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A cobertura especial d’A Feira do Livro, que acontece de 14 a 22 de junho, é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras

MINISTÉRIO DA CULTURA E PETROBRAS APRESENTAM

A FEIRA DO LIVRO 2025, Repertório 451 MHz,

Literatura em bajubá

Amara Moira conta como foi transformar a linguagem de resistência LGBTQIA+ em um marco da nossa literatura

28jul2025

Está no ar o 155º episódio do 451 MHz, o podcast dos livros. Neste programa, a escritora Amara Moira conversa com o colunista da Quatro Cinco Um Renan Quinalha sobre seu livro Neca: romance em bajubá, o primeiro romance brasileiro escrito inteiramente na língua cifrada das bichas e travestis, o que faz do livro um marco da literatura brasileira.

A conversa aconteceu em junho durante A Feira do Livro 2025, na mesa Encontro com Amara Moira. Transformada em podcast, faz parte da temporada especial do 451 MHz com encontros da quarta edição do festival literário paulistano. O episódio foi realizado com apoio do Ministério da Cultura e tem apresentação exclusiva da Petrobras.

Escritora travesti, feminista e autora de Se eu fosse puta (N-1 Edições, 2023), livro mais autobiográico, Moira conta como foi transpor o bajubá para a ficção em Neca, que saiu pela Companhia das Letras em 2024.

O bajubá (ou pajubá) é uma linguagem de resistência LGBTQIA+ criada nas ruas e mantida viva pela principalmente pelas comunidades travestis. Sem gramática formal ou ensino institucional, o dialeto é uma ferramenta de proteção contra a violência e a perseguição.

Amara Moira n’A Feira do Livro (Flávio Florido)

No episódio, Moira explica que o romance — um monólogo de 120 páginas de uma travesti mais velha com uma mais nova, que acaba de chegar às ruas — nasceu da sua própria experiência. 

“Sempre quis ser escritora. Quando comecei a minha transição, onze anos atrás, encontrei o que eu gostaria de escrever. Queria colocar esse mundo que estava descobrindo em palavras e convidar pessoas que não são trans e travestis a se verem nessas palavras. E também convidar pessoas trans, travestis, a imaginarem que a literatura é nossa também”, diz.

Ao longo da conversa, ela também fala da origem do bajubá como uma resposta à exclusão e à violência sofridas pela comunidade LGBTQIA+, ressaltando a necessidade de uma forma de comunicação cifrada. 

“Essa língua vai sendo construída por essas figuras que são escancaradamente LGBTs e, por conta disso, elas são muito segregadas. E quanto mais elas vivem nesse isolamento e são atacadas, mais elas precisam inventar formas de resistência”, conta. “Então, ter uma língua que só quem é do grupo entende é uma forma de poder conversar sem que quem seja de fora se dê conta do que está sendo conversado.”

Sem dicionário

Neca: romance em bajubá não traz glossário nem notas de rodapé que expliquem as expressões, o que Amara Moira diz ter sido uma escolha intencional. “Não se aprende assim na rua. A gente aprende fingindo que está entendendo e aí uma hora você começa a entender”, diz. 

“Eu queria que a pessoa tivesse essa experiência de chutar, fazer hipóteses. Aí, trinta páginas depois, ela descobre que entendeu tudo errado. Mas quando descobrir que estava errado, ela já entendeu alguma coisa”, explica Moira.

A escritora conta ainda que, em sua pesquisa, encontrou registros de termos em bajubá com quase um século de existência. “O documento mais antigo fala dos anos 30 e traz um monte de expressões. Algumas delas estão em uso ainda, como bicha e bofe.”

Livros do episódio

Veja abaixo a lista de livros que aparecem nesta edição do 451 MHz, incluindo os títulos lançados pela convidada e outras leituras recomendadas:

E se eu fosse puta, de Amara Moira (N-1 Edições, 2023).

Neca: romance em bajubá, de Amara Moira (Companhia das Letras, 2024).

Chuva dourada sobre mim, de Naty Menstrual, traduzido por Amara Moira (Diadorim, 2024).

A princesa, de Fernanda Farias de Albuquerque (Ediouro, 1995)

Eu, travesti: memórias de Luísa Marilac, de Luísa Marilac e Nana Queiroz (Record, 2019)

Nem tão bela, nem tão louca, de Rudy Pinho (Nova Razão Cultural, 2007)

Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado (publicado originalmente em 1986) 

Mais sobre a convidada

Amara Moira é escritora, travesti, ativista feminista e doutora em teoria e crítica literária pela Unicamp. Publicou E se eu fosse puta (n-1 edições, 2023) e Neca: romance em bajubá (Companhia das Letras, 2024). Atualmente, atua como coordenadora no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo.

Temporada especial

Em julho, mês em que completa seis anos no ar, o 451 MHz publica uma temporada especial de quinze episódios com mesas que fizeram sucesso n’A Feira do Livro 2025. Ou seja, a cada dois dias, até 1º de agosto, um episódio novo do podcast dos livros vai ao ar. Saiba mais aqui.

O 451 MHz é uma produção da Associação Quatro Cinco Um.
Apresentação: Paulo Werneck
Produção: Beatriz Souza e Mariana Franco
Edição e mixagem: Fabio Teixeira
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Apoio: Ministério da Cultura
Apresentação exclusiva: Petrobras
Para falar com a equipe: [email protected]

A Feira do Livro 2025 · 14 — 22 jun. Praça Charles Miller, Pacaembu

A Feira do Livro é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos dedicada à difusão do livro e da leitura no Brasil, Maré Produções, empresa especializada em exposições e feiras culturais, e em parceria com a Prefeitura de São Paulo.