A edição 2025 da Flip, que acontece de 30 de julho a 3 de agosto e homenageia o poeta curitibano Paulo Leminski, reúne trinta e seis autores convidados na programação principal. Entre os escritores e escritoras de destaque da 23ª Festa Literária Internacional de Paraty estão Arnaldo Antunes, Caetano Galindo, Gregório Duvivier, Gaël Faye, Cristina Rivera Garza, Rosa Montero, Ilan Pappe, Giovana Madalosso, Astrid Roemer, Neige Sinno, Liv Strömquist e GauZ’.
Veja a seguir uma seleção de títulos recentes dos autores convidados da Flip que vão estar em debate nas conversas do festival:
Rascunhos: diálogos contemporâneos — Acervo IAC. Arnaldo Antunes.
Apres. Raquel Arnaud. Intr. Daniel Rangel. IAC. 80 pp. R$ a definir
Parte do projeto Diálogos Contemporâneos do IAC e com curadoria de Daniel Rangel, o catálogo da exposição Rascunhos — Arnaldo Antunes, em exibição no Instituto de Arte Contemporânea, reúne rascunhos, traços e fotografias do caderno do multiartista paulistano, além de um detalhamento de seu processo criativo.
Noite devorada. Mar Becker.
Círculo de Poemas. 120 pp. R$ 69,90
Nova coletânea da poeta gaúcha que foi finalista do Jabuti com seu livro de estreia, A mulher submersa (Urutau). Nome importante da poesia contemporânea brasileira, dessa vez versa sobre o amor.
Mais Lidas
Cadelas de aluguel. Dahlia de la Cerda.
Trad. Marina Waquil. DBA. 176 pp. R$ 72,90
Em busca de vingança, uma herdeira do narcotráfico, uma assassina de aluguel, prostitutas, bruxas, estudantes e trabalhadoras protagonizam as treze histórias contadas pela escritora mexicana Dahlia de la Cerda. Leia resenha.
Um milhão de ruas: crônicas 2010-2025. Fabrício Corsaletti.
Editora 34. 416 pp. R$ 92,00
Crônicas, contos, poemas e anotações, vários deles inéditos, se misturam na seleção de 190 textos reunidos neste volume. Neles, o autor parte do mote de que “escrever é parecido com andar” para fazer do cotidiano uma aventura poética, reencontrando a beleza em cada nova esquina. Leia resenha e leia trecho.
Pequeno país. Gaël Faye.
Posf. Kalaf Epalanga. Trad. Marília Garcia. Carambaia. 398 pp. R$ 109,90
Publicado no Brasil em 2019 pela Rádio Londres, este romance de formação reaparece agora em nova tradução, da poeta Marília Garcia — ganhadora dos prêmios Oceanos, Icatu e FNLIJ. Ambientado no Burundi em 1993 (país de origem do autor, que nasceu em 1982), a história é narrada por Gaby, um garoto de dez anos, filho de um casal de classe média, de pai francês e mãe ruandesa. Depois de receber notícias do massacre da etnia tútsi em Ruanda, sua mãe viaja ao país para procurar seus parentes, enfrentando muitos perigos com seu filho.
Ana Lívia e outras mulheres. Caetano Galindo.
Cobogó. 136 pp. R$ 62
Primeiros textos teatrais do professor, tradutor e escritor curitibano, divididos em duas peças e um dossiê. Na primeira, duas atrizes vivem um jogo de tensões e silêncios. A segunda é inspirada na obra de Leonora Carrington. Ao final, o autor comenta referências e trechos da peça Ana Lívia, que abre o livro.
As cidades. Caetano Galindo.
Círculo de Poemas. 40 pp. R$ 47,90
Nesta plaquete, o escritor e tradutor se aventura na chamada “uncreative writing”, ou escrita não criativa, que propõe selecionar, copiar, reorganizar e recontextualizar textos já existentes, criando um poema composto exclusivamente por nomes de municípios brasileiros.
Na ponta da língua: o nosso português da cabeça aos pés. Caetano Galindo.
Companhia das Letras. 272 pp. R$ 69,90
Acompanhado de explicações etimológicas e humor, o premiado tradutor, escritor e romancista curitibano traça um panorama histórico pelas origens das palavras portuguesas. Mais do que um guia, o autor de Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português (2023) revela as mudanças e processos inusitados que as transformaram com o passar dos séculos.
