Literatura,

Poéticas do sexo: escritas e falas de puta

Os livros lançados por prostitutas brasileiras desmistificam a profissão e seus clichês

01jul2018 - 04h51 | Edição #13 jul.2018

Elas ainda não foram convidadas para a Flip… Mas, há quase trinta anos, putas brasileiras resolveram abrir o verbo. Registraram suas experiências e trouxeram imagens da profissão opostas ao imaginário criado por milhares de personagens fictícios e reais que, há séculos, pululam na literatura, nas artes plásticas e nas páginas policiais dos jornais. Eis os livros que algumas delas escreveram.

Gabriela — Pioneira

Num encontro de mulheres periféricas, em 1982, Gabriela Leite se apresentou: “O meu nome é Gabriela, sou prostituta da Vila Mimosa. Aí foi um rebu. A prostituta falou. Parece incrível, mas o tabu perdurava mesmo ali, entre mulheres conscientes: prostituta não fala. Falei”.

Gabriela entrou em 1970 na faculdade de filosofia da USP, mas não conseguia acompanhar “as pedantes citações em francês e alemão”. Logo se transferiu para o curso de sociologia, onde seguiu “as aulas optativas com Antonio Candido, que me apresentou a um cara fascinante: Machado de Assis”. Com dificuldades financeiras e familiares, porém, Gabriela abandonou a faculdade e virou puta na zona de São Paulo, na conhecida Boca do Lixo.

Gabriela não parou. Viajou pelo Brasil todo, fundou o coletivo Davida e a marca de roupas Daspu

Na década de 1980, depois de uma rápida passagem pelos hoteizinhos da rua Guaicurus, em Belo Horizonte, ela se instalou na Vila Mimosa, zona de prostituição do Rio. Durante um encontro da Pastoral da Mulher Marginalizada, tramou com Lourdes Barreto, do Pará, a fundação de um movimento de prostitutas. 

Dito e feito: em 1987, no Rio, houve o 1º Encontro Nacional de Prostitutas. Dali em diante, Gabriela não parou. Viajou pelo Brasil todo e alguns lugares do mundo. Fundou o coletivo Davida e a marca de roupas Daspu, que promove desfiles com modelos prostitutas. Fundou o jornal de prostitutas Beijo da Rua, de periodicidade intermitente, mas ainda ativo. A “Coluna da Gabi” saiu na última página sempre — até ela morrer, em 2013. 

“Eu gosto da palavra puta, é uma palavra quente, sonora. Toda puta, se não vivesse com tanto estigma na sua cabeça, usaria a palavra. Se a gente não pegar as palavras pelo chifre, a gente não muda nada.” E Gabriela pegou: narrou sua história em Eu mulher da vida (Rosa dos Ventos, 1992), que inaugurou a literatura de puta no Brasil, e Filha, mãe avó e puta: A história de uma mulher que decidiu ser prostituta (Objetiva, 2000).

Princesa — Escritora imigrante

Na mesma de década de 1990, outro livro de prostituta era gestado, mas em Roma, na cadeia de Rebbebia. Ele é fruto das conversas entre Giovanni, nascido na Sardenha, com a paraibana Fernanda Farias de Albuquerque. Elas batiam papo através da grade que separava o setor das travestis do campo de futebol.

Giovanni contava as suas histórias de pastor de ovelhas, e Fernanda falava do Brasil, sobretudo de prostituição, e de sua transição de gênero. Ele receitou-lhe um remédio: “Escreva para não se despedaçar, para resistir à ação devastadora da prisão, para não se esquecer de ter nascido livre”.

Quem conta é Maurizio Jannelli, ex-integrante do grupo terrorista italiano Brigadas Vermelhas. Ele se envolveu com Giovanni e Fernanda para escrever a quatro — ou a seis? — mãos o livro Princesa, depoimentos de um travesti brasileiro a um líder das Brigadas Vermelhas (Editora Nova Fronteira, 1995), lançado na Itália um ano antes. O livro resultou do tráfego de papeizinhos e cadernos entre as celas dos três e é considerado uma das primeiras publicações da chamada literatura de imigrante, produzida na Europa a partir daqueles anos. 

