História,

Os loucos do papel velho

Manuscritos assinados por personalidades históricas fascinam colecionadores e enriquecem acervo de bibliotecas e arquivos públicos

01mar2020

Túnel do tempo, reunião de fantasmas, parque de diversões sui generis: são muitas as metáforas que tentam traduzir a emoção de ter em mãos uma carta do poeta predileto do século 19, de ver-se diante de uma caixa com fotografias, diários, bilhetes de uma personalidade admirada, de imaginar como determinado pedaço de papel, pergaminho ou papiro foi escrito, assinado e usado como prova em alguma circunstância em tempos remotos e logrou chegar, sabe-se lá como, até os dias de hoje.

Os manuscritos autógrafos — o dicionário ensina: “escritos pela própria mão” — talvez sejam um dos objetos mais charmosos da onda memorialista que tomou o planeta desde o fim do século passado. Singulares e frágeis, anunciam de imediato um vínculo com a própria fisicalidade de quem os criou e invocam, como símbolo, uma espécie de culto laico do conhecimento.

“O patrimônio escrito, visto com razão como vetor da transmissão cultural, é valorizado […] pelo imaginário social como garantidor e depositário da cultura”, explica em artigo o pesquisador francês Pierre-Marc de Biasi, do Institut des Textes e Manuscrits Modernes (Item), em Paris, que desde o fim dos anos 1960 se dedica à pesquisa de um tipo específico de manuscritos, aqueles deixados por autores no processo de criação de suas obras — os manuscritos literários e os de criação ou de trabalho.

“Os de criação são a aristocracia dos manuscritos. E restam poucos deles no mercado”, comenta Pedro Corrêa do Lago, o carioca dono da maior coleção privada de manuscritos do mundo hoje, segundo lhe disseram marchands e especialistas. Composta de 100 mil peças autógrafas, a ambiciosa coleção não é apenas extensa mas também enciclopédica: busca representar a cultura ocidental dos últimos cinco séculos através de manuscritos de 4 ou 5 mil pessoas que Corrêa do Lago considera relevantes em arte, literatura, música, ciência, entretenimento e história.

Na rubrica “literatura” há documentos como uma carta de amor de Kafka, um retrato assinado que T. S. Eliot dedicou a Virginia Woolf, um desenho de Lewis Carroll oferecido a uma de suas modelos infantis, um retrato autografado de Oscar Wilde vestindo sua jaqueta de veludo por baixo de um casaco de pele — todos esses reproduzidos no livro A magia do manuscrito, publicado pela Taschen. Há também dois metamanuscritos, que elegi como meus favoritos do volume — o recorte que Hans Christian Andersen realizou em 1871, dando origem a figuras fantásticas que remetem àquelas descritas em seus contos, e a impressão da mão direita de Antoine Saint-Exupéry, de 1935, para o estudo de sua personalidade através da quiromancia.

E há, claro, os manuscritos de criação. Corrêa do Lago é o feliz proprietário de um esboço do primeiro parágrafo de Em busca do tempo perdido, um rascunho intermediário de 1913, descoberto em 2005, em que Marcel Proust não incluía a primeira frase do romance (“Longtemps, je me suis couché de bonne heure” / “Durante muito tempo, costumava deitar-me cedo”) e fazia seu narrador adormecer lendo o jornal, não um livro. Também é seu o único manuscrito conhecido de “A biblioteca de Babel”, nove páginas de um caderno de registros contábeis em que Jorge Luis Borges fez correções e riscou palavras em 1940.