Pensar com as mãos. Marília Garcia.
WMF Martins Fontes. 256 pp. R$ 64,90
Coletânea de ensaios breves da poeta e tradutora carioca vencedora do Prêmio Oceanos, nos quais reflete sobre o fazer poético, o diálogo entre a poesia e outros gêneros literários, além de tecer ideias sobre o processo criativo de autores contemporâneos dedicados à arte de versar.
Autobiografia do algodão. Cristina Rivera Garza.
Trad. Silvia Massimini Felix. Autêntica Contemporânea. 336 pp. R$ 89,80
Explorando a jornada de homens e mulheres de seu passado, o romance da escritora mexicana faz uma espécie de observação sobre o território ocupado por operários e camponeses que cultivavam algodão na fronteira entre o México e os EUA. Aqui, a vencedora do Pulitzer em 2024 por O invencível verão de Liliana (Autêntica Contemporânea, 2022), descreve a prosperidade socioeconômica da região, seu posterior declínio e a atualidade como um espaço de guerra contra o narcotráfico.
De pé, tá pago. GauZ’.
Trad. Diogo Cardoso. Ercolano. 176 pp. R$ 89,90
O romance intercala duas narrativas. Em uma delas, um segurança anônimo — um alter ego do autor do livro, convidado para a Flip 2025 — expõe os estigmas raciais que permeiam a Europa hoje ao observar as manias e contradições dos clientes das lojas que vigia. Na outra, dois marfinenses chegam à França nos anos 1990. Em entrevista à Quatro Cinco Um, o escritor criticou a visão, bastante presente na França onde ele vive, de que os africanos formam uma massa homogênea. Leia resenha.
Perifobia. Lilia Guerra.
Todavia. 160 pp. R$ 59,90
Romance da escritora paulistana, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura por O céu para os bastardos (Todavia, 2023), no qual entrelaça as histórias de diversos personagens que partilham os casos, as emoções e a luta da vida nas zonas periféricas e negligenciadas das grandes metrópoles. Leia resenha.
Dicionário da antiguidade africana . Nei Lopes.
Civilização Brasileira. 224 pp. R$ 74,90
O escritor revela uma história do continente obscurecida pelo preconceito através de verbetes que destacam a primazia de civilizações africanas em várias áreas, como a escrita.
Batida só. Giovana Madalosso.
Todavia. 240 pp. R$ 74,90
Depois de ser atacada na rua, uma jornalista descobre no hospital que sofre de uma arritmia grave. Com uma protagonista que se vê frente a um tratamento incerto, o novo romance da autora de Suíte Tóquio (Todavia), finalista do Jabuti e recomendado pelo The New York Times, explora temas como doença e fé, vida e morte. Leia resenha.
Educação da tristeza. Valter Hugo Mãe.
Ils. Valter Hugo Mãe. Biblioteca Azul. 192 pp. R$ 74,90
O celebrado escritor lusitano elabora o luto pela perda de dois entes queridos em um texto que mistura lembranças, confissões e diálogos imaginários. O resultado é uma meditação íntima sobre a finitude da vida. Leia trecho.
Deus na escuridão. Valter Hugo Mãe.
Pref. Rodrigo Amarante e Carlos Reis. Biblioteca Azul. 240 pp. R$ 69,90
Novo romance do escritor português nascido em Angola, vencedor do prêmio José Saramago de Literatura em 2007 e do Portugal Telecom em 2012. Nesta história passada na Ilha da Madeira, ele narra o cotidiano de dois irmãos que moram em uma comunidade em meio à natureza, e como o irmão mais velho corre contra o tempo para cuidar do caçula, nascido com uma condição física rara. O músico Rodrigo Amarante, da banda Los Hermanos, e o professor português Carlos Reis assinam os dois prefácios. Leia resenha.
A louca da casa. Rosa Montero.