O livro tem a originalidade de ter sido escrito no que Jannelli chamou de “variação escrita e oral que resultou da química das nossas línguas maternas. O português, o italiano e o dialeto sardo”. Jannelli fez a redação final, mas podemos conferir os manuscritos de Fernanda, num italiano aportuguesado, ou vice-versa, no site do Progetto Princesa 20. 

Em italiano, ela denuncia o clima de ódio: “Em cada rua que se passava, lia-se nos muros: limpe São Paulo matando um transexual por noite. Era um trauma ler aqueles escritos, dava um medo. Em coisa de dois meses foram mortos mais de 20 transexuais só na Grande São Paulo”. Na versão de Janelli, depois traduzida para o português, ficou assim: “Limpe São Paulo, mate um travesti por noite”. 

Além da escritura sui generis, o livro dá conta de uma trajetória comum às prostitutas trans: vindas do interior, onde raramente podem expressar a sua sexualidade, procuram meios para fazer a transição. No mais das vezes elas se prostituem, transitam por capitais, desembarcam na Europa. 

O livro virou filme, peça teatral, inspirou canções italianas. Também nomeou uma associação de defesa de pessoas trans em Gênova. É um marco importante da literatura de puta, de imigrante, trans — não só brasileira, mas mundial.

Amara  Doutora em letras

Numa aula aberta na Unicamp, a travesti, “putafeminista”, escritora e doutora em letras Amara Moira descreveu Princesa como “megapoético.” Amara fala em universidades, encontros de putas e fóruns sobre direito. A sua experiência na rua, associada à pesquisa acadêmica — as onomatopeias de James Joyce em Ulisses foram objeto da sua tese, defendida na Unicamp —, resultou em experimentos linguísticos. Amara está escrevendo uma peça em pajubá, a língua travesti das ruas. Mostrou uma cena no Festival Serrote, em São Paulo, em maio.

Em 2014, Amara contou seus planos no blog E Se Eu Fosse Puta: “Rememorar a experiência, retrabalhá-la em texto: travesti que se descobre escritora ao tentar ser puta, e puta ao bancar a escritora”. Travesti, puta e escritora nasceram juntas; texto, transição de gênero e prostituição se entrelaçaram. O blog virou livro homônimo, publicado em 2016 pela Hoo. 

Com viés político e autobiográfico, Amara se concentra na descrição dos programas e na insuficiência sexual dos homens que a procuraram no Jardim Itatinga, bairro de prostituição de Campinas. Estão no livro o motoboy que goza assim que ela lhe roça o pênis; o pai de família que enganou a patroa no domingo de páscoa; o caminhoneiro gentil. Mas a maioria é “lixo”, ou seja: homens que as desejam e as desprezam. Pagam pouco para ter suas fantasias realizadas e depois as desprezam.

Indianare

Amara juntou-se a Indianare Siqueira e Monique Prada para formar a Putíssima Trindade. Deitadas na cama, gravaram uma conversa em vídeo, veiculado pela Mídia Ninja no Dia Internacional da Prostituta de 2017. As três são colunistas da plataforma. 

Indianare é “transvestigênere” — como gosta de dizer, porque a palavra contempla todos os nomes. É prostituta há mais de vinte anos, tendo atuado na região portuária de Santos, em São Paulo e na Europa. Radicou-se no Rio e trabalha nas ruas da Lapa. É ativista dos movimentos LGBTI, de prostitutas e vegano, e se diz anticapitalista. Foi eleita suplente de vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL e mantém a Casa Nem, que acolhe pessoas trans sem moradia. 

Indianare não tem livro publicado, mas é escritora das boas. Seus textões nas redes sociais têm linguagem política, erótica, sem tabus.

