Festival literário, Flip,
Conheça os autores da Flip 2025
Dahlia de la Cerda, GauZ’, Gaël Faye, Giovana Madalosso, Rosa Montero, Neige Sinno e outros — saiba mais dos convidados do evento nas páginas da Quatro Cinco Um
30jul2025 • Atualizado em: 01ago2025A 23ª Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) começa nesta quarta-feira (30) e reúne, até domingo (3), grandes autores do Brasil e do exterior na cidade histórica fluminense.
Entre os convidados da programação principal estão a mexicana Dahlia de la Cerda, o marfinense GauZ’, o franco-ruandês Gaël Faye, a espanhola Rosa Montero, os curitibanos Caetano W. Galindo e Giovana Madalosso, o português Ricardo Araújo Pereira, os paulistas Lilia Guerra e Fabrício Corsaletti, a francesa Neige Sinno e o israelense Ilan Pappe, cujos livros já foram tema de entrevistas, resenhas e trechos publicados na Quatro Cinco Um.
Esta edição da festa literária homenageia Paulo Leminski — capa da edição de julho da Quatro Cinco Um. Leia mais sobre alguns dos convidados em resenhas, entrevistas, podcasts e outros conteúdos publicados na revista dos livros.
Fabrício Corsaletti
O poeta paulista — que abre o segundo dia do festival na mesa com Lilian Sais sobre a escrita que passeia por diferentes gêneros literários — lançou recentemente Um milhão de ruas 2010–2025 (Editora 34), coletânea com quase duzentas crônicas. Em boa parte delas, o autor retrata a cidade a partir de bares. Em resenha na Quatro Cinco Um, Lucas Verzola escreve: “Desde a crônica que abre o volume entendemos o bar como espaço de pensamento e invenção. Seja um boteco arrumadinho na Vila Madalena, uma espelunca na rua Augusta, uma sinuca em Santo Anastácio, cidade do interior paulista onde o autor nasceu, ou um izakaya na Liberdade, é no bar que o cronista se sente mais à vontade para investigar a cidade”.
Lilian Sais
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Escritora e autora de O funeral da baleia (Patuá, 2021), lançou neste ano A cabeça boa pela editora DBA, parte da “tetralogia da perda” — série sobre o luto enfrentado após a morte do pai. Participa da mesa na quinta, às 10h, com Fabrício Corsaletti.
Neige Sinno
A escritora francesa Neige Sinno — que conversa na quinta (31), às 12h, com a portuguesa Anabela Mota Ribeiro — é autora de Triste tigre, romance autobiográfico, publicado pela Amarcord, em que narra os abusos que sofreu do padrasto dos sete aos catorze anos. “Em Triste tigre não há tentativas ficcionais ou escapes da imaginação”, escreveu Paulo Roberto Pires em sua coluna.
A crítica literária Ligia Gonçalves Diniz resenhou o relato de Sinno na Quatro Cinco Um: “O livro autobiográfico, lançado em 2023 na França, é, sim, sobre o abuso e suas consequências, mas é, principalmente, um tremendo ensaio a respeito de como contá-lo”.
Anabela Mota Ribeiro
A jornalista e escritora portuguesa reflete sobre perda, maternidade e a violência estrutural contra as mulheres em seu primeiro romance, O quarto do bebê (Bazar do Tempo). Nele, a descoberta do diário de uma das pacientes de seu pai, um psicanalista já morto, leva a uma obsessão inesperada e à descoberta de uma forma de reatar os laços com a memória paterna. Participa de mesa na quinta, às 12h, com a francesa Neige Sinno.
Alia Trabucco Zerán
A escritora chilena é autora de As homicidas (Fósforo), vencedor do British Academy Book Prize em 2022. No romance, “usa os arquivos, os jornais, os documentos e um estilo próximo à reportagem para resgatar quatro homicidas no Chile do século 20, para propor uma reflexão sobre os recalques sociais e as artimanhas escusas da Justiça”, escreveu Kelvin Falcão Klein em resenha para a Quatro Cinco Um. Zerán conversa sobre a ascendência escravocrata do trabalho doméstico na América Latina em mesa na quinta com a paulistana Lilia Guerra, às 15h.