Trad. Paloma Vidal. Todavia. 216 pp. R$ 69,90
Honrada com o Prêmio Nacional das Letras Espanholas pelo conjunto de sua obra, a jornalista e escritora madrilenha mescla literatura a uma espécie de autobiografia ficcional em que lida com a própria imaginação, loucura e sonhos a partir da escrita e de sua criatividade artística. Em meio às recordações da infância e juventude, Montero traça biografias bem-humoradas de terceiros, como Goethe e Tolstói.
O coração do dano. María Negroni.
Trad. Paloma Vidal. WMF Martins Fontes. 136 pp. R$ 59,90
O romance autobiográfico da poeta e ficcionista argentina — autora de A arte do erro (100/cabeças, 2022) — é uma espécie de ajuste de contas de uma filha com sua mãe narcisista e por vezes bastante cruel em sua desatenção, cuja figura vai sendo reconstruída por meio de cartas, poemas, fotos, palavras. E os danos causados por essa mãe são tantos que sua vida não é a sua vida, mas apenas um contraponto à vida da mãe.
Miséria. Dolores Reyes.
Trad. Silvia Massimini Felix. Moinhos. 262 pp. R$ 78
Na nova novela da professora e escritora argentina, Reyes retoma a protagonista de seu romance anterior, Cometerra (Moinhos, 2022). Neste, a jovem que possui o dom de encontrar pessoas desaparecidas é confrontada com a dualidade entre a desesperança e a leveza, enquanto traça o laço de sororidade coletiva e as violências que afetam mulheres.
O quarto do bebê. Anabela Mota Ribeiro.
Bazar do Tempo. 284 pp. R$ 78
A jornalista e escritora portuguesa reflete sobre perda, maternidade e a violência estrutural contra as mulheres em seu primeiro romance. Nele, a descoberta do diário de uma das pacientes de seu pai, um psicanalista já morto, leva a uma obsessão inesperada e à descoberta de uma forma de reatar os laços com a memória paterna.
Sobre a loucura de uma mulher. Astrid Roemer.
Trad. Mariângela Guimarães. Companhia das Letras. 248 pp. R$ 79,90
Publicado originalmente em 1982, o romance da autora surinamesa tem vivido um renascimento nos últimos anos, em especial após ter sua tradução para o inglês indicada ao National Book Award. A trama se passa no Suriname após o fim do domínio colonial holandês e acompanha a jornada de libertação de Noenka, mulher que se apaixona perdidamente por outra mulher após fugir do marido abusador. Leia resenha.
projeto Querino: um olhar afrocentrado sobre a história do Brasil. Tiago Rogero.
Fósforo. 400 pp. R$ 94,90
Vencedor do prêmio Vladimir Herzog, o jornalista mineiro e criador dos podcasts Vidas Negras, Negra Voz e projeto Querino — série de oito episódios em que transmitiu um olhar afrocentrado sobre a historiografia brasileira e como ela pode explicar o país na era contemporânea — traz entrevistas acerca de figuras negras que passaram pelo processo de apagamento histórico. Correspondente do jornal britânico The Guardian na América do Sul, Rogero vai da contribuição de Luiz Gama, Chiquinha Gonzaga e muitos outros, até a PEC das Domésticas, para debater racismo, memória e diáspora. Leia resenha.
A maior prisão do mundo: uma história dos territórios ocupados por Israel na Palestina. Ilan Pappe.
Trad. Alexandre Barbosa de Souza. Elefante. 384 pp. R$ 80
O historiador israelense recapitula as principais fases da ocupação de territórios palestinos pelo Estado judeu para argumentar que o ocorre hoje na Faixa de Gaza é apenas o estágio mais recente de um projeto mais amplo de limpeza étnica. Leia trecho.
Coisa que não edifica nem destrói. Ricardo Araújo Pereira.
Tinta-da-China Brasil. 240 pp. R$ 74,90
Entre considerações e debates sobre os limites do humor, o volume reúne os episódios da primeira temporada do podcast de mesmo nome apresentado pelo humorista e cronista português. Recorrendo a textos e eventos que definem a humanidade desde a Antiguidade até a contemporaneidade, o autor de Estar vivo machuca (2022) trata do medo, piadas e aborrecimentos que alavancam o humor. Leia resenha e leia trecho.
Um rio sem fim. Verenilde S. Pereira.
