Prêmios literários,
Os ganhadores do Prêmio Literário Biblioteca Nacional 2026
Adélia Prado, Maria Valéria Rezende, Paulliny Tort e Raoni Mẽtyktire estão entre os premiados; confira os vencedores nas treze categorias
20out2026A Fundação Biblioteca Nacional anunciou na terça (20) os vencedores das treze categorias da edição de 2026 do Prêmio Literário Biblioteca Nacional, que recebem, cada um, o valor de R$ 30.000,00. Na categoria Romance, o premiado foi Os imortais (Fósforo), de Paulliny Tort. Nele, a autora da elogiada coletânea de contos Erva brava (Fósforo, 2021), premiada pela APCA, narra a trajetória de um clã de neandertais que adota uma criança sapiens. O romance de Tort foi escolhido por unanimidade, segundo Élvio Cotrim, um dos jurados na categoria, que teve 409 obras inscritas.
Em resenha na edição 104 da Quatro Cinco Um, Ligia Gonçalves Diniz escreve que “Tort não se furta a fantasiar, num gesto de puro gozo literário, embora claramente tenha feito pesquisa sobre o período em questão. O que há de mais belo no romance, porém, é o movimento em direção aos nossos ancestrais. Há anacronismos: muitos personagens pensam de forma semelhante a nós. Um crítico positivista talvez se melindre com essa imprecisão, chamando-a erro ou logro. Prefiro celebrar a força da ficção, essa invenção humana que permite ver o que ficou perdido, o irrecuperável”.
A escritora santista Maria Valéria Rezende venceu na categoria Conto por Recapitulações (Editora 34), em que ressuscita personagens criados por Machado de Assis, Franz Kafka e Guy de Maupassant para dar novos destinos a eles. Em entrevista a Iara Biderman, a autora declarou que “as histórias [de Recapitulações] foram escritas ao longo da minha vida. Só depois percebi que tinha vários contos em que ou esses escritores são os personagens ou eu roubo os personagens deles e contesto a história que contaram”.
Já o prêmio de Poesia foi concedido a O jardim das oliveiras, de Adélia Prado, publicado pela Record. Wander Melo Miranda resenhou a coletânea poética na edição 100 da revista dos livros, quando figurou entre Os Melhores Livros de 2025.
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Entre os vencedores de não ficção, João Guimarães Rosa: biografia (Nova Fronteira e Topbooks), de Leonencio Nossa, levou o primeiro lugar em Ensaio Literário. Em resenha para a edição de agosto da revista dos livros, Luis Campagnoli escreveu que “fácil de ler, o texto de Nossa tem o melhor do estilo jornalístico […], a vida do biografado ajuda um bocado, com inúmeras anedotas espirituosas, como o caso da prova oral para o Itamaraty, em que Rosa, perguntado sobre o que conhecia de literatura francesa, respondeu simplesmente que conhecia tudo. Como assim, tudo? Tudo”.
Em Ensaio Social, o destaque foi Irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843), de Ynaê Lopes dos Santos, publicado pela Civilização Brasileira.
Na categoria Histórias de Tradição Oral, venceu Memórias do cacique, de Raoni Mẽtyktire, publicado pela Companhia das Letras. Aparecida Vilaça escreveu que “Memórias do cacique vai muito além de fatos, já conhecidos através de sua repercussão na mídia […]. A narrativa de Raoni aborda a mitologia, a vida social, a intensa atividade ritual (‘nossos antepassados viviam em festa’), os conflitos internos e guerras, assim como diferentes momentos do contato entre seu povo e os não indígenas”.
Gavião, de Lulu Lima (Mil Caramiolas), foi o vencedor em Literatura Infantil; na juvenil, o primeiro lugar ficou com Roger Mello e Felipe Cavalcante, por U-507 (Global), que narra o ingresso do Brasil na Segunda Guerra Mundial, após o ataque contra três navios brasileiros na costa do Sergipe, em 1942. “É uma história que diz muito sobre o nosso país: apesar de ser bem documentada nos registros, pouco permanece na memória coletiva. Poucos sabem sobre o episódio, que deixou seiscentas pessoas mortas e que pode estar no passado de suas famílias, assim como faz parte da minha história familiar e da do Felipe”, disse Mello em entrevista a Jaqueline Silva.
Em Histórias em Quadrinhos, o primeiro lugar ficou com Dormindo entre cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci (Comix Zone), no qual o médico e o quadrinista relatam a experiência da profissão médica durante a pandemia de Covid-19 em um hospital de campanha em Rondônia. O quadrinho foi resenhado por Érico Assis para a revista dos livros em setembro de 2025. E, na categoria Tradução, o vencedor foi Sem despedidas (Todavia), de Han Kang, com tradução de Natália T.M. Okabayashi.