Do lado brasileiro, nada menos que 47 páginas de um dos últimos contos de Machado de Assis, “O escrivão Coimbra”, com marcas de revisão. “Os manuscritos de ficção de Machado de Assis são inexplicavelmente raros. Com exceção dos originais de seus dois últimos romances, Esaú e Jacó e Memorial de Aires, hoje conservados na Academia Brasileira de Letras, nenhum outro manuscrito de seus contos ou romances parece ter sobrevivido”, informa o texto do livro, o catálogo da exposição A Magia do Manuscrito realizada na Morgan Library & Museum, em Nova York, no verão de 2018. Na ocasião, 75 mil pessoas entraram em contato (visual) com 140 peças da coleção de Corrêa do Lago. Os brasileiros poderão conferir parte dessa coleção no Sesc Avenida Paulista, em São Paulo, entre junho e agosto deste ano.

Pelas reproduções presentes no livro, pode-se evocar a transitoriedade e a grandiosidade desse cosmos, navegando pelas páginas com a disponibilidade generosa de um curioso, com a ânsia de um fã caçando figurinhas ou o amor de um diletante que se aprofunda em determinada época ou área do conhecimento. Ou ainda descobrindo a passagem do documento em pergaminho (do rei Ricardo 3º, 1476), para o desenho no papel com pena e tinta (Michelangelo, 1518) para a ilustração a lápis (Walt Disney, 1934), desses para cartões-postais, fotografias assinadas (Richard Wagner, 1863; Darwin, 1868; rainha Vitória, 1894; Frida Kahlo, 1947), um convite impresso assinado por Warhol e Basquiat (1985), até chegar ao autógrafo por impressão digital de Stephen Hawking (2006). Uma breve história da modernidade em diferentes suportes, técnicas e tipos de documento, para além de cartas, bilhetes e originais de autores que costumamos associar à palavra “manuscrito”.

O charme é a fantasia

Pesquisadores das ciências humanas, eruditos, fetichistas do conhecimento: somos nós os loucos por papel velho (título honroso, que atribuo sem demérito algum) que, pelo prazer e pelo reconhecimento da importância de sua investigação, atuamos, uns como arquivistas, outros como anarquivistas — o termo é de Reinaldo Marques, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (ufmg), que propõe essa “combinação paradoxal” para se descobrirem novas interpretações dos documentos — e outros ainda, aqueles que possuem os recursos para tal, como colecionadores.

A Morgan, por exemplo, foi criada em 1924 a partir da coleção do banqueiro e financista John Pierpont Morgan (1837-1913), no prédio que ele construiu na Madison Avenue. Como outros colecionadores norte-americanos que, no início do século 20, tinham os bolsos cheios de dinheiro para trazer tesouros da Europa, J. P. Morgan pôde adquirir manuscritos como o único fragmento de Paraíso perdido, de Milton, de 1665. Um dos pontos fortes da instituição são os manuscritos literários, correspondências de autores britânicos, além do maior conjunto de Voltaire nos Estados Unidos e o maior de Mahler do mundo.

Ao contrário de Morgan, que reuniu esse tesouro quando tinha sessenta anos, Corrêa do Lago garimpa suas peças em leilões e compra com marchands e particulares há quase cinquenta anos — desde a pré-adolescência, quando morou em variados países, seguindo o pai diplomata. Em 2004, ao lançar o livro Cinco séculos a papel e tinta, com 350 reproduções, contava 30 mil peças; nos quinze anos seguintes, sua coleção ganhou mais consistência pelo fato de ter feito negócios melhores — ele é curador, historiador, editor e vendedor de livros raros. Trata-se, enfim, de seu patrimônio.

O fascínio que esses papéis provoca se sofistica à medida que se ganha intimidade com cada documento. O mais antigo da coleção de Corrêa do Lago, assinado pelo papa de então e por cardeais que se tornariam papas, leva-o ao século 12. “Imagino o pergaminho novecentos anos atrás em cima de uma mesa medieval tosca de madeira, com toda aquela gente de saias em volta, os cardeais prestes a assinar. Tenho uma sensação de participação nisso; estou vivendo a história ao colocá-la, física, real, na minha mão”.

