As autoras Beatriz Bracher, Ligia Gonçalves Diniz e Iara Biderman (Divulgação)

Bagagem Literária, Prêmios literários,

Os ganhadores do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2025

Beatriz Bracher, Ligia Gonçalves Diniz e Iara Biderman, editora da Quatro Cinco Um, estão entre os vencedores

04nov2025

A Fundação Biblioteca Nacional anunciou nesta segunda (3) os vencedores da edição de 2025 do Prêmio Literário Biblioteca Nacional. Na categoria Romance, o livro premiado foi Guerra — I: ofensiva paraguaia e reação aliada. Novembro de 1864 a março de 1866, de Beatriz Bracher. O volume, publicado pela Editora 34, inaugura uma trilogia que reúne relatos reais de testemunhas da Guerra do Paraguai para contar de maneira original a história do conflito. 

Pote de mel e outros poemas, de Leonardo Gandolfi — que saiu pela mesma editora — venceu como melhor livro de poesia. Na categoria Ensaio Literário, o premiado foi O homem não existe: masculinidade, desejo e ficção (Zahar), de Ligia Gonçalves Diniz, que junta experiências pessoais à análise de grandes obras da literatura ocidental em um panorama da infelicidade masculina.

Já na categoria Conto, a jornalista e editora da Quatro Cinco Um Iara Biderman recebeu o reconhecimento por Tantra e a arte de cortar cebolas, mais um título lançado pela Editora 34. 

A coletânea é a estreia de Biderman na literatura após quatro décadas atuando como repórter e editora em publicações em São Paulo. Segundo a autora, ela ainda está se acostumando a apresentar-se também como escritora, embora a veia de ficcionista exista desde antes do jornalismo. 

“Desde pequena sou de ficar observando as pessoas. Sabe aquilo de ficar observando uma pessoa dentro do ônibus e inventar uma história sobre ela? Eu já tinha isso. E fui para o jornalismo por causa disso”, conta.

Mesmo sem saber com exatidão o que vem pela frente, a editora da revista dos livros tem certeza que Tantra e a arte de cortar cebolas foi apenas o começo de sua carreira literária.

“Estou com um monte de papeizinhos soltos com ideias e frases. Vou ver o que fazer com eles. Encontrei um papel assim: ‘Não deixar escritos importantes em papéis soltos’. E eles continuam em papéis soltos”, brinca. “Mas claro que eu quero continuar na ficção ao mesmo tempo que sigo como jornalista. É bom fazer as duas coisas. Uma ajuda a outra.”

Também entre os destaques, Dono das palavras: a história do meu avô (Todavia), de Yamaluí Kuikuro Mehinaku, venceu na categoria Histórias de Tradição Oral. Na biografia, o autor indígena conta a história de vida de seu avô Nahũ, figura-chave para a criação do Parque do Xingu.

A seguir, veja todos os vencedores do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2025:

Categoria Conto – Prêmio Clarice Lispector


Tantra e a arte de cortar cebolas, de Iara Biderman. Editora 34.
Infelizes à sua maneira, de Lucas Verzola. Editora Incompleta.
Ao rés do chão, de Thalita Lucena. Editora Patuá.  

Categoria Ensaio Literário – Prêmio Mário de Andrade


O homem não existe, de Ligia Diniz. Zahar.
O grande relógio: a que hora o mundo recomeça – Caderno em andamento 1, de Silviano Santiago. Nós.
Modernismo negro: a literatura de Lima Barreto, de Jorge Augusto. Segundo Selo.

Categoria Ensaio Social – Prêmio Sérgio Buarque de Holanda


1º Assombros da casa-grande: a Constituição de 1824 e as vidas póstumas da escravidão, de Marcos Queiroz. Fósforo.  
Cachorros: a história do maior espião dos serviços secretos militares e a repressão aos comunistas até a Nova República, de Marcelo Godoy. Alameda.  
Pretos Novos do Valongo: escravidão e herança africana no Rio de Janeiro, de Mônica Sanches (org.). Bazar do Tempo. 

Categoria Histórias de Tradição Oral – Prêmio Akuli


Dono das palavras: a história do meu avô/Aki Oto: Api akinhagü, de Yamaluí Kuikuro Mehinaku. Todavia. 
Histórias de muitos mundos: narrativas e crenças indígenas, de Yaguarê Yamã. Moderna. 
A porta aberta do sertão: histórias da Vó Geralda, de Geralda de Brito Oliveira, Isla Nakano e Renata Ribeiro. Relicário.

Categoria Histórias em Quadrinhos – Prêmio Adolfo Aizen


Quando nasce a autoestima?, de Regiane Braz e Jefferson Costa. Trem Fantasma.
Luanda no terreiro, de Marcelo D’Salete. Companhia das Letrinhas 
Filosofia do mamilo, de Kael Vitorelo. Veneta. 

Categoria Ilustração – Prêmio Carybé


Pedro e Paulo, de Fábio Severino. Joaquina.
Prisma, de Felipe Kehdi. Joaquina. 
Submersos, de Estevão Azevedo e Vitor Bellicanta. Caixote.

Categoria Literatura Infantil – Prêmio Sylvia Orthof


Encaramujado, de Vana Campos e Raquel Matsushita. PeraBook.
Saudade, de Alessandra Roscoe e Odilon Moraes. Gaivota.
Azul Haiti, de Paty Wolff. Companhia das Letrinhas.

Categoria Literatura Juvenil – Prêmio Glória Pondé


Giraflor e outros jequitinhonhas, de Heloisa Pires Lima e Gildásio Jardim. FTD.
Nossos mitos, de Yaguarê Yamã e Danirampe. Pallas. 
Poesia travessia, de Roseana Murray e Daniel Justi. Editora do Brasil.

Categoria Poesia – Prêmio Alphonsus de Guimaraens  


Pote de mel e outros poemas, de Leonardo Gandolfi. Editora 34.
Palavra nenhuma, de Lilian Sais. Círculo de Poemas.
O pito do pango & outros poemas, de Fabiano Calixto. Corsário-Satã.

Categoria Projeto Gráfico – Prêmio Aloísio Magalhães  


Romances de cordel, de Ferreira Gullar. Projeto gráfico de Gustavo Piqueira. José Olympio.
O livro de fazer livros: produção gráfica para edições, de Cecilia Arbolave. Projeto gráfico de Gustavo Piqueira. Lote 42.
Lobo Mau com dor de dente, de Daniel Kondo. Carambaia.

Categoria Romance – Prêmio Machado de Assis


Guerra — I: ofensiva paraguaia e reação aliada. Novembro de 1864 a março de 1866, de Beatriz Bracher. Editora 34.  
Vez em quando, Billie Holiday, de Evandro Affonso Ferreira. Record. 
Escalavra, de Marcelino Freire. Amarcord. 

Categoria Tradução – Prêmio Paulo Rónai


Mulheres sobre as quais desejo escrever, de Yuriko Miyamoto. Tradução de Karen Kazue Kawana e Bruna Tiemi Ogawa (org.). Desalinho. 
O livro africano sem título: cosmologia dos Bantu-Kongo, de Bunseki Fu-Kiau. Tradução de Tiganá Santana. Cobogó.
As mulheres famosas, de Giovanni Boccaccio. Tradução de Adriana Tulio Baggio. Editora UFPR.