A FEIRA DO LIVRO 2026,
Literatura latino-americana é destaque do primeiro fim de semana d’A Feira do Livro
A apresentação ao vivo de podcasts também atraiu grande público durante a programação principal do festival literário paulistano
01jun2026A literatura, em especial a latino-americana, embalou o primeiro fim de semana d’A Feira do Livro 2026. Entre os destaques internacionais, estavam nomes como a colombiana Pilar Quintana, o italiano Sandro Veronesi, o chileno Andrés Montero, o colombiano Mario Mendoza, a catalã Mar García Puig, a russa de origem azerbaijana Egana Djabbárova e o nigeriano Chukwuebuka Ibeh.
A autora colombiana Pilar Quintana encerrou a noite do primeiro final de semana d’A Feira do Livro sob uma lua cheia e mediação do escritor Joca Reiners Terron. À vontade e já acostumada com a calorosa recepção dos leitores e leitoras do país (é a terceira vez que visita o Brasil), Quintana detalhou o processo de escrita do romance A noite negra, recém-lançado pela Companhia das Letras (trad. Elisa Menezes). Ao final da conversa, a escritora recebeu os fãs brasileiros em uma longa fila de autógrafos.
Na mesa Latinidades em conversa, Andres Montero, Mario Mendoza e o brasileiro Cristhiano Aguiar mostraram por que a América Latina tem sido um terreno fértil para as narrativas de horror. Mediado pela jornalista Paula Carvalho, o encontro no Auditório do Museu do Futebol, no domingo (31), trouxe à tona os traumas coletivos do continente e ressaltou a força do sobrenatural para expressar o não dito.
O italiano Sandro Veronesi, autor dos romances O colibri e Caos calmo, ambos publicados pela Autêntica Contemporânea em tradução de Karina Jannini, atraiu grande público no sábado (30) e ficou mais de uma hora dando autógrafos na tenda da Livraria da Travessa, a livraria oficial do festival. Na mesa, em conversa mediada pelo jornalista Ruan de Sousa Gabriel, o autor falou de sofrimento humano e sua aceitação, do heroísmo do homem comum e do mercado editorial.
Mais Lidas
O público também lotou o Auditório do Museu do Futebol na tarde deste domingo para ouvir o nigeriano Chukwuebuka Ibeh e o brasileiro Stefano Volp na mesa A perda da inocência para discutirem a escrita como instrumento para lidar com a descoberta da sexualidade e a violência da homofobia. Ibeh, que vem de um país onde o casamento homossexual é crime, questionou o discurso de que a homossexualidade não é parte da cultura africana. Enquanto Volp revelou que, enquanto uma pessoa queer, precisava se esconder o tempo inteiro.
Já os poetas Egana Djabbárova, russa de família azerbaijana, autora do romance As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita (Ars et Vita) e Alberto Martins, autor de Boris e Marina: poemas (Companhia das Letras), exaltaram a poesia da vida na mesa Mãos destinadas à escrita, no Auditório do Museu do Futebol, durante o fim de tarde de sábado (30). O uso da violência como instrumento de poder, especialmente contra mulheres, foi denunciado por Djabbárova.
A catalã Mar García Puig, autora de A história dos vertebrados (trad. be rgb), se juntou à brasileira Marcella Franco, autora do recém-lançado Solo, ambos publicados pela Bazar do Tempo, na mesa Maternidades em perspectiva. As autoras conversaram a respeito do processo criativo das obras e refletiram sobre o futuro da maternidade, da paternidade e da criação de filhos.
Literatura nacional
A literatura nacional também brilhou no Palco da Praça, que recebeu grandes autores brasileiros. Na tarde de domingo, as escritoras Natalia Timerman e Camila Appel conversaram com Beatriz Muylaert, editora executiva da Quatro Cinco Um, sobre o processo de escrita de seus livros, Antes que apague (Companhia das Letras), recém-lançado por Timerman, e Enquanto você está aqui (Fósforo), de Appel — e sobre todas as implicações de falar de uma mãe com Alzheimer e da proximidade da morte.
