4ª edição da FliMUJ (Mariany Fernandes/Divulgação)

Bagagem Literária, Festival literário,

5ª edição do FliMUJ discute a importância das palavras na era das imagens 

Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo terá, de 14 a 18 de outubro, nove encontros gratuitos para discutir cultura, memória e política

08out2026

O FliMUJ (Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo) chega à quinta edição, que acontece de 14 a 18 de outubro, com a pergunta-tema “Uma palavra pode valer mais que mil imagens?”. O questionamento, uma inversão da expressão popular que defende a primazia da imagem sobre o texto, propõe um olhar a partir da tradição judaica, na qual ler, escrever e debater palavras é o que mantém viva a memória de um povo.

Ao longo de nove encontros, escritores, artistas e pensadores brasileiros e estrangeiros discutem o que a linguagem verbal é capaz de preservar, transformar e fazer circular. Entre os convidados do Brasil estão Giovana Madalosso, Marcelo D’Salete e Oscar Nakasato, enquanto de fora do país vêm a americana Sarah Hurwitz, a alemã Nora Krug, a israelense Hila Blum, a francesa Valérie Zenatti e o argentino Mariano Horenstein.

Programação

Sarah Hurwitz abre o festival na quarta (14), às 19h, em conversa com o jornalista Roberto Simon, que publicou O Brasil contra a democracia: a ditadura, o golpe no Chile e a Guerra Fria na América do Sul (Companhia das Letras, 2021). Ex-redatora dos discursos de Barack e Michelle Obama e de Hillary Clinton, ela é autora de As a Jew, best-seller do New York Times, e fala sobre sua reaproximação do judaísmo na vida adulta.

Na quinta (15), às 15h, Rachel Reichhardt, primeira e única mulher da América Latina habilitada a escrever rolos sagrados judaicos, encontra o babalorixá e antropólogo Rodney William para falar sobre o que o hebraico tem a ver com o iorubá. Em seguida, às 17h, a alemã Nora Krug, autora de Heimat (2019) e de Diários da guerra: Ucrânia e Rússia em dois relatos gráficos (2025), ambos publicados pelo selo Quadrinhos na Cia e traduzidos por André Czarnobai, conversa com o quadrinista Marcelo D’Salete, de Luanda no terreiro (Companhia das Letrinhas, 2025), sobre como lidar com passados traumáticos. Às 19h, é a vez do secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, Alexandre da Silva, e da neurocientista Sharon Sanz Simon falarem sobre a longevidade.

A sexta (16) terá o encontro de Bruna Waitman, que estreou no romance com Malca (Quelônio, 2025), com Oscar Nakasato, vencedor do Prêmio Jabuti por Nihonjin — publicado originalmente em 2011, o romance ganhou nova edição ano passado, pela Fósforo. Eles falam às 15h sobre o envelhecimento na ficção. Em seguida, às 17h, Hila Blum e Giovana Madalosso, autora de Batida só (Todavia, 2025), debatem os limites do amor de mãe.

No sábado (17), às 11h, o historiador Karl Schurster e o antropólogo Juliano Spyer discutem como são construídos os estereótipos sobre judeus e evangélicos. Depois, às 15h, Valérie Zenatti, autora de Uma garrafa no mar de Gaza (trad. Julia da Rosa Simões, Seguinte, 2012), e Bernardo Ajzenberg conversam sobre tradução. O psicanalista Mariano Horenstein, autor de O divã e a bússola (Quina, 2026), encerra o festival, às 17h, em conversa com o tradutor do livro, o escritor Julián Fuks.

Neste ano, o festival amplia a programação com a estreia do FliMUJinho, em 18 de outubro. O encontro, voltado ao público infantojuvenil, vai reunir às 11h a escritora e arquiteta Julia Rettmann e a ilustradora e designer gráfica Mariana Poppovic. Elas comandam uma atividade que vai misturar a criação de histórias e de desenhos a partir da invenção de perguntas.

Ingressos

O acesso às mesas é gratuito, mas as vagas são limitadas. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente no site do Museu Judaico de São Paulo. Se estiverem esgotados on-line, será possível tentar uma vaga na fila de espera, no local. A classificação é livre e o espaço tem acesso para pessoas com mobilidade reduzida.

5º FliMUJ

14 a 18 de outubro
Museu Judaico de São Paulo
Rua Martinho Prado, 128 – São Paulo (SP)