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László Krasznahorkai, da Hungria, vence o Nobel de Literatura
Autor conhecido por seu universo distópico e apocalíptico tem apenas um livro publicado no Brasil, o romance Sátántangó
09out2025O escritor e roteirista húngaro László Krasznahorkai, de 71 anos, venceu nesta quinta-feira (9) o Nobel de Literatura “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte”, segundo o comitê da premiação concedida pela Academia Sueca.
“László Krasznahorkai é um grande escritor épico na tradição da Europa Central, que se estende de Kafka a Thomas Bernhard e se caracteriza pelo absurdo e um descomedimento grotesco”, resumiu o presidente do comitê do Nobel, Anders Olsson.
Krasznahorkai era um dos favoritos a ganhar o Nobel deste ano nas bolsas de apostas. Na casa inglesa Ladbrokes, por exemplo, ele ocupava a primeira posição ao lado da chinesa Can Xue. Em terceiro lugar, aparecia o célebre romancista japonês Haruki Murakami.
Vencedor de diversos prêmios — incluindo o Man Booker International Prize de 2015 pelo conjunto da obra, composta por romances, contos e roteiros para cinema, que se passam em universos distópicos e apocalípticos —, o autor tem um único livro publicado no Brasil. O romance Sátántangó, que saiu em 2022 pela Companhia das Letras em tradução de Paulo Schiller, narra a chegada de um homem misterioso a uma aldeia onde a chuva não para. A figura atrai a atenção dos moradores do povoado, que atribuem ao homem poderes extraordinários.
Publicado na Hungria em 1985, a narrativa foi a estreia de Krasznahorkai no romance. Desde então, o escritor lançou outros títulos do gênero, como Az ellenállás melankóliája (A melancolia da resistência, 1989), Az urgai fogoly (O prisioneiro de Urga,1992), Háború és háború (Guerra e guerra, 1999), Rombolás és bánat az Ég alatt (Destruição e tristeza abaixo dos Céus, 2004) — todos sem tradução no Brasil.
O autor também é conhecido por sua colaboração com o cineasta húngaro Béla Tarr, que dirigiu diversos filmes escritos por Krasznahorkai, entre eles a adaptação de Sátántangó (1994) e O cavalo de Turim (2011). Caracterizado por longas tomadas, o filme retrata a vida do dono de um cavalo e sua filha, e foi inspirado no episódio conhecido como “o cavalo de Nietzsche”, quando o filósofo, ao se deparar com um homem espancando um cavalo em Turim, na Itália, em 1889, teria sido acometido pelo colapso mental do qual nunca se curou.
Trajetória
Krasznahorkai nasceu em 1954 em Gyula, na Hungria. Classificado como autor “pós-moderno” desde sua estreia com Sátántangó, se notabilizou pela escrita melancólica e intensa comparada por críticos literários a Gogol, Melville e Kafka.
Ao deixar a Hungria comunista — então chamada de República Popular da Hungria — em 1987, viveu em Berlim por um ano. Nos anos 90, passou uma temporada viajando pela Europa para escrever Háború és háború (Guerra e guerra, inédito no Brasil). Depois, em Nova York se hospedou por algum tempo no apartamento do escritor beat Allen Ginsberg (1926-97), a quem creditou grande importância na escrita do romance.
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“Ele me ajudou a encontrar uma técnica, uma maneira de construir um fundo neutro para ‘Guerra e guerra’, especificamente uma Nova York muito neutra”, disse numa entrevista à revista digital americana Guernica.
Alguns dos grandes escritores que declararam admiração por Krasznahorkai são Susan Sontag (1933-2004), que o chamou de “mestre contemporâneo do apocalipse”, e W. G. Sebald (1944-2001), que o elogiou por sua visão universal. László Krasznahorkai é o vencedor da 118ª edição do Prêmio Nobel de Literatura. Ano passado, a ganhadora foi a sul-coreana Han Kang; em 2023, quem venceu a premiação foi o norueguês Jon Fosse; e, em 2022, a francesa Annie Ernaux.
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