O poeta Ricardo Domeneck conversou no Auditório do Museu do Futebol com o crítico literário Schneider Carpeggiani sobre sua obra poética. O autor dos recém-lançados A cidadania das bonecas de pano (Ars et Vita) e Memorando: Maximin (Ercolano) relembrou os primeiros contatos com a poesia e falou sobre a influência da religião em sua obra homoerótica.
O auditório também recebeu a escritora Noemi Jaffe e o poeta Eucanaã Ferraz, com mediação de Tarso de Melo, na mesa Escrita e memória. A conversa girou em torno da atração criada pelas palavras na vida dos dois autores, de lembranças de infância e de como a família influenciou os livros mais recentes de ambos.
Podcasts na praça
A apresentação ao vivo de podcasts também agitou o sábado e o domingo e atraiu um grande público durante a programação principal do festival literário paulistano. O público lotou o Palco da Praça na noite de sábado para ver ao vivo o podcast Foro de Teresina, apresentado por Ana Clara Costa, Fernando de Barros e Silva e Celso Rocha de Barros. O trio analisou os efeitos políticos, para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, da classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como grupos terroristas pelos Estados Unidos.
Outro podcast gravado ao vivo foi o Clube do Livro Eldorado, apresentado por Roberta Martinelli, que contou com a participação da escritora Giovana Madalosso, autora de livros como Tudo pode ser roubado, Suíte Tóquio e Batida só, todos lançados pela editora Todavia. Madalosso celebrou o recente boom literário feminino e afirmou que as mulheres devem superar a desconfiança sobre o valor de sua escrita. O bate-papo entre as duas marcou a primeira edição do Clube do Livro Eldorado, que, após o fechamento da rádio paulistana, passa a adotar o formato de podcast.
Na programação, ainda estão previstas outras apresentações ao vivo, como o 451 MHz, o Calma Urgente! e a Rádio Companhia.
Política e história
Questões políticas e históricas também foram debatidas ao longo do fim de semana. No fim da tarde deste domingo, o escritor e teólogo Frei Betto acusou a direita brasileira de descontextualizar a Bíblia para legitimar as próprias teses, deixando de lado a dimensão social dos ensinamentos de Jesus Cristo, em uma conversa com a jornalista Thais Reis Oliveira no Palco da Praça. Ele ainda destacou a importância de não esquecer as atrocidades cometidas pela ditadura. Preso e torturado no período, a repressão da época é tema de seu romance mais recente, O voo da locomotiva (Rocco).
A política foi tema da faixa Folha na Praça, nos sábado, na qual os jornalistas da Folha de S.Paulo Eduardo Scolese e Gabriela Biló realizaram um balanço sobre as dificuldades enfrentadas pela imprensa durante o governo de Jair Bolsonaro. Na conversa mediada pela jornalista Flavia Lima, ex-ombudsman do jornal, eles defenderam a importância da atuação jornalística durante a pandemia e discutiram como esse período os preparou para a cobertura de momentos em que a própria democracia está em disputa.
No Espaço Motiva Tablado Literário no sábado, houve uma conversa sobre democratização da cultura e importância da literatura e de outras artes na formação pessoal. A mesa Democratizar é fazer chegar reuniu Aninha de Fátima Sousa, da Fundação Itaú, Paulo Werneck, diretor-geral d’A Feira, e Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake e ex-secretário estadual de Cultura, com mediação de Renata Ruggiero, do Instituto Motiva. “Cultura não é um luxo; é algo que devia ser fundamental para todos, como saúde e educação”, disse a diretora da Fundação Itaú.
A história ganhou os palcos deste domingo com duas falas do português Rui Tavares. Ele defendeu a necessidade de criar novos termos para designar figuras monstruosas como Donald Trump e Elon Musk e discutiu o passado e o presente das guerras culturais — tema de seu novo livro, Hipocritões e olhigarcas (Tinta-da-China Brasil, 2026) — em conversa com Marcos Augusto Gonçalves, editor do caderno Ilustríssima, da Folha de S.Paulo.
