Listão da Semana,

O submundo de Tóquio

Novo romance de Mieko Kawakami combina investigação policial e drama familiar para retratar a pobreza na capital japonesa dos anos 1990

01set2026

A cantora e escritora japonesa Mieko Kawakami, autora de Peitos e ovos, volta a temas caros à sua literatura, como pobreza, desamparo e maternidade, em As irmãs de amarelo, que chega esta semana às livrarias.

Também na seleção de lançamentos: Antigonick, peça de Anne Carson; Bruges-a-Morta, de Georges Rodenbach; o Antigo Testamento revisitado por Roberto Calasso em O livro de todos os livros; uma coletânea de contos de Sigrid Nunez; Ilusões bárbaras, poemas de Moisés Alves; Ser um bom ancestral hoje, por Daniel Munduruku; um livro de arte e poesia de Mariana Tassinari; e mais novidades quentinhas.

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


As irmãs de amarelo. Mieko Kawakami.
Trad. Rita Kohl // Intrínseca // 496 pp // R$ 89,90

A autora japonesa, finalista do International Booker Prize por Peitos e ovos (2023), reinventa o romance policial a partir da perspectiva de uma garota pobre na Tóquio de 1998. Após reconhecer pelo noticiário uma mulher de seu passado, ela revisita o clã feminino em nome do qual se envolveu em situações perigosas.

“Kawakami aborda, com crueza e vitalidade, os submundos de Tóquio, especialmente a vida noturna. A história presente se passa em maio de 2020, no início da pandemia de Covid-19, mas em poucas páginas as memórias da narradora Hana levam ao meio da década de 90, quando ela, então com quinze anos, vive num cortiço com a mãe, Ai, em uma casa cuja única janela dá para uma parede de concreto”, escreve Taís Cardoso em resenha para a Quatro Cinco Um.

Leia a resenha na íntegra


Antigonick. Anne Carson.
Trad. Julia Raiz // Bazar do Tempo // 56 pp // R$ 90

Especialista em clássicos, a premiada poeta e tradutora canadense apresenta sua versão da tragédia Antígona, de Sófocles, publicada originalmente em 2012 e encenada nos palcos de Nova York dois anos mais tarde. Carson vai além da tradução e reinventa à sua maneira elementos do texto original para aproximá-lo da realidade contemporânea — como a inclusão de um novo personagem, Nick, e a criação de neologismos.

“querida Antígona:
seu nome em grego quer dizer algo como “contra o nascimento”
ou “em vez de nascer”
o que existe em vez de nascer?
não que a gente queira entender tudo
ou mesmo entender alguma coisa
queremos entender outra coisa”

Leia mais trechos

Trecho de Anne Carson “Antigonick”

Saiba mais sobre o livro

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Bruges-a-Morta. Georges Rodenbach.
Trad. Helena Coutinho // Ercolano // 176 pp // R$ 107

Considerado um clássico do simbolismo belga, o romance publicado em 1892 traz a cidade de Bruges como protagonista. A edição preserva as fotografias originalmente escolhidas pelo autor, que capturam a “Veneza do Norte” no final do século 19.

Veja imagens do livro

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O livro de todos os livros. Roberto Calasso.
Trad. Roberta Barni // Companhia das Letras // 392 pp // R$ 129,90

O intelectual italiano (1941-2021) revisita os principais episódios e personagens do Antigo Testamento, contidos na Bíblia hebraica. Ao recontar histórias de figuras como Abraão, Jacó, Saul, Davi e Salomão, o autor explora como os temas de poder, sacrifício, memória e promessa moldaram simbólica e filosoficamente a cultura ocidental.

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Se for importante, você vai se lembrar. Sigrid Nunez.
Trad. Carla Fortino // Instante // 192 pp // R$ 89,90

A primeira coletânea de contos da nova-iorquina, premiada com o National Book Award por O amigo (Instante, 2019), reúne textos escritos ao longo de três décadas. As tramas trazem personagens em situações cotidianas que se desdobram em conflitos e questões filosóficas sobre desejo, memória, envelhecimento.

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Ilusões bárbaras. Moisés Alves.
Círculo de Poemas // 160 pp // R$ 79,90

Do autor de mangue (martelo casa editorial, 2021), os versos mimetizam conversas que exibem relações intensas, percorridas por violência e silêncio: “Toda hora o que se viveu é ferido, / vem o dia após a noite e o grosso / da história vai sendo moído”.

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Ser um bom ancestral hoje. Daniel Munduruku.
Planeta // 112 pp // R$ 59,90

O educador, ativista e escritor, três vezes vencedor do Jabuti, parte da própria experiência com sua ancestralidade para pensar a vida em comunidade, a relação com o tempo e a natureza e defende a potência do presente vinculado à memória dos que vieram antes.


lá, não estaríamos agora: escritos de tempo e lugar. Mariana Tassinari.
Org. Galciani Neves // Act Arte // 184 pp // R$ 115

Em seu terceiro livro, a artista visual reflete sobre corpo e fazeres ancestrais a partir de quatro lugares conectados por poemas e imagens e organizados em quatro movimentos: a serra da Capivara, no Piauí, a réplica da caverna de Chauvet, na França, o Cromeleque dos Almendres, em Portugal, e Futaleufú, na Patagônia chilena.


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Como laranja amarga. Milena Palminteri.
Trad. Ivone Benedetti // Record // 406 pp // R$ 74,90

Vencedor do prêmio Bancarella, o romance inspirado na história real de uma mãe acusada de ter comprado o filho acompanha a trajetória de três mulheres na Sicília dos anos 40 e 60.

O mundo surpreendente das bactérias. Peter Wohlleben.
Trad. Thelma Lersch // Sextante // 240 pp // R$ 64,90

Autor de A vida secreta das árvores (Sextante, 2017), o engenheiro florestal alemão revela as mais recentes descobertas da ciência sobre as bactérias e como esses microrganismos trabalham para remediar a crise ambiental.

Enquanto não te vejo, meu Jesus. Elena Poniatowska.
Trad. Silvia Massimini Felix // Ils. Ivan Di Simoni // Pinard // 416 pp // R$ 119,90

A escritora e jornalista franco-mexicana escreveu o romance de 1969 a partir da história real de uma mulher que conheceu em Oaxaca. A protagonista lutou na Revolução Mexicana e, mais tarde, encontrou refúgio na religião.

Navegando o luto infantil. Júlia Jalbut.
Record // 308 pp // R$ 64,90

A autora de Uma casa que não pode cair (Planeta, 2023) e integrante do Núcleo de Cuidados Integrativos do Hospital Sírio-Libanês oferece um mapa sobre como apoiar crianças e adolescentes diante da morte.

Diálogos. Gilles Deleuze e Claire Parnet.
Trad. Eduardo Mauricio // N-1 Edições // 212 pp // R$ 90

Publicado originalmente em 1977, fruto da conversa entre o filósofo francês e a jornalista, sua antiga aluna, o volume faz uma introdução acessível ao pensamento de Deleuze.

Diáspora Negra. Guilherme Fonseca.
Veneta // 112 pp // R$ 69,90

O quadrinho acompanha a jornada de jovens sequestrados e escravizados na América. Inspirada na tradição iorubá, a trama evidencia as estratégias de sobrevivência, resistência e preservação da cultura negra.

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Gabriela Caputo

É jornalista e assistente editorial da Quatro Cinco Um.