A seguir, confira os três primeiros colocados em cada categoria dos Prêmios Literários da Fundação Biblioteca Nacional de 2026.
Categoria Romance — Prêmio Machado de Assis
1º Os imortais, de Paulliny Tort. Fósforo.
2º Masuaki e/ou Não deixe os cachorros latirem sozinhos, de Lourenço Mutarelli. Companhia das Letras.
3º Piscinas russas, de Renata Belmonte. Tusquets.
Categoria Conto — Prêmio Clarice Lispector
1º Recapitulações, de Maria Valéria Rezende. Editora 34.
2º Mulheres que amam assombradas, de Sandra Liss. Litteralux.
3º A escuridão do ventre, de Clara Arreguy. Outubro Edições.
Categoria Crônica — Prêmio João do Rio
1º Lugares para chorar no Recife e outros, de DJ Dolores. Seja Breve.
2º Só bato em cachorro grande, do meu tamanho ou maior que eu, de Cidinha da Silva. Rosa dos Tempos.
3º Não sei se é bom, mas é teu, de Maria Ribeiro. Record.
Categoria Poesia — Prêmio Alphonsus de Guimaraens
1º O jardim das oliveiras, de Adélia Prado. Record.
2º Boris e Marina, de Alberto Martins. Grupo Companhia das Letras.
3º Os mortos, de Paulo Franchetti. Ateliê Editorial.
Categoria Ensaio Literário — Prêmio Mário de Andrade
1º João Guimarães Rosa: biografia, de Leonencio Nossa. Nova Fronteira.
2º Exílio como forma: Gonçalves Dias e o dilema brasileiro, de João Cezar de Castro Rocha. Autêntica.
3º Crítica insubmissa, de Beatriz Resende. Mapa Lab.
Categoria Ensaio Social — Prêmio Sérgio Buarque de Holanda
1º Irmãs do Atlântico: escravidão e espaço urbano no Rio de Janeiro e em Havana (1763-1843), de Ynaê Lopes dos Santos. Civilização Brasileira.
2º Olhares ianques: a ditadura brasileira nos arquivos norte-americanos, de Felipe Loureiro. Companhia das Letras.
3º Dicionário de direitos humanos e afins, de Nei Lopes. Civilização Brasileira.
Categoria Histórias de Tradição Oral — Prêmio Akuli
1º Memórias do cacique, de Raoni Mẽtyktire. Companhia das Letras.
2º A travessia de N’Koko, de André Girardo. Iluminuras.
3º A origem do milho kurâ — Anji-Itabienly, de Eric Timóteo Iwyrâkâ Kamikiawa. PeraBook.
Categoria Histórias em Quadrinhos — Prêmio Adolfo Aizen
1º Dormindo entre cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci. Comix Zone.
2º Segue o baile, de Magô Pool. Veneta.
3º Água até aqui: histórias de luta, sobrevivência e recomeço na maior tragédia climática do Rio Grande do Sul, de Pablito Aguiar. Arquipélago Editorial.
Categoria Literatura Infantil — Prêmio Sylvia Orthof
1º Gavião, de Lulu Lima. Mil Caramiolas.
2º Eletricista, de Augusto Massi e Daniel Kondo. Elo.
3º Velho Sertão, de Fernanda Rios e Marcelo Tolentino. Pequena Zahar.
Categoria Literatura Juvenil — Prêmio Glória Pondé
1º U-507, de Roger Mello e Felipe Cavalcante. Global.
2º Ocupado!, de Paula Fábrio. FTD.
3º A história dos nossos amores, de Severino Rodrigues. Globo.
Categoria Ilustração — Prêmio Carybé
1º O muiraquitã: uma proteção ancestral, de Mauricio Negro. PeraBook.
2º A árvore solitária, de Rodrigo Mafra. PeraBook.
3º Velho sertão, de Marcelo Tolentino. Pequena Zahar.
Categoria Projeto Gráfico — Prêmio Aloísio Magalhães
1º Verena Smit: entre a palavra e a imagem, de Paulo André Chagas, Gabriela Marques de Castro e Gustavo Marchetti. WMF Martins Fontes.
2º Arquitetura do estado de trânsito, de Gabriela Marques de Castro, Gustavo Marchetti e Paulo André Chagas. Machado.
3º Excelsior, de Luciana Facchini. Ubu.
Categoria Tradução — Prêmio Paulo Rónai
1º Sem despedidas, de Han Kang. Tradução de Natália T.M. Okabayashi. Todavia.
2º O contador, a noite e o balaio, de Patrick Chamoiseau. Tradução de Henrique Provinzano Amaral. Editora 34.
3º Eurídice e outros poemas, de Hilda Doolittle. Tradução de Camila de Moura. Círculo de Poemas.