Já no Tablado Literário Bubu, Tavares defendeu que as guerras culturais sempre fizeram parte da história, mas ganharam nova intensidade na era digital. Nessa conversa, ele analisou como identidade, emoção e desejo moldam a política contemporânea, comentou exemplos históricos e atuais de polarização, discutiu liberdade de expressão, religião e democracia, e argumentou que os campos progressistas precisam voltar a oferecer “objetos de desejo político”, isto é, projetos concretos e mobilizadores. Para Tavares, o grande desafio do presente é compreender mudanças cada vez mais rápidas sem sucumbir ao medo ou ao pânico coletivo.
Outras pautas
Na mesa Grandes reportagens, que aconteceu neste domingo no Tablado Literário Mário de Andrade, as jornalistas Betina Anton, vencedora do Jabuti por Baviera Tropical (Todavia), e Simone Duarte, autora de O vento mudou de direção: o Onze de Setembro que o mundo não viu (Fósforo), conversaram sobre os desafios que perpassam as investigações jornalísticas. Andrade, por exemplo, precisou fazer uma escolha ao lidar com um entrevistado que contou outras versões de um mesmo fato para outras fontes. Já Duarte se deparou com a barreira da língua ao conversar com jovens doutrinados pelo Talibã no Afeganistão.
A questão palestina e a crise migratória imigração foram tema da conversa entre os escritores Leonardo Tarifeño e Ana Gebrim e a ativista Isadora Szklo. Eles falaram sobre o ensaio e a crônica jornalística como formas de narrar experiências de violência em contextos de guerra e crises humanitárias. Ana Gebrim, que também é psicóloga, leu trechos de Ver e não ver a Palestina: ensaio em fragmentação (Kipuka, 2026), que coescreveu com Marie-Caroline Saglio-Yatzimirsky, e destacou o desafio de escrever sobre uma história que ainda está em curso. O jornalista argentino Leonardo Tarifeño contou algumas histórias de Não volte: um jornalista entre deportados mexicanos em Tijuana, volume 1 (Kipuka, 2026) e falou sobre os pontos de contato com o livro de Gebrim.
A mesa Entre o silêncio e o encontro, do Espaço Motiva Tablado Literário, tratou de temas ligados ao comportamento humano. A jornalista Petria Chaves e o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral falaram sobre os impactos da pandemia nas relações humanas, a apreciação do silêncio e a importância de discutir espaços de convivência espalhados pela cidade. Amaral criticou a cultura do individualismo, muito difundida por coachs, que defendem narrativas de superação sem a ajuda de outras pessoas.
Futebol e arte
Como A Feira acontece em frente ao Pacaembu, um dos estádios de futebol mais tradicionais da cidade de São Paulo, o futebol não poderia ficar de fora da programação. Tanto que na manhã deste domingo (31), a poeta Luiza Romão atraiu o público ao falar do seu amor pelo futebol e fazer análises sociais acerca da masculinidade que ronda os espaços de torcidas organizadas.
Na mesa Os afetos do futebol, que aconteceu no Tablado Literário Bubu, Romão ainda contou como foi escrever seu primeiro livro infantojuvenil, Ontem vi meu pai chorar (Quelônio, 2026), que surgiu do desejo de explorar uma faceta diferente da sua personalidade.
O Espaço Rebentos estava em clima de Copa neste domingo. Os pequenos (e grandes) leitores aproveitaram a tarde ensolarada para assistir uma conversa entre os escritores Leo Cunha e Tino Freitas e a ilustradora Priwi sobre o lançamento de É dia de futebol (Brinque-Book, 2026).

Inspirado na filha de Tino Freitas — portadora da Atrofia Muscular Espinhal (AME), doença degenerativa muscular —, É dia de futebol conta a história da primeira vez que Clarice, uma menina de cadeira de rodas, entra em um estádio. Durante a conversa, assuntos como a luta pelo reconhecimento feminino no futebol e pela acessibilidade foram pauta. “O futebol é um lugar onde todos nós podemos torcer”, disse Tino Freitas.
Já um pedacinho da arquibancada do estádio do Pacaembu recebeu os expositores d’A Feira do Livro no domingo. Marcada às 15h, a reunião foi organizada para registrar em foto e vídeo a presença dos livreiros que dão vida aos estandes ao longo dos nove dias de evento.
