Listão da Semana,

O poder da leitura

Em Manifesto pela leitura, a escritora e filóloga espanhola Irene Vallejo defende a leitura como prática de fortalecimento da empatia e essencial para a solidez das democracias

14jul2026

Em 2020, a escritora espanhola Irene Vallejo publicou um texto em defesa dos livros, conclamando leitoras e leitores a ler sempre e mais. “Ler nos ensina a falar e nos educa na arte do diálogo”, afirma a autora em Manifesto pela leitura, que chega esta semana às livrarias.

Também na seleção de lançamentos: a edição comemorativa de setenta anos de Grande sertão: veredas; uma nova edição, ampliada, de O crime do Cais do Valongo, de Eliana Alves Cruz; Mamute, de Eva Baltasar; Espaço aéreo, de Claudia Cavalcanti; Eu vi as tamareiras, de Radwa Ashour; o Poema-assentamento, de Ana Luiza Ferreira; e mais novidades quentinhas.

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Manifesto pela leitura. Irene Vallejo.
Trad. Julia Dantas // Posf. Zoara Failla // Dublinense + Seiva // 80 pp // R$ 59,90

A escritora e filóloga espanhola faz uma ode aos livros como forma de resistência ao consumo desenfreado de informação no século 21 e defende a leitura como prática capaz de fortalecer a empatia, condição essencial para a solidez das democracias. Autora de O infinito em um junco: a invenção dos livros no mundo antigo (Intrínseca, 2022), que foi traduzido para mais de trinta idiomas, ela redigiu este manifesto a convite da Federação de Editores da Espanha.

A Quatro Cinco Um publicou um trecho do Manifesto de Vallejo:

“‘Os livros fazem os lábios’, costumava dizer há vinte séculos o mestre da retórica Quintiliano. Às vezes encontramos nas páginas, prodigiosamente transparentes, ideias e sentimentos que estavam confusos em nós mesmos e, com isso, o ofício de viver nos parece menos caótico. O vocabulário da nossa vida está naquilo que lemos. À nossa maneira, todos somos narradores e precisamos diariamente das palavras certas para contar e para contar-nos, para convencer e encantar aqueles que nos ouvem.”

Leia mais trechos

Trecho de Irene Vallejo “Manifesto pela leitura”

Saiba mais sobre o livro

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Grande sertão: veredas. João Guimarães Rosa.
Companhia das Letras // 608 pp // R$ 209,90

Publicado originalmente em 1956, o clássico da literatura brasileira completa setenta anos. A edição comemorativa inclui, além de novo projeto gráfico, uma entrevista concedida pelo autor em 1965 ao jornalista e tradutor alemão Gunter Lorenz, um ensaio do pesquisador Érico Melo e depoimentos inéditos de Mia Couto, Caetano W. Galindo, Milton Hatoum, Itamar Vieira Junior e vários outros escritores.

“Desde a primeira linha do romance, o leitor enfrenta dificuldades. Páginas adiante, elas se justificam na proposta da composição literária inédita: ‘quem mói no aspr’o, não fantaseia’. A escrita selvagem da ficção é moída no áspero e não fantasia. Cada palavra é esmigalhada pelo escritor, assim como o moinho, graças a artimanhas mecânicas, tritura o grão para a boa alimentação. Pela moagem das mil e uma palavras da língua portuguesa e de línguas afins, a escrita ganha a materialidade da fala do jagunço Riobaldo, narrador e protagonista do romance”, escreveu Silviano Santiago sobre o livro para a Quatro Cinco Um.

Leia o texto na íntegra

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O crime do Cais do Valongo. Eliana Alves Cruz.
Record // 206 pp // R$ 59,90

Em edição revista e com epílogo inédito, a autora, recém-premiada na categoria de melhor romance no novo prêmio literário da ABL, mostra como os ecos da escravidão continuam a atravessar a sociedade brasileira. A partir do assassinato de um comerciante no Rio de Janeiro, o romance acompanha as trajetórias cruzadas de um livreiro mestiço e de uma mulher moçambicana escravizada, revelando as engrenagens da violência que sustentaram o tráfico atlântico.