Alfaguara. 184 pp. R$ 79,90
Duas garotas indígenas educadas em uma missão religiosa na Amazônia são levadas para trabalhar na casa de famílias ricas de Manaus neste romance, considerado pioneiro da ficção afroíndigena brasileira e elogiado por nomes como Conceição Evaristo e Ailton Krenak. Sua reedição, mais de 25 anos após sua publicação original, ocorre ao mesmo tempo que a escritora é anunciada como uma das convidadas da Flip deste ano.
A extração dos dias: poesia 1984-2005. Claudia Roquette-Pinto.
Org. Gustavo Silveira Ribeiro. Círculo de Poemas. 368 pp. R$ 104,90
Coletânea que reúne cinco dos primeiros livros da poeta carioca vencedora do Jabuti: “mais um dia a atravessar do avesso,/ comendo pelas beiradas/ a papa fria das conversas,/ as caras de tacho e borracha/ chapadas contra o meu céu/ (onde boiam as coisas de verdade:/ espirais de fogo,/ sua boca contra a minha,/ as palavras do sonho, que perdi)”.
A cabeça boa. Lilian Sais.
DBA. 88 pp. R$ 64,90
A poeta e romancista finalista do prêmio São Paulo de Literatura por O funeral da baleia (Patuá, 2021) se volta a uma outra Lilian, a protagonista que se encontra no limiar entre a loucura e a sanidade. Obra parte da “tetralogia da perda” — série sobre o luto enfrentado por Sais após a morte do pai —, descreve a tentativa, por vezes frustrante ou inconclusa, de encontrar sentido em meio à partida de um familiar.
Irmãs do Atlântico. Ynaê Lopes dos Santos.
Apres. Flávio dos Santos Gomes. Civilização Brasileira. 362 pp. R$ 99,90
A historiadora constrói um novo olhar sobre a escravidão nas Américas ao traçar um paralelo inédito entre Rio de Janeiro e Havana, ambas “cidades escravistas” segundo ela.
Triste tigre. Neige Sinno.
Amarcord. 288 pp. R$ 69,90
Destaque da Flip 2025, a escritora francesa elogiada por Annie Ernaux vasculha memórias, arquivos e diálogos em uma tentativa de dar sentido à experiência de ter sido estuprada pelo padrasto dos sete aos catorze anos. Nesse processo, investiga a convivência entre vítimas e algozes e questiona a possibilidade de se entender a mente de um abusador. Leia resenha.
A astrologia. Liv Strömquist.
Quadrinhos na Cia. 184 pp. R$ 99,90
A autora sueca de A origem do mundo e A rosa mais vermelha desabrocha (Quadrinhos na Cia.) retorna com uma HQ afiada. Com a ironia que lhe é característica, investiga nosso fascínio contemporâneo pelos signos do Zodíaco. Com referências que vão de Adorno a Taylor Swift, questiona e analisa os impactos e a influência da astrologia no mundo hoje. Leia resenha.
Flores da batalha. Sergio Vaz.
Apres. Emicida. Global. 272 pp. R$ 55
O poeta e criador da Cooperifa retrata as lutas, os sonhos e o cotidiano exaustivo das pessoas negras e periféricas no Brasil, que enfrentam a negligência de um sistema injusto e desigual.
Setembro negro. Sandro Veronesi.
Trad. Karina Jannini. Autêntica Contemporânea. 288 pp. R$ 74,90
Um homem revisita memórias da infância no litoral italiano quando, aos doze anos, amadureceu cedo demais e enfrentou traumas amorosos. Romance do premiado autor de O colibri (Autêntica Contemporânea).
Limpa. Alia Trabucco Zerán.
Trad. Silvia Massimini Felix. Fósforo. 232 pp. R$ 74,90
Da autora de As homicidas (Fósforo, 2023), o novo thriller da escritora chilena finalista do Booker Prize narra a história de uma jovem que deixa o sul do Chile rumo à capital, Santiago, para trabalhar para um casal de classe alta, em busca de melhores condições de vida. Após a morte da filha dos patrões, a babá e doméstica se tornam alvos de uma investigação. Baseado em um crime real e contado de forma circular, descreve conflitos de classe, episódios de preconceito social e a falsa intimidade do trabalho doméstico
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JULHO, 2026
