Listão da Semana,

Patricia Hill Collins, Caio Fernando Abreu e mais 10 lançamentos

Patricia Hill Collins, professora e teórica do feminismo negro, reúne em livro de ensaio a ascensão do hip-hop e os rumos do ativismo negro nos EUA

08dez2023 - 06h15 | Edição #76

Patricia Hill Collins, um dos nomes mais importantes do feminismo negro, esteve este ano no Brasil, n’A Feira do Livro, e volta esta semana às livrarias do país com um ensaio sobre a ascensão do hip-hop e os rumos do ativismo negro nos Estados Unidos. 

Também chegam às prateleiras o segundo romance da escritora e socióloga Ana Cristina Braga Martes; um ensaio sobre a precarização do trabalho e a retomada dos fascismos, da italiana Clara Mattei; uma nova edição do livro que deu o primeiro Jabuti a Caio Fernando Abreu, em 1983; um romance experimental da egípcia Nawal El-Saadawi sobre a opressão de mulheres e crianças muçulmanas.
 
Ainda na seleção da semana, uma análise sobre a simbologia da cruz em várias civilizações, da historiadora Dalva de Abrantes; contos de fadas japoneses compilados por Yei Theodora Ozaki; as fotos de metrópoles utópicas de Lucas Lenci; um romance sobre as últimas horas de vida de quatro poetas, de Juan Tallón; e mais novidades quentinhas. 

Viva o livro brasileiro!

Do black power ao hip-hop: racismo, nacionalismo e feminismo. Patricia Hill Collins.
Trad. Rainer Patriota • Perspectiva • 368 pp • R$ 89,90

A professora emérita da Universidade de Maryland e primeira mulher negra a presidir a Associação Americana de Sociologia mostra neste ensaio que os movimentos pelos Direitos Civis e o Black Power abriram caminho para o ingresso de negros em universidades e o surgimento de uma classe média negra nos Estados Unidos. Mas, enquanto muitos acreditavam que o racismo era coisa do passado, o hip-hop dos jovens negros mostrava que não era bem assim, pois um novo racismo, baseado em políticas de guetificação urbana e encarceramento em massa, havia surgido. A partir desta análise, Collins tenta delinear os rumos que o ativismo negro tomaria ou deveria tomar.

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Sobre o que não falamos. Ana Cristina Braga Martes.
Editora 34 • 200 pp • R$ 62

Autora do romance A origem da água (Confraria do Vento, 2020), a socióloga mineira se debruça agora sobre a história de uma criança que nunca conheceu os pais. Criada pelos avós numa vila de trabalhadores durante a ditadura militar, ela tenta desvendar o mistério sobre sua própria identidade e o destino de seus pais, numa trama que se entrelaça com a história política do país.

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A ordem do capital: como economistas inventaram a austeridade e abriram caminho para o fascismo. Clara Mattei.
Trad. Heci Regina Candiani • Boitempo • 488 pp • R$ 97

A economista italiana argumenta que, para que o capitalismo possa funcionar, a grande maioria da população precisa estar precarizada e dependente do mercado. Essa é a função das políticas de austeridade: elas retiram recursos da maioria dos assalariados para concentrar a riqueza nas mãos de uma minoria que vive de renda. Com isso, enfraquecem politicamente os movimentos trabalhistas e abrem caminho para a ascensão dos fascismos.

Leia também: Historiador português autor de Salazar e os fascismos comenta a ascensão da extrema direita e as novas roupagens do autoritarismo

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Triângulo das águas. Caio Fernando Abreu.
Companhia das Letras • 224 pp • R$ 79,90

Nova edição do livro lançado em 1983, ao final da ditadura militar, e que deu ao autor o seu primeiro prêmio Jabuti. Com um posfácio inédito de Manoela Sawitzki, o volume reúne três histórias curtas permeadas por elementos esotéricos. No primeiro deles, “Dodecaedro”, doze amigos (como doze signos do Zodíaco) abrigados numa casa estão aterrorizados por cachorros loucos que, durante a madrugada, cercam o imóvel. No segundo, “O marinheiro”, um homem que deseja se isolar pinta os vidros da janela para que ninguém saiba o que se passa dentro de sua casa, e para que ele também não saiba o que acontece no mundo exterior. O terceiro, “Pela noite”, narra a história de dois amigos de infância que não se viam há muito tempo, e que se reencontram numa noite fria e chuvosa em São Paulo.