“Você, do boné vermelho, sobe e fica atrás daquele de boné azul” foram algumas das instruções de Tereza Novaes, diretora audiovisual, para os participantes da foto. Depois de alguns ajustes — e da chegada dos atrasados —, começaram os cliques com os editores e livreiros hasteando as principais obras representantes de seus estandes.
A fotografia também brilhou na mesa Outros Navios: encontro com Eustáquio Neves, que marcou o lançamento do livro Outros Navios: Eustáquio Neves (org. Eder Chiodetto, Edições Sesc), que reúne parte da sua produção fotográfica. O artista repassou histórias sobre a infância em Minas Gerais, revelou ao público apenas uma pouco das minúcias de seu processo de revelação e invenção e expôs a preferência pela vocação musical deixada de lado.
Música e cultura popular
A música abriu os dois dias do primeiro fim de semana d’A Feira do Livro 2026. Sábado começou com uma apresentação musical do Quinteto de Sopros do Instituto Baccarelli, tocando Ary Barroso, Luiz Gonzaga e trilhas sonoras de filmes. O conjunto de câmara do instituto atraiu mães e pais que aproveitaram a manhã para levar os filhos ao festival literário paulistano.
Já no domingo (31), o primeiro evento do dia também abriu com uma apresentação musical. O Espaço Rebentos recebeu o grupo Planeta Oca, liderado por Carú Ricardo, que levou ao palco composições como “Bioma”, “A capivara” e “Água é tudo”, que ensinam os pequenos como conservar o planeta e o funcionamento do meio ambiente.
A música também foi a tônica num encontro recheado de boas histórias. A escritora e tradutora norte-americana Tracy Mann compartilhou episódios do seu convívio com artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Dominguinhos, nos anos 70. As memórias da autora estão no livro O mundo todo é Bahia: memórias do Brasil (Laranja Original). Na conversa da mesa Enquanto corria a barca, mediada pelo escritor João Paulo Cuenca, Mann se emocionou ao lembrar que, quando eram crianças, os dois filhos de Gil que morreram, Pedro e Preta, brincavam com ela.
Na mesa Encantarias brasileiras, que abriu os debates do evento, o historiador, músico e babalaô Luiz Antonio Simas e o romancista Alberto Mussa protagonizaram um encontro inspirador, que teve muita cantoria e especulações acerca de passados e futuros ancestrais. Mediada pela jornalista Fernanda Mena, da Folha de S.Paulo, a mesa reuniu os autores cariocas em uma conversa acalorada, que proporcionou uma conexão direta entre Rio de Janeiro e São Paulo a partir das tecnologias e saberes da rua, do samba e das encruzilhadas.

A cultura afro-brasileira foi tema da mesa Estudos africanos a partir do Brasil e estudos brasileiros a partir das Áfricas, que inaugurou a programação do Tablado Mário de Andrade. No encontro, o professor, escritor e compositor Tiganá Santana e a coordenadora do núcleo de acervo do Instituto Çaré Angela Fileno falaram sobre o legado do antropólogo Pierre Verger para os estudos afro-brasileiros e as críticas pós-coloniais que são feitas ao trabalho do francês. A conversa teve como mote o lançamento de Iorubahia (Letra da Cidade), uma coletânea de textos raros escritos por Verger entre os anos 1960 e 80.
Viagens e matemática
Inspiradas pelo livro Mulheres viajantes (Tinta-da-China Brasil, 2025), de Sónia Serrano, a escritora e jornalista Gaía Passarelli e a jornalista e historiadora Paula Carvalho discutiram como a tradição da literatura de viagem apagou ou minimizou as experiências femininas ao longo da história. Com exemplos que vão de viajantes medievais a autoras contemporâneas, ambas refletiram sobre os desafios específicos enfrentados por mulheres que viajam sozinhas, questões de segurança, mobilidade e representação, além da importância de recuperar e preservar relatos de viajantes que ficaram à margem dos registros oficiais.