Ele não guarda essas raridades em vitrines assépticas, mas amigos sortudos, curadores e pesquisadores são eventualmente recebidos para um tour privado — como visitas aos studioli italianos do século 14 e aos gabinetes de curiosidades que, a partir do século 15, marcavam presença na Europa com toda sorte de objetos: minerais, animais, artefatos antigos, obras de arte. O ambiente caótico não passa de fantasia minha: Corrêa do Lago guarda seus papéis em gavetas de arquivos à prova de fogo. Outra expectativa, a de uma sistemática classificação e transcrição dos manuscritos, como nos museus, também não se cumpre. Sou novata nesse universo.

O historiador e colecionador Adolphe de Lescure, que em 1865 publicou Les Autographes et le goût des autographes en France et à l’étranger [Os autógrafos e o apreço pelos autógrafos na França e no exterior], expressou uma espécie de manifesto dos colecionadores privados: “O colecionador é o mestre de sua coleção, como o paxá o é de suas mulheres, e se ele consente em mostrá-la é porque ele o quer e permite que, em seu amor-próprio de possuidor, se goze desses coquetismos inocentes de uma primeira-dama para quem é impossível ser infiel e que pode ter admiradores impunemente. Depende, portanto, do gosto, da paixão, da fantasia de cada um, classificar ou não sua coleção, organizar seu armário como ele bem entender”.

No que diz respeito a Corrêa do Lago, ele empresta peças para exposições, ajudou a organizar a da Morgan e publicou algumas reproduções, como as da correspondência amorosa completa de Fernando Pessoa e Ofélia Queiroz pela sua editora, a Capivara. Pretente também editar um livro com sua coleção proustiana.


‘O escrivão Coimbra’, conto de Machado de Assis [Divulgação]

Dos gregos aos revolucionários

As coleções de manuscritos remontam a tempos longínquos: sejam os arquivos públicos, a serviço dos governantes (na Grécia, eles datam de 460 a.C.), sejam as de caráter privado, mantidas por imperadores, reis, eruditos, homens de ciência; desde Aristóteles, dentre os gregos, passando por Adriano, Cícero e outros romanos. A partir do fim da Idade Média, são retomados tanto o hábito da escrita quanto o prazer do colecionismo. Se a invenção da imprensa por Johannes Gutenberg, em meados do século 15, foi uma revolução na difusão dos livros, ela também pode soar como uma guilhotina aos ouvidos dos loucos por papel. “Para o impressor, o manuscrito não é nada além de uma matriz, a cepa de um texto que o livro tem por função substituir em definitivo”, escreve Bernhild Boie, em artigo do livro Les Manuscrits des écrivains [Os manuscritos dos escritores], de 1993.

Passada a taquicardia, vale continuar no texto de Boie para descobrir o momento em que o manuscrito literário passou a ter algum prestígio, primeiro como presente para amigos, no século 18 — uma linda cópia passada a limpo. Rousseau era um que adorava copiar suas obras; há quatro manuscritos definitivos de Júlia ou a nova Heloisa. Até que, no século 19, se passa a olhar para o “laborioso nascimento” da obra. São conhecidas as provas revisadas de Balzac, cheias de rasuras, com que ele enlouqueceu tipógrafos e presenteou amigos, consciente de seu valor. A Biblioteca Nacional da França passa a receber doações importantes e, nos anos 1960, desenvolve uma política de compras de fundos de autores; na Alemanha criam-se arquivos importantes, assim como na Rússia, e bibliotecas públicas, privadas e de universidades norte-americanas entram na disputa no século 20.

Monsieur de Lescure já acusava a moda dos manuscritos e a dificuldade que tinha se tornado sua aquisição, dramatizando as agruras na Bolsa dos autógrafos do século 19, a salle Silvestre, no 1º arrondissement de Paris. Lescure também observa que os anos que se seguiram à Revolução Francesa de 1789 foram uma “idade do ouro” em que o mercado foi inundado por papéis apreendidos e espalhados. Os revolucionários deram especial atenção aos arquivos para construir uma nova memória individual e coletiva e assim legitimar um Estado nacional republicano.

