Repertório 451 MHz,

O que é ser LGTQIA+ no Brasil

Os cineastas Coraci Ruiz, Fernando Grostein e Fernando Siqueira conversam sobre a transição de gênero na adolescência e o processo de se aceitar como uma pessoa LGBTQIA+

14out2022 - 04h51

Está no ar o 73º episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros. No mês de outubro em que publicamos o nosso especial infantojuvenil, convidamos três cineastas — Coraci Ruiz, Fernando Grostein e Fernando Siqueira — para uma conversa sobre a transição de gênero na adolescência e o processo de se aceitar como uma pessoa LGBTQIA+.

Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! Este episódio tem ainda apoio da Fósforo.

Os cineastas Coraci Ruiz, Fernando Grostein e Fernando Siqueira têm filmes recentes que se dedicam a discutir a temática LGBTQIA+ e nos ajudam a pensar na nossa sociedade atual, que se mostra menos cordial com as diferenças do que nos fizeram acreditar. 

Ruiz é diretora do filme Lumiar, em que mostra a transição de gênero de seu filho de quinze anos, Noah. 

Grostein e Siqueira tratam da masculinidade catastrófica do presidente Jair Bolsonaro no documentário Quebrando mitos. O filme foi produzido na Califórnia, nos Estados Unidos, para onde o casal se mudou depois de receberem ameaças de bolsonaristas.


Novas representações

Este episódio foi inspirado em uma matéria escrita para a edição de outubro da Quatro Cinco Um por Iara Biderman, editora da revista dos livros, em que ela entrevistou a própria Ruiz e o roteirista Gustavo Moura sobre a transição de gêneros dos seus filhos adolescentes. Lumiar pode ser visto, em casa, no NOW e no Vivo Play, mas o objetivo dos realizadores é que chegue a escolas para realização de sessões coletivas. Os interessados em organizar exibições podem entrar na plataforma Taturana para saber como viabilizá-las.

Biderman também conversou com Grostein sobre Quebrando mitos, que em uma semana ultrapassou 500 mil visualizações no YouTube. O filme mostra os efeitos da trajetória de Bolsonaro, intercalada com a história de Andrade e sua aceitação como homossexual. O filme pode ser assistido no YouTube.

A edição 62 da revista dos livros traz ainda um depoimento de Maia Kobabe, autore não binárie, que teve sua graphic novel Gender Queer: A Memoir censurada em várias bibliotecas nos Estados Unidos. “Banir ou restringir livros queer em bibliotecas e escolas é como privar os jovens queer de coletes salva-vidas, jovens que talvez ainda nem saibam quais palavras devem digitar no Google para descobrir mais sobre o seu próprio corpo, sua identidade e sua saúde”, escreve ela. 

Os direitos para publicar a versão brasileira do quadrinho foram adquiridos pela editora Tinta-da-China Brasil. A historiadora Silvana Jeha também escreveu sobre esse álbum gráfico na Quatro Cinco Um. Ainda nesta edição, a jornalista Adriana Ferreira Silva traz um panorama dos autores da geração Z que impulsionam a venda de romances para jovens protagonizados por gays, lésbicas, trans e pansexuais. Ao longo da conversa, fica clara a importância de novas representações e histórias para que crianças e jovens LGBTQIA+ consigam se reconhecer em situações pelas quais todo adolescente passa. 

Coraci Ruiz indicou o filme Alice Junior, de Gil Baroni, protagonizado por uma adolescente trans que faz vídeos para o YouTube e sofre com a mudança de Recife para uma cidade menor, onde enfrenta preconceitos para dar seu primeiro beijo. O filme está disponível nas plataformas de streaming:

Ruiz também compartilhou algumas leituras que a ajudaram a compreender melhor o que o filho estava passando: Manual contrassexual, de Paul Preciado (n-1, 2015), e Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade, de Judith Butler (Civilização Brasileira, 2013).

   

Grostein revelou que seu primeiro contato com um personagem homossexual foi no livro autobiográfico Eu, Christiane F, dos alemães Kai Hermann e Horst Rieck, que acaba se prostituindo. A primeira representação de uma relação romântica entre homens gays mais delicada com que teve contato foi no filme Brokeback Mountain, no qual, ainda assim, o casal tem um final trágico. Canções da popstar Taylor Swift também ajudaram na aceitação da sua sexualidade, escuta inspirada por Siqueira, grande fã da cantora.

Mais na Quatro Cinco Um

Em “Feminino e viril”, a historiadora Silvana Jeha trata de dois livros de memórias de João Nery, primeiro homem transexual a passar por cirurgia de redesignação de sexo no Brasil. A crítica literária Amara Moira escreveu sobre três lançamentos que problematizam comportamentos vistos como femininos e masculinos nas crianças.

O melhor da literatura LGBTI+

A escritora Natalia Timerman, autora de Copo vazio (Todavia, 2021), recomenda a leitura de Amora, uma reunião de contos da gaúcha Natalia Borges Polesso, lançado em 2015 pelo selo Não Editora.

Ganhador do Prêmio Jabuti em 2016, o livro, dividido em duas partes, traz 33 contos com personagens e narradoras lésbicas, em diferentes contextos sociais e de vida, com diferentes vivências lésbicas. A narração traz estranheza e beleza, simultaneamente.

Confira a lista completa de indicações dadas no podcast 451 MHz, no bloco O Melhor da Literatura LGBTQIA+.

O 451 MHz é uma produção da Rádio Novelo e da Associação Quatro cinco um.
Apresentação: Paulo Werneck
Coordenação Geral: Évelin Argenta e Paula Scarpin
Produção: Gabriela Varella e Clara Rellstab
Edição: Cláudia Holanda e Évelin Argenta
Produção musical: Guilherme Granado e Mario Cappi
Finalização e mixagem: João Jabace
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Coordenação digital: Juliana Jaeger e FêCris Vasconcellos
Gravado com apoio técnico da Confraria de Sons & Charutos (SP)
Para falar com a equipe: [email protected]