Lilia Guerra
Finalista do prêmio São Paulo de Literatura por O céu para os bastardos (Todavia, 2023), lançou este ano uma nova edição da sua coletânea de contos Perifobia (Todavia), resenhado por Izabela Moi para a revista dos livros. Em 2023, a escritora falou sobre sua história de vida e sua trajetória na escrita em entrevista a Adriana Ferreira Silva. “Nas orelhas dos livros leio que as pessoas são especialistas, mestres, doutoras… Eu tenho um ensino médio técnico. Minha literatura é essa que você está vendo”, disse. Na quinta-feira, às 15h, Guerra conversa com a chilena Alia Trabucco Zerán sobre a ascendência escravocrata do trabalho na América Latina.
Mar Becker
A poeta gaúcha divide mesa com a escritora paraense Monique Malcher sobre os caminhos da poesia e da prosa, na quinta, às 17h. Becker é graduada em filosofia e autora, entre outros, da plaquete cova profunda é a boca das mulheres estranhas (2023) e da coletânea Noite devorada (2025), ambos pelo selo Círculo de Poemas, da editora Fósforo.
A poeta, que começou cedo a publicar seus textos na internet, revelou em episódio do podcast 451 MHz, ter certa dificuldade em publicá-los numa plataforma física, como os livros: “O papel tem essa feição de fixidez, ele mantém o texto pronto, e a minha vontade é sempre voltar”.
Monique Malcher
A escritora paraense, vencedora do prêmio Jabuti na categoria contos em 2021 pela coletânea Flor de gume (Moinhos), lançou neste ano o romance Degola, em que uma mulher revê as dores de uma infância passada em uma ocupação de terra em Manaus. Na quinta, às 17h, ela participa de mesa com a poeta gaúcha Mar Becker.
Sandro Veronesi
O escritor italiano é autor de O colibri (Autêntica Contemporânea, 2024, trad. Karina Jannini), pelo qual recebeu o seu segundo prêmio Strega, premiação literária mais importante da Itália. Neste ano, lançou no Brasil pela mesma editora Setembro negro, romance no qual um homem revisita memórias da infância no litoral italiano, seu amadurecimento precoce, suas descobertas e seus traumas amorosos. Participa de mesa na quinta, às 19h, com o escritor cearense Pedro Guerra.
GauZ’
O autor marfinense, também fotógrafo, roteirista e editor de um jornal satírico na Costa do Marfim, estreia em Paraty e no Brasil com De pé, tá pago, recém-lançado pela editora Ercolano com tradução de Diogo Cardoso. O livro, que ele se recusa a chamar de romance, é uma “etnologia de Paris”, onde viveu dez anos, sob a perspectiva de seguranças de lojas populares, descreve Adriana Ferreira Silva em entrevista na revista dos livros. A jornalista também mediará o encontro entre GauZ’ e o rapper e escritor Gaël Faye que encerra a programação de quinta, às 21h.
Gaël Faye
O escritor e rapper franco-ruandês, que retorna à Flip após sua participação em 2019, está lançando o romance Jacarandá (Editora 34, trad. Mirella do Carmo Botaro e Raquel Camargo), dois anos depois de publicar Pequeno país (Carambaia, 2023, trad. Marília Garcia) — romance que, como escreveu Kelvin Falcão Klein em resenha na Quatro Cinco Um, mostra que a literatura “é tanto uma fuga da violência quanto um instrumento para lidar com ela”. Na quinta, às 21h, participa de mesa com o marfinense GauZ’.