Em 1789, foram fundados os Archives Nationales, definidas tipologias de arquivo usadas até hoje e estabelecidas duas medidas que influenciaram a arquivologia no restante do mundo: a criação de um órgão nacional de superintendência dos arquivos e o compromisso de fornecer aos cidadãos o acesso aos documentos. No Brasil, a Lei dos Arquivos, de 1991, que estabeleceu diretrizes para os arquivos nacionais, e a Lei de Acesso à Informação, de 2011, ecoam as disposições revolucionárias e a lei dos arquivos francesa, que viria somente em 1979.

Dispersos e fragmentados

Os pontos altos da história brasileira da papelada são separados por um século. Na primeira metade do 19, no regime imperial, nasceram a Biblioteca Nacional, em 1810, e em 1838 o Arquivo Nacional e o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (ihgb) — órgãos federais que respondem pela conservação de documentos oficiais, manuscritos históricos, mapas.

No Brasil republicano, a arquivologia que vinha se desenvolvendo, tendo o Rio de Janeiro como centro, sofreu um chacoalhão com a chegada de brasilianistas na década de 1960, explica em artigo a historiadora Regina Moreira, do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (cpdoc) da Fundação Getúlio Vargas. Dentre as várias consequências da atuação dos pesquisadores estrangeiros, a historiadora chama atenção ao uso de fontes então pouco exploradas, como arquivos pessoais, e o acesso facilitado que tiveram aos documentos. Foi com a pressão da comunidade acadêmica e da sociedade que o Estado brasileiro percebeu a necessidade de preservar a memória documental do país.

São fundados a partir de então centros de documentação e pesquisa, onde estão guardados correspondências, documentos oficiais, fotografias e manuscritos, para além de bibliotecas privadas. Dentre eles, destacam-se o Instituto de Estudos Brasileiros (ieb), na Universidade de São Paulo, formado em 1962 por iniciativa de Sérgio Buarque de Holanda. O próprio cpdoc foi criado em 1973 para abrigar documentos da história recente do país, armazenando arquivos de homens públicos. Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o Centro de Documentação Cultural Alexandre Eulálio formou-se em 1984 com a vasta documentação de Oswald de Andrade. Outras instituições de destaque são o Acervo de Escritores Mineiros, estabelecido em 1989 na Universidade Federal de Minas Gerais (ufmg); o Acervo de Escritores Sulinos, na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (puc-rs), em 1982; e a Fundação Casa de Jorge Amado, em 1986, no centro histórico de Salvador. Observe-se que, de modo geral, tais instituições estão ligadas a universidades, diferentemente do padrão europeu, em que o Estado toma para si o papel de preservação.

Ao contrário do procedimento no exterior, a postura nacional não é de prospecção, mas de receptividade — isto é, os centros documentais são abordados pelos donos da documentação, ao invés de persegui-la. A dispersão, superada na Europa no século 20, é uma característica dos acervos brasileiros — como ilustram os arquivos de Clarice Lispector: o grosso do seu material está no destacado Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, criado em 1972 na Fundação Casa de Rui Barbosa, e sua biblioteca e alguns documentos e manuscritos estão no Instituto Moreira Salles, cujo importante acervo de literatura foi criado em 1994.

Educação patrimonial

Se não é possível visitar os centros de documentação para ter os manuscritos em mãos, pode-se penetrar no labirinto dos acervos digitalizados. A Biblioteca Nacional disponibiliza on-line inúmeros documentos da sua coleção de 1 milhão de manuscritos dos séculos 11 ao 21 (em que se destacam coleções como a do naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, com desenhos da Amazônia no fim do século 18; a da  Casa dos Contos, que fornece material para o estudo da administração colonial; e a de Lima Barreto). Na galeria de fotos do Acervo dos Escritores Mineiros (ufmg), acessei uma carta de 1978 em que Pedro Nava avisa a Murilo Rubião que iria “a Bhonte” em outubro daquele ano. No site da puc-rs, três volumes dos nove da Ensiqlopédia ou seis meses de uma enfermidade, do teatrólogo Qorpo Santo, o “Ionesco dos pampas”, que ele mesmo compôs em sua tipografia a partir de 1877.