Monique — Cyber-putativista

O livro Putafeminista!,  da gaúcha Monique Prada, está no prelo e será publicado pela editora Veneta no mês que vem. Há seis anos, Monique criou o site Mundo Invisível e, recentemente, o Cortesã Moderna. Entre outros temas, prostituição, política, feminismo, marxismo e eventualmente a experiência dos programas e do sexo figuram na tela. Ele traz traduções de entrevistas com feministas como a filósofa Angela Davis e a historiadora Silvia Federici, textos seus e de outras trabalhadoras sexuais brasileiras e estrangeiras.

Participou do Boteco da Diversidade, no Sesc Pompeia, no qual prostitutas debateram sua atividade 

Monique explicou na sua primeira coluna na plataforma Mídia Ninja por que ela e boa parte das associações, coletivos e sindicatos ao redor do mundo adotaram a expressão trabalho sexual: “Isso não acontece apenas para acentuar o fato de que trabalho sexual é, sim, um trabalho, mas também por que ‘prostituição’ não é exatamente um termo preciso para descrever todas as atividades exercidas pelas pessoas que atuam na indústria do sexo. Strippers, dommes profissionais, cam girls, atrizes de pornô e algumas acompanhantes são, assim como as prostitutas, trabalhadoras sexuais”.

Monique já usou fax, pager e celular para combinar programas com clientes e, claro, hoje em dia usa a internet, interface também de militância. Ela participou do Boteco da Diversidade: Prostituição, no Sesc Pompeia, no qual prostitutas encenaram e debateram sua atividade. 

Num folheto do evento, escreveu: “as prostitutas hoje têm voz, estão atentas ao bom uso das tecnologias, debatem em seu tempo livre questões sobre seu trabalho, seus direitos, suas vidas, acessam e trocam informações sobre política e feminismo. […] Reivindicam-se enfim feministas, putafeministas. […] Neste cyber-putativismo, dão as mãos umas às outras, e temos conectadas as esquinas nordestinas às esquinas portenhas, passando pelas esquinas e flats paulistanos, sem esquecer do Jardim Itatinga e da Guaicurus”.

Lourdes — Matriarca, historiadora oral

Em 2017, enquanto o Masp contava Histórias da sexualidade, no outro lado do Brasil, em São Luís do Maranhão, acontecia o 6º Encontro Nacional de Prostitutas, com associações de prostitutas e outras trabalhadoras sexuais de todo o país abrindo o verbo sobre sexo e política, além de comemorar os trinta anos do movimento. 

Lourdes Barreto — paraibana, radicada no Pará há décadas — estava lá, na mesa de abertura. Assim como esteve no 1º Encontro de Prostitutas em 1987, no Rio de Janeiro, ao lado de Gabriela Leite, ano em que fundaram a Rede Brasileira de Prostitutas. São 75 anos de vida, 56 anos na prostituição e 31 de movimento. 

Ela fala sobre essa experiência nos bares, nos cabarés, nas mesas de debate, na Assembleia Legislativa do Pará, em Brasília. A ativista, professora e “filha da puta” Leila Barreto contracena com a mãe no Movimento: “Minha mãe não pôde estudar porque o pai dela disse: ‘Tu não vai estudar porque eu não quero que uma filha minha aprenda a escrever, pra escrever pra macho…’. Quando fecharam as letras da minha mãe, abriram a boca dela”. 

Lourdes domina as falas e práticas dos inúmeros puteiros por onde passou e passa como puta e ativista: “Tem que ir pro cabaré tomar cerveja com as colegas. Bater papo de puta!”, disse em entrevista no último Beijo da Rua. Traz lembranças e expressões do sexo desde a década de 1950, quando começou a trabalhar: “gala”, “cabaré”, “rufião”; palavras do garimpo: “baixão”, “currutela”, “braçal”. Relata conversas com velhas putas polacas, viagens de caminhão por todo o Nordeste, viagens pelas florestas no interior do Pará, em direção ao recém-descoberto garimpo de Serra Pelada, onde foi uma das primeiras mulheres a entrar. Lourdes batalhou em muitas cidades; atendeu ricos, políticos, peões de obra de barragens e garimpos; atuou na fronteira com as Guianas, embarcada de navios e até em cadeias. Esteve desde o início no movimento de prevenção à Aids, nos debates sobre tráfico de pessoas e projetos de lei sobre prostituição. É mãe, avó e bisavó, matriarca. 

