Repertório 451 MHz,

Duas vezes Lina

Com homenagem na Bienal de Veneza e duas novas biografias lançadas a seu respeito, Lina Bo Bardi é tema de episódio do 451 MHz

16jul2021 - 04h51

Está no ar o quadragésimo quarto episódio do 451 MHz, o podcast da revista dos livros! Duas vezes por mês, trazemos entrevistas, debates e informações sobre os livros mais legais publicados no Brasil. Neste episódio, o apresentador Paulo Werneck, editor da Quatro Cinco Um, e a colunista Bianca Tavolari, que coordena a seção As Cidades e As Coisas na revista, falam sobre Lina Bo Bardi.

 O 451 MHz tem apoio dos Ouvintes Entusiastas. Seja um você também! O 451 MHz tem ainda apoio do banco digital brasileiro C6 Bank e dos podcasts Rádio Companhia, da Companhia das Letras, e Quarta Capa, da Todavia.

Ouça o episódio aqui e agora:

Uma mulher obstinada

Figura central da arquitetura brasileira, Lina Bo Bardi (1914-1992) ganha homenagem na Bienal de Veneza deste ano, na qual recebe o Leão de Ouro Especial pela trajetória e conjunto de sua obra, e tem duas importantes biografias publicadas no Brasil: Lina Bo Bardi: o que eu queria era ter história, de Zeuler R. Lima (Companhia das Letras), e Lina: uma biografia, de Francesco Perrotta-Bosch (Todavia).

     
 

Os dois livros, a obra e o legado de Lina foram analisados pela colunista Bianca Tavolari em seu texto da edição de julho da revista: “Lina era uma mulher altamente obstinada, que levava seus projetos adiante independentemente dos meios necessários para consegui-los. Conseguiu façanhas em uma sociedade regida por valores patriarcais e laços autoritários e conservadores”.

Entre os muitos livros já publicados sobre a vida e a obra de Lina, destacamos ainda a coletânea Lina por escrito (Cosac & Naify, 2009), — com 33 artigos que escreveu para revistas como as italianas Lo Stile, Grazia, Domus e A – Cultura della Vita e periódicos brasileiros como Habitat e Diário de Notícias de Salvador —, Ordem e origem em Lina Bo Bardi, de Vera Luz (Giostri, 2014), sobre seu processo criativo e método de trabalho vanguardista, e Lina Bo Bardi: obra construída, de Olivia de Oliveira (Editora Gustavo Gili, 2018), que reúne e contextualiza seus projetos arquitetônicos realizados.

Culto recente

Além de ser homenagem na Bienal de Veneza — foi a primeira arquiteta brasileira a receber a honraria, que não costuma ser concedida post mortem —, Lina foi tema, em 2019, da exposição Habitat, no Museu de Arte de São Paulo (Masp), projetado por ela, que apresentou uma coleção de seu trabalho como arquiteta, escritora, desenhista, designer e curadora. A mostra deu origem ao livro O Masp de Lina, em comemoração ao cinquentenário do museu. Também em 2019, Lina esteve nas telas flutuantes da videoinstalação do artista Isaac Julien, expostas em um projeto de registro de seus edifícios públicos; e, em 2012, foi caracterizada como uma das “últimas humanistas” na mostra que relacionava seu trabalho com o de Gio Ponti, na Architectural Association School of Architecture, em Londres. Segundo Tavolari, o culto recente à vida e à memória de Lina Bo Bardi pretende compensar décadas de reconhecimento insuficiente.

Entre os projetos mais conhecidos de Lina Bo Bardi, além do Masp, estão a Casa de Vidro, o Museu de Arte Moderna da Bahia, o Solar do Unhão, o Pelourinho, o Teatro Oficina e o Sesc Pompeia. Além das obras de arquitetura, produziu também para teatro, cinema, artes plásticas, cenografia, desenho de mobiliário e até uma joias: um vistoso colar de ouro branco e água marinha.

Esteticamente duvidoso

Ao longo da conversa, Werneck e Tavolari analisam as visões de Lina sobre o golpe de 1964 e algumas falas polêmicas sobre feminismo e militarismo;  destacam sua relação com o dramaturgo Zé Celso Martinez, o cineasta Glauber Rocha e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha; e refletem sobre os projetos arquitetônicos contemporâneos de São Paulo, como os complexos do Cidade Matarazzo e do Parque Cidade Jardim. “Não dá nem para chamar de neoclássico”, diz Tavolari. “Para além dessa arquitetura ser estéticamente duvidosa, elas são pouco generosas com a cidade. Geralmente esses edifícios são murados, não têm fachadas ativas, não têm relação com a cidade." Ele fala ainda sobre sua obsessão, desde o começo da pandemia, pelo tema do aluguel, e de como políticas públicas podem devolver a “circulação sanguínea” às cidades.

Narradores do Brasil

Na coleção de episódios roteirizados Narradores do Brasil, o 451 MHz faz breves incursões no formato narrativo para explorar a vida e a obra de nossos grandes autores. Ouça agora mesmo os dois primeiros episódios, sobre Rubem Fonseca e Lygia Fagundes Telles.

O 451 MHz é uma produção da Rádio Novelo para a Quatro Cinco Um
Apresentação: Paulo Werneck
Coordenação Geral: Paula Scarpin e Vitor Hugo Brandalise
Produção: Gabriela Varella
Edição: Claudia Holanda
Produção musical: Guilherme Granado e Mario Cappi
Finalização e mixagem: João Jabace
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Coordenação digital: Juliana Jaeger
Gravado com apoio técnico da Confraria de Sons & Charutos (SP).
Para falar com a equipe: [email protected].br