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Mamute. Eva Baltasar.
Trad. be rgb e Meritxell Hernando Marsal // Dublinense // 96 pp // R$ 69,90

No novo romance da autora de Permafrost (2018) e Boulder (2020), publicados pela Dublinense, uma jovem cansada da rotina troca a cidade por uma região remota habitada apenas por um pastor de ovelhas, onde sentirá um chamado para escapar da própria extinção. A escritora catalã estará na programação principal da Flip 2026.

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Espaço aéreo. Claudia Cavalcanti.
Fósforo // 96 pp // R$ 69,90

Da germanista, tradutora e editora, autora de Avenida Beberibe (Fósforo, 2024), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, este breve romance acompanha a jornalista Suzana Molinos, que, durante um voo, lê uma reportagem sobre o acidente do Air France 447, em 2009. A partir dessa leitura, ela percebe que sua vida está intrincada àquele desastre e passa a enxergar sob nova luz o casamento com seu falecido marido, um ornitólogo francês. A narração é de uma vizinha, enquanto a protagonista apresenta microensaios sobre literatura e observação de pássaros ao longo da trama.

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Eu vi as tamareiras. Radwa Ashour.
Trad. Maria Carolina Gonçalves // Tabla // 128 pp // R$ 73

Publicada originalmente em 1989, a coletânea reúne oito contos em que a escritora e ativista egípcia reflete sobre a experiência feminina a partir de cenas típicas do cotidiano local.

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Poema-assentamento. Ana Luiza Ferreira.
Telaranha Edições // 72 pp // R$ 62

Livro de estreia da autora baiana, reúne poemas em português, inglês e espanhol que abordam a experiência da mulher negra diante das feridas causadas pelo racismo estrutural e ressignificam o corpo como símbolo de cura e “desobediência insurgente”.


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Minha mãe e a música. Marina Tsvetáieva.
Trad. Irineu Franco Perpetuo // Apres. Marília Garcia // Poente (WMF Martins Fontes) // 96 pp // R$ 49,90

Neste ensaio autobiográfico, a poeta russa (1892-1941) narra a relação com a mãe trazendo para o primeiro plano aquilo que ela nomeia como “personagem principal” de sua infância: o piano.

O nervo do poema: antologia para Orides Fontela – 2ª edição.
Org. Paulo Henriques Britto e Patricia Lavelle // Relicário // 144 pp // R$ 62,90

Releituras da obra da poeta paulista, homenageada da Flip 2026. A antologia conta com poemas de mais de vinte autores, entre eles Ana Martins Marques, Marília Garcia, Edimilson de Almeida Pereira, Tarso de Melo e Ricardo Aleixo.

Ensino à distância. Ana Guadalupe.
Companhia das Letras // 88 pp // R$ 74,90

A escritora e tradutora paranaense, autora de Relógio de pulso (7Letras, 2011) e Preocupações (Macondo, 2019), transmite em poemas cenas distorcidas pelo movimento — da janela de um ônibus à miopia como metáfora.

Castigo Divino. Sergio Ramírez.
Trad. Bruno Cobalchini Mattos // Posf. Carlos Fuentes // Pinard // 560 pp // R$ 139,90

O escritor, ex-vice presidente da Nicarágua e ganhador do Prêmio Cervantes em 2017, mistura crônica social e sátira política, cutucando as elites da América Central e as incapacidades da Justiça.

Durou um momento, não teve fim. Gabriela Zambiazi.
Todavia // 232 pp // R$ 84,90
A escritora e advogada mineira estreia na ficção com este romance que acompanha três gerações de mulheres que carregam marcas da violência.

Meio quente: as imagens na era do calor. Hito Steyerl.
Trad. André Albert // Ubu // 224 pp // R$ 89,90

A cineasta, artista visual e escritora alemã investiga como a IA embaralhou as fronteiras entre realidade e simulação, tornando as imagens cada vez mais instáveis e até absurdas, e propõe formas de resistência artística.

Colaboraram neste Listão: Jaqueline Silva e Maria Eduarda Oliveira

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Gabriela Caputo