Lourdes é historiadora não só da prostituição e sexualidade, mas do Brasil nos últimos cinquenta anos. A oralidade e a experiência de Lourdes são sua literatura. A sua vida dá um livro. Ela já começou a escrevê-lo no corpo: tatuou o braço com a frase: “Eu sou puta”. 

Bruna 

A paulistana Bruna Surfistinha foi pioneira ao adaptar o seu popular blog sobre o dia a dia de uma garota de programa à versão impressa. A história dela é a mais conhecida. O livro Doce veneno de escorpião: O diário de uma garota de programa (Panda Books, 2005) vendeu mais de 150 mil cópias e em 2011 inspirou o filme Bruna Surfistinha, estrelado por Deborah Secco, que teve mais de dois milhões de espectadores. 

Entre tantos clientes, ela demonstra carinho especial pelos meninos de treze, catorze anos de um colégio tradicional dos Jardins: “Você não conta para os meus amigos que é minha primeira vez? ‘Não tenho por que contar?, respondia. Nunca ri de nenhum deles. Eu, rir da inexperiência?”. Na época, tinha dezessete anos. 

Marise

O Diário de Marise: A vida real de uma garota de programa (Matrix, 2006), de Vanessa de Oliveira, é resultado da adaptação de seus diários, enquanto trabalhou como garota de programa por cinco anos em Santa Catarina. 

Fazia enfermagem, precisava sustentar uma filha pequena e adotou a prostituição como profissão. Misturam-se os programas com as multitarefas da mãe solitária e a discriminação no condomínio onde morava. Vanessa é bem-humorada e nos conduz para o mundo do atendimento em motéis, hotéis e boates. 

Há passagens dignas de Baise-moi, filme pornô feminista da escritora e cineasta francesa Virginie Despentes, que também trabalhou como prostituta e é autora de Teoria King Kong (n-1, 2015). Marise e a parceira Samanta atendem dois halterofilistas truculentos e meio brochas. As duas, de quatro, ficam entediadas com a má performance dos machos, a ponto de se darem as mãos num gesto: “força amiga”. 

Quando um deles vira Samanta sem consultá-la e a machuca de verdade ela grita: “Você está pensando que eu sou uma vaca?”. O sujeito responde: “Cala a boca se não te dou umas bolachas!”. Ela responde: “Vão ver o que eu faço com vagabundo que bate em mulher, eu levo pra delegacia da mulher!”. O barulho atrai outros colegas halterofilistas que entram no quarto. Bancam o enfrentamento até saírem com o pagamento combinado e a cabeça erguida. 

As palavras sororidade e feminismo, longe de serem mencionadas se fazem presentes nas confissões de Vanessa. A autora hoje em dia é palestrante e escritora de livros de autoajuda sexual.

Paula

Paula Lee também transformou seu blog Alugo meu corpo em livro homônimo (Planeta, 2008). No ano da publicação, a Organização Internacional da Migração (IOM), ligada à ONU — estimou que cerca de 75 mil brasileiras exerciam trabalho sexual na Europa. No Rio, Paula começou sua carreira no telessexo, serviço de telemarketing mal pago como tantos outros. Com problemas financeiros, decidiu partir para a Europa. Em Portugal, ingressou na prostituição das boates para depois se tornar “amante profissional”, carreira mais autônoma e autogerida. 

Paula procura pela definição da palavra meretriz no Dicionário Dom Quixote da língua portuguesa (1999): “Mulher de má vida, prostituta”. E a contesta: “Eu poderia ter má vida, uma vida repugnante e cruel, sem ser propriamente uma prostituta”.

