Flip,
‘Circulação de livros garante a democracia’, diz Paulo Werneck
O idealizador d’A Feira do Livro e o gestor cultural Afonso Borges, do projeto Sempre Um Papo, conversaram sobre a relevância de eventos literários
24jul2026Uma conversa esclarecedora sobre a importância de feiras e festivais literários — e sobre a relação desses eventos com as cidades que os sediam — reuniu o diretor da Associação Quatro Cinco Um, Paulo Werneck, e o gestor cultural Afonso Borges, do projeto Sempre Um Papo, série de encontros literários que completa quarenta anos em 2026. Os dois se reuniram na manhã de sexta (24), durante a Flip 2026, dentro da programação da Casa Fundação Itaú.
Ao relembrar a origem d’A Feira do Livro, da qual é um dos idealizadores, Werneck destacou o contexto adverso do surgimento do festival literário, em 2022, em São Paulo, após o período de isolamento durante a pandemia — época em que a cultura e o mercado editorial vinham sendo “demonizados” no Brasil, disse. Para ele, festivais literários são formas de aprofundar a experiência democrática.
“A circulação de livros é algo que garante a democracia”, disse Werneck. “Precisamos sair dessa cilada de que a democracia é algo só eleitoral”. O editor da Quatro Cinco Um lembrou que muitos dos conceitos que discutimos hoje, como a escrevivência, de Conceição Evaristo, ou o lugar de fala, de Djamila Ribeiro, surgiram com a publicação de livros.
Para Borges, que promove eventos em cidades com menos de cem mil habitantes, festivais literários conseguem mudar a realidade local. “As palavras e o olho no olho, como estamos fazendo aqui, são insubstituíveis”, disse. “Organizar festivais não se resume a planilhas. A gente faz um mini-Brasil em cada um desses festivais.”
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Na plateia, havia outros curadores de festivais literários pelo mundo, como Rui Couceiro, do português Babel, e a norte-americana Tracy Mann, do SXSW, que acontece anualmente em Houston, no Texas.
Encantamento
Questionados pela mediadora Aninha de Fátima, da Fundação Itaú, Werneck e Borges falaram sobre o papel dos eventos para as cidades que os sediam. Curador da Flip em três edições, o idealizador d’A Feira do Livro lembrou da importância de envolver as comunidades onde são realizados os festivais.
“Existe a necessidade de se produzir o encantamento nesses lugares, ativar forças culturais que já estavam ali. Um evento como a Flip dá sentido cultural ao patrimônio histórico e valoriza esse patrimônio”, disse.
Borges concordou com o colega. “Fazer um festival tem mistérios e segredos. Um deles é saber trabalhar os territórios. Precisamos atingir a comunidade. Não tem sentido fazer eventos dessa natureza sem que a comunidade seja atingida.”
Flip 2026
A 24ª Flip acontece de 22 a 26 de julho e homenageia a poeta paulista Orides Fontela. Leia mais sobre a Flip 2026.