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A queda do Imã. Nawal El-Saadawi.
Trad. Safa Jubran • Tabla • 200 pp • R$ 68

Romance experimental publicado em 1987 pela psiquiatra e escritora egípcia que retrata a opressão sofrida por mulheres e crianças muçulmanas em nome de valores religiosos. Num país não identificado, uma menina, Bint-Allah (“filha de Deus”), é perseguida por agentes do Imã enquanto procura por sua mãe, que é acusada de blasfêmia pelas autoridades religiosas e condenada à morte. 

Leia também: Inspirado em uma história real, romance juvenil conta os desafios da equipe feminina de ciclismo que desafiou proibições muçulmanas na capital do Afeganistão

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Universo simbólico da cruz. Dalva de Abrantes.
WMF Martins Fontes • 802 pp • R$ 325

Historiadora especialista em barroco mineiro analisa a simbologia do formato da cruz, que, embora usualmente associada às religiões cristãs, pertenceu a muitas civilizações, mas sempre no domínio do sagrado. Ela estuda a migração desses símbolos arcaicos ao longo do tempo e sua sobrevivência no mundo moderno.

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Contos de fadas japoneses. Yei Theodora Ozaki.
Trad. Raphaela Ikeuchi • Novo Século • 224 pp • R$ 49,90

Publicado em 1908 pela escritora anglo-japonesa (1870-1932), esta compilação de contos fabulosos se destinava a transmitir as tradições culturais japonesas às crianças ocidentais. Contém histórias sobre reis, princesas, guerreiros, camponeses, animais, pássaros, o céu e o mar.

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Utopia. Lucas Lenci. 
Vento Leste • 120 pp • R$ 220

Com texto de Tuca Vieira, o fotógrafo paulistano justapõe imagens reais para criar cidades hiper-realistas a partir de fotos de São Paulo, Nova York, Rio de Janeiro, Paris, Curitiba, Dubai, Foz do Iguaçu, Lisboa, serras do Mar e da Mantiqueira, Tóquio, Atacama, Jericoacoara. 

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Fim do poema. Juan Tallón.
Trad. Rubia Goldoni e Sergio Molina • Poente • 136 pp • R$ 44,90

A partir de uma extensa pesquisa sobre a vida e a obra de quatro poetas – Alejandra Pizarnik, Anne Sexton, Gabriel Ferrater e Cesare Pavese –, Tallón esboça neste romance uma descrição das últimas horas de vida de cada um deles: que roupas estavam vestindo, o que ouviam, em que cidade estavam, que remédios ou bebidas tinham tomado, o que estavam pensando antes de pôr fim à própria vida.

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Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Poder Cultural: mecanismos de consolidação do poder na arte e no entretenimento no século 21. Franthiesco Ballerini.
Summus • 208 pp • R$ 81,80

Autor de Poder suave (2017) e História do cinema mundial (2020), o crítico de arte examina o poder exercido por artistas e produtores culturais a partir de exemplos de artistas consagrados nos campos da música, do cinema, das séries e das artes visuais no Brasil e no mundo (as cantoras Anitta e Dua Lipa, as atrizes Thalía e Adriana Esteves, as cineastas Safi Faye e Helena Solberg, os atores Shah Rukh Khan e Brad Pitt).

Eu me lembro. Selton Mello.
Jambô • 344 pp • R$ 79,90

Autobiografia do premiadíssimo ator e diretor brasileiro, na qual responde a perguntas sobre sua vida feitas por Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele, Paulo José, Lázaro Ramos, Fábio Assunção, Patrícia Pillar, Rodrigo Santoro, Alice Wegmann, Wagner Moura, Zezé Motta, Letícia Sabatella, Johnny Massaro, Pedro Paulo Rangel, Guel Arraes, Jackson Antunes, Marjorie Estiano, Pedro Bial, Nathália Timberg, Camila Pitanga, Zuenir Ventura, Fernanda Torres, Débora Falabella, Dira Paes, Simone Spoladore, Jefferson Tenório, Letícia Colin, Rolando Boldrin, Aracy Balabanian.

Ideias econômicas, decisões políticas: técnicos e políticos no governo da economia. Lourdes Sola.
Edusp • 464 pp • R$ 88

Publicado em 1998, este influente estudo sobre o processo de tomada de decisões governamentais no período 1945-64 analisa as ideologias dos economistas (desenvolvimentistas, ortodoxos) que buscavam influenciar as políticas macroeconômicas adotadas pelos burocratas do aparelho estatal (Programa de Estabilização Monetária, Plano de Metas, Plano Trienal, PAEG). 

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Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, , editora da Quatro Cinco Um, está lançando Tantra e a arte de cortar cebolas (34)

Mauricio Puls

É autor de Arquitetura e filosofia (Annablume) e O significado da pintura abstrata (Perspectiva), e editor-assistente da Quatro Cinco Um.

Matéria publicada na edição impressa #76 em novembro de 2023.