Monica

Monica Brasil, pseudônimo de Sonia Michelin, lançou o seu Entre as fronteiras: O manuscrito de Sonia (Artemis, 2003), sobre o período que trabalhou em São Paulo e no circuito das boates Itália-Suíça, nos anos 1990. Como as memórias de Princesa e Paula, o livro, também é literatura de imigrante. Ela explica que o seu relato mistura ficção e realidade, no entanto a personagem principal é ela e a história, baseada nos diários que escreveu. 

O equilíbrio do trabalho como prostituta e a maternidade, como no livro de Vanessa (Marise) e Gabriela, é um dos temas do livro. Paulo Coelho escreveu — no prefácio da segunda edição — que a leitura de seus manuscritos e um passeio pela rua da prostituição de Zurique com a autora foram o “início da gênese” de seu Onze segundos, best-seller mundial publicado no mesmo ano.

Dommenique

No mesmo ano do best-seller 50 tons de cinza, foi lançado Eu, Dommenique (Leya, 2012), versão bem mais crua das práticas bondage, disciplina, dominação, submissão, sadismo e masoquismo acrônimo que vêm crescendo nas últimas décadas para dar conta da ampliação das práticas sadomasoquistas. A gaúcha Dommenique Luxor, dominatrix profissional, é apresentada como “formada em História e ex-funcionária pública concursada”. 

O livro vai fundo nos desejos dos clientes que pedem cárceres domésticos, jatos de urina e praticam com ela bondage, tease and denial (prática de estimular e então negar o orgasmo). Logo no início ela apresenta a lista de objetos BDSM: coleiras posturais, arreios, eletroestimuladores, canes, strap, saltos para feminização, bodybag, gasmask, prendedores de mamilos etc. Luxor avisa ao leitor que as práticas exigem ética, educação e profissionalismo; não representa nenhum grupo ou classe; e assume apenas os termos SSC (encontro são, seguro e consensual).

Lola

A paulista Lola Benvenutti em O prazer é todo nosso (Mosarte, 2014) quer mostrar o lado gozoso da prostituição, o prazer que dá e recebe como prostituta, profissão que escolheu “por gosto”. Dedicado aos pais e a Gabriela Leite, o livro descreve programas. A frase inicial dá o tom: “Um dia recebi uma ligação de uma mulher casada que foi bem direta comigo: Lola, nunca tive um orgasmo. Pode me ajudar nisso?”. E Lola ajuda, ajuda homens a fruírem o prazer anal, gays a saírem do armário, homens que querem ser chamados de tios…

Hilda

O discurso erótico/pornográfico feminino foi confiscado pelos homens por séculos. Na antologia da poesia erótica brasileira organizada por Eliane Robert Moraes (Ateliê, 2015) nem 10% dos mais de 110 poetas são mulheres. Hilda Hilst está entre elas e mais de uma vez declarou: “Me chamavam sempre de puta… aquela mocinha puta…”.  É afinal assim que a sociedade define mulheres ousadas, como atesta a definição principal a palavra puta no Houaiss: “qualquer mulher lúbrica que se entregue à libertinagem”. 

Puta Dei

Em 2 de junho de 1975, prostitutas se amotinaram numa igreja de Lyon, França contra a violência policial e prisões arbitrárias. O movimento delas acabou se alastrando por toda Europa. Naquele ano, o filósofo e psicanalista Félix Guattari atentou para este movimento no pequeno texto “Devir Mulher”: “As prostitutas têm certamente coisas muito interessantes a nos ensinar […] é estudando toda essa micropolítica da prostituição que se poderia esclarecer, sob uma nova luz, pedaços inteiros da micropolítica conjugal e familiar — a relação de dinheiro entre o marido e a mulher, os pais e os filhos, e, mais além, o psicanalista e seu cliente”. Dois de junho tornou-se o dia internacional da prostituta. O Puta Dei é comemorado em cidades como Campinas e Belém. Na capital paraense, quem lidera o evento é Lourdes Barreto.

Quem escreveu esse texto

Silvana Jeha

É autora de História da tatuagem no Brasil, publicado pela Veneta.

Matéria publicada na edição impressa #13 jul.2018 em junho de 2018.