Mais que permitir passeios espontâneos como o meu, a disponibilização dos documentos na internet é um dos mecanismos de educação patrimonial, que no entanto gera debates entre os especialistas, como sobre a seleção e descontextualização dos documentos, o que pode alimentar uma espetacularização que pouco contribui para o entendimento da história.

É consenso a relevância da preservação dos arquivos — mas, para além da conservação, o trabalho de exploração demanda a formação de profissionais habituados com o trabalho com fontes primárias, e recursos. Quando pergunto sobre materiais que merecem ser mais bem investigados na Fundação Biblioteca Nacional, uma bibliotecária me responde que “tem trabalho para gerações”. “Os arquivos estão transbordando”, completa Pedro Corrêa do Lago. “Basta desbastá-los para revolucionar o entendimento da história brasileira.”

O professor Antônio Dimas, pesquisador-sênior do ieb, tenta me acalentar ao ser bombardeado com minha ansiedade diante de um território inexplorado tão vasto. “Aos poucos cria-se a mentalidade de preservação e exploração dos arquivos e, no fim das contas, da memória nacional”, diz ele. Comenta que estão surgindo as primeiras conversas na usp sobre como captar recursos e acervos, e que em setembro do ano passado, no segundo congresso da Associação de Brasilianistas na Europa (Abre), ele comandou uma discussão sobre a intenção de se criar uma rede informativa de acervos sobre o Brasil espalhados pelo mundo. Existem por aí preciosidades como um volume imenso na Universidade do Texas de correspondências trocadas entre intelectuais brasileiros e a editora norte-americana de Alfred e Blanche Knopf; documentos guardados na Universidade da Flórida do antropólogo Ralph della Cava em torno de sua pesquisa sobre Padre Cícero e assim por diante.

Xodós

Há quem diga que o clima entre colecionadores e instituições públicas não é de concorrência, uma vez que os acervos são alimentados, também, à medida que novas coleções particulares são desfeitas e colocadas em leilão. Pode ser verdade na Europa e nos Estados Unidos; no Brasil, ao que se sabe, há poucos colecionadores de peso. Sem dar muitos detalhes da porção luso-brasileira de sua coleção, Corrêa do Lago comenta que ela corresponde a 70% de suas 100 mil peças, com documentos principalmente dos séculos 19 e 20; que ela é mais profunda que a internacional; que as cartas de artistas compõem provavelmente o maior conjunto desse tipo no mundo; e que a seção literária tem muita força.

O xodó dos colecionadores brasilianistas é Machado de Assis, ele diz. Há grande interesse por Guimarães Rosa, mas muito pouco material disponível (seu acervo é uma das estrelas do ieb), assim como por Euclides da Cunha e José de Alencar. “É raro surgir algo, aparece alguma peça a cada dez anos”, ele conta. “É muito frustrante para um colecionador impaciente.”

Ao contrário das batalhas nos leilões, as aquisições em território nacional se dão ao ritmo da aleatoriedade do mercado, sem regularidade na oferta ou na procura — a curiosidade é difusa e os colecionadores costumam ser especializados em determinados períodos ou temas. Há quem o aborde com propostas e, assim como já fez bons negócios porque os vendedores ignoravam outras línguas e não sabiam identificar o que tinham em mãos, ele encontrou recibos de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que os proprietários deixaram passar em branco por não saberem ler as abreviações em sua assinatura: Joaqm José da Sa. Xer. Corrêa do Lago diz que é possível encontrar algum material a partir de cerca de cem reais. Estou estudando a viabilidade da empreitada. Quando se começa, será possível parar?

Quem escreveu esse texto

Mariana Delfini

É jornalista e tradutora.