Marília Garcia
A poeta, artista e tradutora carioca acaba de lançar Pensar com as mãos (WMF Martins Fontes), uma coletânea de ensaios breves sobre o fazer poético e a escrita. Em junho, ela falou sobre a origem do livro no especial do 451 MHz realizado ao vivo durante A Feira do Livro 2025. Na sexta, às 10h, Garcia participa de um encontro com as também poetas Alice Ruiz e Claudia Roquette-Pinto sobre a poesia brasileira na perspectiva de suas diferentes gerações. A mediação será do colunista da Quatro Cinco Um Fernando Luna.
Valter Hugo Mãe
O escritor português retorna à Flip catorze anos depois da sua primeira participação para falar sobre sua obra e a adaptação audiovisual de O filho de mil homens (Biblioteca Azul, 2016). O longa, com roteiro e direção de Daniel Rezende, deve estrear na Netflix ainda este ano. Além disso, acaba de chegar às livrarias, pela mesma editora, Educação da tristeza, livro de memórias em que reflete sobre a morte do pai e do sobrinho. Na sexta, às 13h30, Hugo Mãe conversa com o jornalista Walter Porto, da Folha de S.Paulo.
Tiago Rogero
O jornalista é criador do projeto Querino, podcast que reconta episódios da história do país de uma perspectiva afrocentrada, que virou livro-reportagem, publicado em 2024 pela Fósforo — e um dos mais votados na lista de Melhores Livros de 2024 da Quatro Cinco Um. “Além da robustez narrativa, que continua cativante, o livro é uma referência pela checagem de fatos, utilização de múltiplas fontes, registros e dados, e na aplicação de técnicas do jornalismo literário”, descreve Maria Eduarda Nascimento em resenha para a revista dos livros. Na sexta, às 12h, Rogero conversa com a historiadora Ynaê Lopes dos Santos em uma mesa sobre a questão racial no Brasil mediada por Juliana Borges, colunista da revista dos livros.
Liv Strömquist
A quadrinista sueca de 47 anos entrou para a bibliografia obrigatória do feminismo no Brasil desde o lançamento, em 2018, de A origem do mundo: uma história cultural da vagina ou a vulva vs. o patriarcado (Quadrinhos na Cia). Ela acaba de lançar, pela mesma editora, A astrologia (trad. Kristin Lie Garrubo), no qual une humor e visão crítica em um ensaio sobre a crença nos signos. “Uso a astrologia como moldura para satirizar a humanidade, nunca me interessei por previsões”, disse em entrevista para a jornalista Tereza Novaes na revista dos livros. Na sexta, às 15h, participa de mesa com Giovana Madalosso.
Giovana Madalosso
Um dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, a escritora curitibana é autora de, entre outros, Tudo pode ser roubado (2018) e Suíte Tóquio (2020), finalista do Jabuti e recomendado pelo New York Times, ambos publicados pela Todavia. Este ano, lançou, pela mesma editora, Batida só. No novo romance, “a autora se concentra nas questões de gênero e de classe que decidem destinos”, escreveu Ilana Katz em resenha para a Quatro Cinco Um. Na sexta, às 15h, participa de mesa com a quadrinista sueca Liv Strömquist.
Ilan Pappe
Em A maior prisão do mundo: uma história dos territórios ocupados por Israel na Palestina, o historiador israelense analisa as fases da ocupação dos territórios palestinos por Israel desde 1948 e argumenta que o atual massacre na região é resultado de um grande projeto de limpeza étnica. O ensaio, publicado originalmente em 2017, chegou às livrarias brasileiras este ano pela Elefante com um prefácio do autor analisando os desdobramentos mais atuais desse projeto. Leia um trecho de A maior prisão do mundo na Quatro Cinco Um. Pappe participa na sexta, às 17h, da mesa “Breve história sobre o longo conflito”.
