A FEIRA DO LIVRO 2026,
‘Boom’ literário feminino traz frescor e fúria à literatura, diz Giovana Madalosso
Autora de Batida só afirma que livros escritos por mulheres exploram, cada vez mais, temas que antes não apareciam na ficção
31maio2026 • Atualizado em: 07jun2026Menopausa, divisão desigual de tarefas domésticas e cuidados com a família, prazer feminino, invisibilidade social, feminicídios e a perspectiva das mulheres sobre o mundo. O aumento na publicação de livros de autoria feminina nos últimos anos trouxe, para o primeiro plano da literatura, assuntos que raramente apareciam antes, disse a escritora Giovana Madalosso neste domingo (31), n’A Feira do Livro.
Em conversa com a jornalista e apresentadora Roberta Martinelli, Madalosso celebrou o recente boom literário feminino e afirmou que as mulheres devem superar a desconfiança sobre o valor de sua escrita. O bate-papo entre as duas marcou a primeira edição do Clube do Livro Eldorado, que, após o fechamento da rádio paulistana, passa a adotar o formato de podcast.
“As mulheres chegaram com frescor narrativo e fúria”, apontou Madalosso sobre a geração de autoras que vem ocupando espaços no mercado editorial. “A literatura feita por mulheres traz o que não aparecia antes — e isso é extremamente libertador.”
Logo que subiu no Palco da Praça, Madalosso foi celebrada por ter sido uma das organizadoras do movimento Um Grande Dia em São Paulo, que reuniu mais de quatrocentas autoras para uma foto histórica na arquibancada do Estádio do Pacaembu (hoje Mercado Livre Arena Pacaembu) durante a primeira edição d’A Feira do Livro, em 2022.
“Foi um dos dias mais bonitos da minha vida”, afirmou a autora curitibana, que lembrou da grande repercussão da fotografia — uma inspiração para que mulheres que escrevem reproduzam o ato em cidades do Brasil e do exterior. “O melhor de tudo foi ver mulheres se reconhecendo como escritoras”, disse, ressaltando as dificuldades que muitas delas enfrentam para conciliar a escrita com tarefas domésticas e cuidados com os filhos, por exemplo.
Madalosso recordou sua própria trajetória: confessou que, por muitos anos, não considerava os textos que escrevia bons o bastante. Por isso, contou, jogou fora muitos escritos antes de publicar seu primeiro livro, a coletânea de contos A teta racional (Grua, 2016). A grande virada, segundo ela, foi a maternidade. “Quando minha filha nasceu, nasceu minha voz narrativa. A literatura ficou do tamanho que é: uma coadjuvante muito importante, mas não maior que a vida.”
Angústias
A maternidade também a levou a escrever Suíte Tóquio (Todavia, 2020), que tem uma babá entre as personagens principais. Madalosso disse que o romance nasceu de “angústias maternas” que sentia ao notar a ausência dessas babás nos livros, embora as visse em grande quantidade, com suas roupas brancas, no bairro paulistano de Higienópolis. “Achei que tinha lugar para isso na literatura e comecei a ouvir as histórias dessas mulheres”, contou.
Mais Lidas
Já seu romance mais recente, Batida só (Todavia, 2025), acompanha uma jornalista que descobre sofrer de uma arritmia grave e que, incerta sobre o tratamento, revê suas convicções sobre fé, vida e morte. A escritora disse ter partido de outras angústias pessoais: um grave problema de saúde da filha e a menopausa — embora enfrentada por todas as mulheres, com pouca expressão na literatura. Só nos últimos anos essa questão ganhou mais projeção em obras de não ficção e romances, como De quatro (trad. Bruna Beber, Amarcord, 2024), da americana Miranda July, citado por Madalosso na conversa com Martinelli.
Segundo a curitibana, durou dois anos a maturação de uma história que envolvesse o corpo e refletisse o que a filha viveu. No percurso, a tentativa inicial de protegê-la, evitando confrontos e a manifestação de sentimentos (como o medo da morte), foi substituída pelo mote de Batida só: “Quando a gente tira as emoções da vida, a gente tira a vida da vida”, resumiu a autora.
A experiência angustiante com a filha, disse Madalosso, ainda a levou a buscar esperança em um lugar que ela, que sempre se considerou ateia, julgava inexistente: a fé, que acabaria explorando no romance. “Eu precisava de fé para passar pelo que estava vivendo”, afirmou sobre a doença da filha, hoje curada. “Entendi que eu tinha fé nas pessoas e fé no futuro”. Para a escritora, isso também é um ato político. “Fé é uma coisa que muitas pessoas que estão no poder não querem que a gente tenha.”
A Feira do Livro 2026
A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de cem autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de duzentas atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro
Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h
A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.
Nota da Associação: essa mesa foi realizada com o apoio de Todavia e teve interpretação de libras da EducaLibras.
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30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita
A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.
A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.