Marcelo Viana, diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e autor de Histórias da matemática (2024) e A descoberta dos números (2025), ambos publicados pela Tinta-da-China Brasil, atraiu o público d’A Feira para a mesa Inteligência artificial e o futuro da matemática. Em conversa com a cientista da computação e pesquisadora Nina da Hora na tarde de domingo, o matemático debateu como as IAs têm proporcionado avanços em seu campo de atuação — como a resolução de um problema matemático que já perdurava por oitenta anos. Viana também explorou como as novas tecnologias poderão afetar, para bem ou para mal, o cotidiano humano, e qual o lugar ocupado pelo ensino da matemática nesse contexto — o de exercício da cidadania.
Ecologia
Descolonizar o paladar foi um dos motes da mesa Floresta na boca, que reuniu a chef paulistana Bel Coelho, a antropóloga amazonense Inara Nascimento e a pesquisadora fluminense Rute Costa. Na conversa mediada pela jornalista Isabelle Moreira Lima, não faltaram menções a ingredientes e pratos da rica biodiversidade brasileira — e ficou o recado de que comer é um ato político.
O espaço socioambiental foi abordado pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, autor de Paisagismo sustentável para o Brasil (Olhares), que discutiu caminhos e soluções para o enfrentamento da crise climática em grandes cidades. Na mesa Cidades verdes de terceira geração no Brasil, parte da programação paralela do evento, Cardim falou sobre a importância da educação ambiental, defendeu o uso de espécies nativas em projetos de restauração ecológica e explorou como as árvores viraram vilãs para os paulistanos.
Já o Espaço Rebentos, voltado ao público infantojuvenil d’A Feira do Livro, foi inaugurado na manhã de sábado (30) com a oficina As chuvas na Mata Atlântica, conduzida pela artista plástica e ilustradora paulistana Claudia Marchetti. No festival, ela lança Ojuara: a chuva na Mata Atlântica (Seloceleste), segundo volume da trilogia que acompanha uma menina caiçara e fala da importância da preservação dos territórios e saberes ancestrais dos respectivos povos tradicionais.
HQs
A Japan House São Paulo realizou uma edição especial do seu tradicional encontro do Ciclo de Mangá, desta vez presencialmente, no Tablado Literário Bubu. O evento faz parte da iniciativa da instituição de discutir a sociedade japonesa com base nos mangás e teve como tema de maio Bakuman (JBC), escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata. O encontro foi mediado por Vinicius Garcia, um dos educadores do centro cultural.
O quadrinho também brilhou na oficina Autobiografia em quadrinhos, que levou as crianças do Espaço Rebentos a soltar a criatividade e a imaginação na produção de uma tirinha. A atividade, conduzida pelo professor Lucas Lima e pela antropóloga e documentarista Maria Clara Guiral, apresentou técnicas da roteirista Iana Cossoy Paro para estimular a criação dos pequenos.
Para os pequenos
A literatura infantil agitou o Espaço Rebentos ao longo do fim de semana: contação de histórias, lançamentos de títulos infantojuvenis, conversas sobre a ciência dos povos originários, oficinas e mais. As autoras Mariana Queiroz da Silva e Belisa Monteiro, do Coletivo Cuíca, falaram na manhã de domingo (31), com mediação de Juliana Bueno, sobre as mestras das manifestações tradicionais no Brasil, consideradas guardiãs de saberes ancestrais e da cultura negra.
Juntas, publicaram pela Mocho Edições os livros Rainha Kambinda, sobre a multiartista Raquel Trindade, e Sementes de Joana, sobre a mestra Joana do Maracatu, voltados ao público infantojuvenil. “Ao contar essas histórias, temos muito cuidado para que não sejam apropriações. Queremos ser ponte, para que elas cheguem a crianças de diferentes lugares do Brasil”, disse Belisa. Elas explicaram que a figura da mestra assume o poder de reverenciar o feminino, que sempre esteve nos bastidores da cultura popular.
O fim de semana também foi marcado por várias oficinas, como de xilogravuras inspiradas no legado de Antônio Bispo dos Santos, criação de carimbos, colagens, zines e de uma autobiografia em quadrinhos, além de ensinar crianças e adultos a montar o seu próprio livro.
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
•
30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.