Tinta-da-China Brasil,

Sua ajuda pode financiar a edição de livros

Com o programa de patronos editoriais da Tinta-da-China, leitores contribuem com a publicação de edições essenciais e bem-cuidadas

22ago2023 - 16h48 | Edição #72

Inspirada nos bem-sucedidos programas de patronos de museus brasileiros, a Tinta-da-China Brasil, editora de livros da Associação Quatro Cinco Um, inaugurou no início de 2023 o seu programa de patronos editoriais, pioneiro no mercado editorial do país, voltado para o financiamento de obras essenciais para o debate cultural, literário e social. Três edições já receberam contribuições de pessoas físicas por meio de cotas.

Fundada no Rio de Janeiro em 2012 pela editora Bárbara Bulhosa, que em 2005 criou Tinta-da-china lisboeta, a Tinta-da-China Brasil publica bem-cuidadas edições de ensaio, poesia e ficção de autores clássicos e contemporâneos, com um catálogo reconhecido pelo rigor e pela excelência. Em 2022, depois das sucessivas crises do mercado editorial e a pandemia de Covid-19, a editora brasileira foi transferida em doação para a Associação Quatro Cinco Um. Sob nova administração em modelo sem fins lucrativos, e em sintonia e parceria com os fundadores em Portugal, a Tinta-da-China Brasil recolocou em circulação o catálogo de cerca de cinquenta títulos e voltou a publicar algumas das edições da irmã portuguesa, suprindo importantes lacunas bibliográficas, e também projetos editoriais desenvolvidos no Brasil.

O objetivo do programa de patronos editoriais, segundo o diretor da Tinta-da-China Brasil, Paulo Werneck, é impulsionar a produção da editora, ampliar o alcance das publicações e viabilizar edições especiais. Cada obra oferece quatro cotas de financiamento, e cada uma representa uma etapa da produção do livro. Com o apoio de quatro cotas, a editora se compromete a doar uma parte significativa da tiragem do título para bibliotecas comunitárias e escolares.


 

Um dos primeiros frutos do programa de patronos foi a reedição do Livro do desassossego, de Fernando Pessoa — título mais pedido da editora que voltou a circular depois de alguns meses indisponível. A reedição foi viabilizada por meio de uma doação privada e, nas primeiras semanas de distribuição, mais de 10% da tiragem foi vendida.

A edição de Jerónimo Pizarro é referência pelo rigor na organização dos textos, que foram estabelecidos na ordem cronológica em que foram escritos e na ortografia utilizada por Pessoa. Esta também é a única edição brasileira do livro em capa dura e tem design de Vera Tavares, autora de quase todas as capas e projetos gráficos da Tinta-da-China.

Parte da tiragem será destinada a compor a Caixa do Desassossego, um mergulho fascinante na materialidade da obra do poeta português. Além do Livro do Desassossego, a caixa é composta por 150 fragmentos de recortes, manuscritos e datiloscritos em fac-símile e o volume Ler Pessoa, misto de ensaio erudito e guia de leitura em que Pizarro percorre algumas das principais facetas do autor.   


 

A edição da Caixa do desassossego é um dos projetos editoriais apoiados pelo programa de patronos editorias e já tem uma cota de apoio garantida. A graphic novel Gênero Queer, de Maia Kobabee o ensaio Agora, agora e mais agora, de Rui Tavares (no prelo), também se beneficiaram de contribuições de patronos.

Os programas de patronos são empregados para estabelecer uma rede de sustentação e participação ativa da sociedade no desenvolvimento dos museus e outras instituições culturais. A iniciativa torna possível a manutenção das atividades e de suas coleções, assim como possibilita ações de formação e de democratização do acesso.


Ilustração de Maia Kobabe para Gênero Queer, edição apoiada pelo programa de patronos da Tinta-da-China Brasil

Matéria publicada na edição impressa #72 em julho de 2023.