (Maralto), de Mariana IanelliAs fronteiras de Oline (Patuá), de Rafael Zoehler
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