Repertório 451 MHz,

Pagu, presente!

Martha Nowill e Adriana Armony conversam sobre a militância da grande feminista e escritora e como ela continua a inspirar

09dez2022 - 05h51

Está no ar o 77º episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros. A atriz Martha Nowill e a escritora Adriana Armony conversam com Paulo Werneck sobre a importância de Patrícia Galvão, a Pagu. Eles partem da peça de Nowill, Pagú – Até Onde Chega Sonda, e do livro Pagu no metrô, de Armony, lançado pela editora Nós, para discutir o impacto de Pagu na arte e na vida das mulheres brasileiras.

Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! Este episódio também tem o apoio da Companhia das Letras.

Mulheres no século 21

Martha Nowill é dramaturga e atriz. Uma série de coincidências a levaram a buscar mais informações sobre Pagu. Primeiro, ouviu do colecionador Rafael Moraes que tinha olhos parecidos com os de Pagu. Moraes, que havia comprado uma mala de Patrícia Galvão vinte anos antes, presenteou Nowill com um manuscrito inédito da escritora e militante brasileira. 

Em 2018, ela começou a escrever o que se tornaria a peça Pagú – Até Onde Chega a Sonda, onde mistura suas próprias experiências com trechos do manuscrito de Pagu. “É uma dramaturgia híbrida, um texto escrito a quatro mãos em duas épocas diferentes”, explica a dramaturga, que interpreta Pagu nos palcos. Atualmente, a peça teatral está em cartaz no Sesc Pompeia, em São Paulo. 

Autora dos livros Estranhos no armário (Record) e A Feira (7 Letras), Adriana Armony percebeu, ao pesquisar Pagu: autobiografia precoce, de Pagu, e Pagu, de Augusto de Campos (ambos publicados pela Companhia das Letras), que pouco se sabia sobre a época que ela passou em Paris. Armony decidiu fazer essa pesquisa em um pós-doutorado na França, onde se inspirou no livro Zazie no metrô, de Raymond Queneau (Cosac Naify), para escrever Pagu no metrô, publicado pela editora Nós. 

                

Lançado em 2022, o romance mistura pesquisa com ficção para refazer os passos de Pagu na capital francesa entre os anos de 1934 e 1935. Também foi o livro de março do Clube 451.

Mulher da multiplicidade

Apesar de ser uma das principais feministas do feminismo brasileiro, Patrícia Galvão não é conhecida por todos. Martha Nowill, Adriana Armony e Paulo Werneck discutem que, além da escrita, Pagu foi militante comunista, o que lhe rendeu 23 prisões. Foi durante uma dessas passagens pelo cárcere que ela escreveu Pagu: autobiografia precoce, uma carta na qual conta sua história — não do ícone, mas da pessoa Pagu — para seu companheiro Geraldo Ferraz. O livro foi resenhado na edição #19 da Quatro Cinco Um.

No episódio, Adriana Armony destaca o anseio que Pagu tinha de se entregar a algo, fosse o amor ou o comunismo — mais tarde na vida, ela se desiludiu com o partido e se voltou para a militância em prol das artes. 

A intensidade de Pagu também inspirou a escrita e a interpretação de Martha Nowill: “Teve uma hora que eu tive muita tranquilidade de fazer o texto dela no teatro porque a última paixão dela — ela tinha essa coisa de querer se entregar a tal ponto às coisas, a querer quase se sublimar, se fundir ao objeto de desejo dela — foi o teatro”. Nowill ressalta que a paixão de Pagu pela dramaturgia fez com que ela traduzisse e trouxesse vários autores ao palco. 

A dramaturga também se surpreendeu ao descobrir a vasta produção jornalística de Patrícia Galvão, principalmente as crônicas escritas por ela. “Quando eu comecei a entender realmente quem foi essa mulher, fiquei muito chocada com ela”, afirma.


Pagu [Unisanta – Arquivo Lucia Teixeira/Reprodução]

Mais na Quatro Cinco Um

Martha Nowill já havia participado do podcast 451 MHz anteriormente. No episódio especial Nelson Rodrigues: sexo, mentiras e folhetim, a atriz fez a leitura de trechos de romances e folhetins do escritor. 

Ela também deu as caras na Quatro Cinco Um: na edição #4 da revista dos livros, resenhou o clássico O trabalho do ator: diário de um aluno, de Konstantín Stanislávisk Já na #13, escreveu sobre como Fernanda Montenegro: itinerário fotobiográfico a impactou.

O melhor da literatura LGBTI+

A poeta e editora Aline Miranda indica 07 notas sobre o apocalipse ou poemas para o fim do mundo, de Tatiana Nascimento, publicado em 2019 pela Garupa Editora. “Forte, potente, revolucionário e inspirador” são alguns dos adjetivos que Miranda usa para descrever a obra, que contém poemas sobre o quadro político do amor em um mundo intolerante e persecutório.

Confira a lista completa de indicações dadas no podcast 451 MHz, no bloco O Melhor da Literatura LGBTQIA+.

O 451 MHz é uma produção da Rádio Novelo e da Associação 451.
Apresentação: Paulo Werneck
Coordenação Geral: Évelin Argenta e Paula Scarpin
Produção: Ashiley Calvo
Edição: Cláudia Holanda, Gabriela Varella e Paula Scarpin
Produção musical: Guilherme Granado e Mario Cappi
Finalização e mixagem: João Jabace
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Coordenação digital: Juliana Jaeger, FêCris Vasconcellos e Bia Ribeiro
Para falar com a equipe: [email protected].br