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Laurent Mauvignier vence o Goncourt, principal premiação literária da França
Autor francês foi premiado por La maison vide, em que ficcionaliza a história de várias gerações de sua família a fim de compreender suas origens
04nov2025 • Atualizado em: 05nov2025As mais de setecentas páginas em que o escritor francês Laurent Mauvignier cruza gerações passadas para reconstruir a história da sua família na zona rural francesa já haviam sido ganhadoras do prêmio literário do jornal Le Monde, do Prix Landerneau e do Nancy Olson Bookseller Award. Agora, foi a vez do Prêmio Goncourt, o mais importante da França, laurear La maison vide, o romance monumental de Mauvignier. O anúncio foi feito nesta terça (4) em cerimônia da Academia Goncourt, em Paris.
Em La maison vide, Mauvignier embarca em uma busca minuciosa por seu passado quando, no ano de 1976, se depara com objetos instigantes em uma casa reaberta por seu pai, em Touraine, antiga província da França. Um piano, uma cômoda, uma medalha da Legião de Honra e fotografias recortadas são o suficiente para que o escritor volte ao final do século 19 para reconstruir a história de suas gerações anteriores.
Duas figuras emblemáticas da obra são a bisavó e a avó do autor, Marie-Ernestine e Marguerite, cujas imagens aparecem nos retratos encontrados. Ao remexer no passado dessas mulheres, o autor conta também a história de como ambas sobreviveram à violência de seus maridos em meio a duas guerras mundiais.
Temáticas familiares são recorrentes na literatura de Mauvignier: além dessa extensa e complexa saga, ele escreveu Loin d’eux, seu romance de estreia, no qual constrói um retrato íntimo de uma família marcada por um desaparecimento, a partir de uma série de monólogos interiores. O escritor é autor de dez romances no total, entre eles, Apprendre à finir, Dans la foule, Des hommes, Continuer e Histoires de la nuit — nenhum lançado no Brasil.
La maison vide era um dos favoritos a levar o Goncourt em 2025, disputando a liderança com La Nuit au cœur, de Nathacha Appanah, que faz uma dura crítica ao feminicídio conjugal ao contar a história de vítimas de violência doméstica masculina. A escritora mauriciana não levou a principal premiação literária da língua francesa, mas seu livro, previsto para sair no Brasil no próximo ano pela Bazar do Tempo, foi laureado com o prêmio Femina na segunda (3).
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Em 2025, Appanah chegou às livrarias brasileiras com outro romance: Trópico da violência, resenhado por Letícia González na edição de novembro da Quatro Cinco Um. O livro, que conta uma história sobre imigração, racismo e abandono em uma favela das Ilhas Maurício, saiu pela editora Paris de Histórias, em tradução de Lorena Figueiredo.
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