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David Szalay vence Booker Prize 2025 com ‘Flesh’
Inédito no Brasil, romance sombrio é centrado na figura de um homem emocionalmente distante cuja vida começa a desmoronar
11nov2025 • Atualizado em: 24nov2025Britânico de origem húngara, David Szalay venceu o Booker Prize 2025 com o romance Flesh, inédito no Brasil. A cerimônia ocorreu na noite de segunda-feira, 10, em Londres. Szalay foi o eleito entre uma shortlist de seis finalistas; com a vitória, o escritor recebeu a quantia de £ 50 mil (equivalente a aproximadamente R$ 350 mil).
Escrito em uma prosa enxuta, Flesh é um romance centrado na figura de um homem emocionalmente distante e o acompanha da adolescência à velhice, mostrando como sua vida começa a desmoronar por causa de uma série de acontecimentos que não tem o poder de controlar.
Na juventude, o protagonista István vive com a mãe em um conjunto habitacional na Hungria. Tímido, ele se vê isolado dos alunos da escola e acaba fazendo amizade com uma vizinha, uma mulher bem mais velha e casada. A conexão acaba se transformando em algo que ele pouco compreende. Já adulto, passa a ser guiado pelo dinheiro e poder e convive com super-ricos de Londres. Ele próprio conquista uma fortuna inimaginável, até que tudo começa a ruir.
Outsider
Nascido em Montreal, filho de pai húngaro e mãe canadense, Szalay viveu no Líbano, no Reino Unido e na Hungria. Atualmente, mora em Viena. Flesh é seu sexto livro publicado, sendo que nenhum foi traduzido para o português do Brasil. Em 2010, ele apareceu na lista do jornal The Telegraph dos vinte melhores escritores britânicos com menos de quarenta anos. Em 2016, foi finalista do Booker Prize com All That Man Is.
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“Nada em Flesh é diretamente autobiográfico”, disse o autor em entrevista ao jornal The Guardian, em fevereiro deste ano. “Mas começou com a minha experiência subjacente de estar entre dois lugares e não me sentir cem por cento em casa em nenhum deles. Não me sinto realmente um nativo de Londres, mas também não me sinto totalmente húngaro.”
“Mesmo durante as décadas em que vivi em Londres, por causa do meu nome, eu sempre tinha uma sensação de ser… ‘outsider’ talvez seja uma palavra forte demais; eu era mais um estrangeiro na Hungria, sem dúvida, mas um tipo de ‘insider-outsider’, porque venho de uma origem húngara, mas não falo húngaro muito bem. Esse tipo de zona cinzenta me interessa.”
Presidente do júri da premiação, Roddy Doyle, que venceu o Booker Prize em 1993, definiu a obra de Szalay como “um livro sombrio, mas prazeroso de ler”. “O livro fala sobre a estranheza de estar vivo e, enquanto o lemos, sentimos alegria por estarmos vivos e lendo, experimentando este romance extraordinário e singular”, disse.
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