Quatro Cinco Um,

Juliana Borges e Ondjaki estreiam como colunistas

Em abril, a Quatro Cinco Um dá boas-vindas à escritora paulistana e ao poeta angolano ao time de colunistas mensais

24mar2023 - 04h51 | Edição #68

A partir de abril, a revista dos livros passa a ter Juliana Borges e Ondjaki no time de colunistas, que já conta com Paulo Roberto Pires, Djaimilia Pereira de Almeida e Bianca Tavolari. Eles estreiam falando sobre racismo, feminismo negro, política de livros e memórias de infância, colaborando com o papel da Quatro Cinco Um de ser uma revista feita por grandes leitores para grandes leitores, voltada a difundir o livro, as ciências, a literatura e os direitos humanos na sociedade brasileira.

        
Os novos colunistas da Quatro Cinco Um Juliana Borges e Ondjaki

A perspectiva amefricana de Juliana Borges

Feminista negra antiproibicionista e antipunitivista, Borges é escritora e pesquisadora em antropologia, política criminal e relações raciais. Publicou Encarceramento em massa: feminismos plurais (Pólen Livros, 2019) e Prisões: espelhos de nós (Todavia, 2020), nos quais traça os pontos de contato entre o sistema de Justiça criminal punitivo e o feminismo negro.

Prisões foi resenhado por Felipe de Freitas Silva na Quatro Cinco Um: “O ponto central do trabalho de Borges desvela o caráter estruturalmente violento e autoritário da sociedade brasileira e mostra a prisão como meio de executar essa vocação autoritária que tem na desumanização do Outro seu significado social mais relevante”.

Borges atuou como secretária adjunta na Secretaria de Políticas para as Mulheres durante a gestão Haddad na prefeitura de São Paulo e foi uma das fundadoras, no ano passado, da livraria HG Publicações, que promove títulos antirracistas, anticapitalistas, feministas, indígenas, LGBTQIAP+ e independentes.

Na coluna Perspectiva Amefricana, a escritora falará sobre pensamento feminista negro e políticas de promoção do livro e da leitura. Em seu primeiro texto, ela abordará a necessidade de, ainda em 2023, termos de falar sobre racismo e outras obviedades.

Os deslembramentos de Ondjaki

Nascido em Luanda, capital de Angola, Ondjaki é autor de livros de poesia, contos, literatura infantojuvenil e romances que falam sobre memória, sociopolítica e a cultura de seu país. Em 2010, ganhou o prêmio Jabuti na categoria Juvenil com AvóDezanove e o segredo do soviético (Seguinte) e, em 2013, o prêmio José Saramago com Os transparentes (Companhia das Letras).

Ele ainda atua nas áreas de interpretação teatral, pintura e cinema, tendo realizado, com Kiluanje Liberdade, o documentário Oxalá cresçam pitangas: histórias de Luanda (2007). Confira:

Em 2021, em entrevista à Quatro Cinco Um, o autor falou sobre a vida entre Angola, Portugal e Brasil e comentou as suas referências: “As infâncias, as avós, os cheiros das trepadeiras, a minúscula deslocação das lesmas, o harpar das águas-vivas, as canas de pesca do meu avô, os ritmos do mar em Luanda, o choque das nuvens, o choque das chuvas, a voz dos temporais por acontecer”.

Fã de Manoel de Barros, ele resenhou o livro Exercícios de ser criança na revista dos livros e, no ano passado, ele e o pai, o escritor Júlio de Almeida, tiveram lançamentos simultâneos no Brasil e entrevistaram um ao outro.

Na coluna Deslembramentos, o poeta angolano trará crônicas de memórias, afetos, visitações e saudades. Em seu primeiro texto, ele abordará as tardes passadas na casa de seus tios na baía de Luanda e a juventude em uma casa cheia de livros.

Pratas da casa

Ondjaki e Juliana Borges se juntam a Bianca Tavolari, Djaimilia Pereira de Almeida e Paulo Roberto Pires. Professora do Insper e pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Tavolari fala sobre sobre planejamento urbano, arquitetura e a vida nas metrópoles em A Cidade e As Coisas. Conterrânea de Ondjaki, Pereira de Almeida faz crônicas e ensaios sobre lembranças e reflexões cotidianas, além de resenhas sobre livros de arte e fotografia, em Tema Livre. Jornalista e editor da revista Serrote, Pires analisa com doses de bom-humor, duas vezes por mês, temas de cultura pop, literatura, política e sociedade em Crítica Cultural.

De outubro de 2019 a junho de 2022, o músico e escritor angolano Kalaf Epalanga assinou a coluna Um benguelense em Berlim, em que abordou música, língua e identidade africanas.

Matéria publicada na edição impressa #68 em março de 2023.