Nei Lopes
O sambista, poeta e escritor carioca é um dos grandes pesquisadores do samba e da cultura afro-brasileira e autor de títulos como Ifá Lucumí: o resgate da tradição (Pallas, 2020). Em resenha para a Quatro Cinco Um, o historiador Luiz Antonio Simas descreveu o livro como “um impressionante e bem-sucedido empreendimento de Nei Lopes — um intelectual de axé — contra a dispersão, a mortandade e o desencanto”. No sábado, às 10h, Simas mediará o encontro de Nei Lopes com o público da Flip.
Dahlia de la Cerda
A escritora e ativista mexicana é fundadora do coletivo Morras Help Morras, organização feminista que desenvolve projetos de justiça reprodutiva e aborto seguro no país. Cadelas de aluguel (DBA, trad. Marina Waquil), seu romance recém-lançado, traz treze histórias sobre mulheres marginalizadas em busca de vingança.
“Esqueça o Tarantino aludido no título de Cadelas de aluguel, de Dahlia de la Cerda. O universo que ela apresenta (na excelente tradução de Marina Waquil) é muito mais complexo”, escreve Silvana Jeha em resenha na Quatro Cinco Um. No sábado, às 12h, a escritora conversa com a argentina Dolores Reyes sobre ser mulher na América Latina.
Astrid Roemer
Autora de romances, peças e poesia desde os anos 70, a surinamense-holandesa Astrid Roemer acaba de estrear no Brasil com Sobre a loucura de uma mulher (Companhia das Letras, trad. Mariângela Guimarães). O romance acompanha a jornada de libertação de uma mulher durante o fim do domínio colonial no Suriname. “Sua prosa não se curva à ordem, questionando o canônico e a narrativa tradicional”, descreve a colunista Juliana Borges na revista dos livros. No sábado, às 15h, Roemer conversa com a autora afro-indígena amazonense Verenilde Pereira.
Rosa Montero
A escritora e jornalista espanhola já lançou boa parte da sua obra no Brasil, como os romances A ridícula ideia de nunca mais te ver (2019) e O perigo de estar lúcida (2023), ambos publicados pela Todavia com tradução de Mariana Sanchez. Esses são títulos que ela define como “artefatos literários, uma mistura rara entre ensaio, autobiografia não confiável, biografia e ficção”, como contou em entrevista a Iara Biderman para a Quatro Cinco Um. Na conversa, a escritora falou ainda sobre A louca da casa (Todavia, 2024, trad. Paloma Vidal), em que reflete sobre criatividade, loucura e a noção (fictícia) de normalidade. No sábado, às 19h, ela conversa com Paulo Roberto Pires, colunista da Quatro Cinco Um.
Ricardo Araújo Pereira
O escritor e humorista português lançou Coisa que não edifica nem destrói pela Tinta-da-China Brasil, selo editorial da Associação Quatro Cinco Um. “O livro é baseado no podcast homônimo que RAP criou e apresenta. Com seu título deliciosamente machadiano — tirado de Memórias póstumas de Brás Cubas, obra-prima da comédia —, aprofunda uma especialidade e uma obsessão do autor: fazer a metalinguagem do humor, regada a bastante humor metalinguístico”, escreveu Sérgio Rodrigues na Quatro Cinco Um. Araújo Pereira conversa com o tradutor e ensaísta Caetano W. Galindo no sábado, às 21h.
Caetano W. Galindo
O escritor curitibano é autor de dois livros sobre o nosso idioma: Latim em pó (2022) e Na ponta da língua (2025), ambos publicados pela Companhia das Letras. No ano passado, publicou pela mesma editora seu primeiro romance, Lia: cem vistas do monte Fuji, e falou à Quatro Cinco Um sobre sua estreia no gênero: “O que eu pretendo é tentar encontrar jeitos novos de causar um efeito na pessoa que está lendo. Isso é o que me interessa”, disse. No sábado, às 21h, ele conversa com o escritor e humorista português Ricardo Araújo Pereira.
Veja a programação completa da 23ª Flip aqui.
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