Criadora da série Girls e conhecida por sua tendência ao sincericídio, Lena Dunham conta tudo e mais um pouco de sua ascensão na indústria de entretenimento, o lado B do sucesso e suas dores crônicas (e físicas) em Doente de fama, que chega esta semana às livrarias.

Também na seleção de lançamentos: a nova edição de O Deus das pequenas coisas, de Arundhati Roy; uma grande coletânea de contos de Katherine Mansfield; um fotolivro sobre cinemas de rua ao redor do mundo, de Sergio Poroger; a biografia de Carlos Lacerda, por Mário Magalhães; Os armários vazios, de Annie Ernaux; a sátira sobre as “tradwives” Bons tempos: yesteryear, de Caro Claire Burke; e mais novidades quentinhas.


Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Doente de fama. Lena Dunham.
Trad. Camila von Holdefer
// Record // 322 pp // R$ 79,90

Em seu segundo volume de memórias, a atriz, roteirista e cineasta norte-americana, criadora da série Girls e autora de Não sou uma dessas (Intrínseca, 2014), revela os bastidores da fama, os relacionamentos problemáticos, suas dores crônicas e o vício em em medicamentos que acompanharam o diagnóstico de endometriose e síndrome de Ehlers-Danlos.

“Apesar do tom sério, o traço mais autêntico de Dunham não ficou para trás: a honestidade quase ingênua, salpicada por um egocentrismo excêntrico, responsável por fazer o leitor mais dessensibilizado morrer de vergonha alheia e, ainda assim, terminar com certa ternura pela autora”, escreve Marie Declercq em resenha para a Quatro Cinco Um.

Leia a resenha na íntegra

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O Deus das pequenas coisas. Arundhati Roy.
Trad. José Rubens Siqueira // Record // 322 pp // R$ 79,90

Nova edição brasileira do livro que o Booker Prize para a escritora indiana, em 1997. A trama acompanha a saga trágica da família dos gêmeos Estha e Rahel, no sul da Índia, marcada pelo sistema de castas e constante turbulência política.

O Deus das pequenas coisas, publicado originalmente em 1997, vai muito além de um enredo centrado em um ‘amor proibido’. O romance acompanha a história de uma família em Ayemenem, uma pequena cidade no estado de Kerala, na Índia, alternando entre os anos de 1969 e 1993. No primeiro período, uma sucessão de eventos transforma drasticamente a vida de seus membros; em 1993, a narrativa reflete sobre os traumas deixados por essa tragédia”, escreve Taís Leite de Moura em resenha para a Quatro Cinco Um.

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Domingos de amêndoa: 30 contos de Katherine Mansfield. Katherine Mansfield.
Org. e trad. Talissa Ancona Lopez // Pref. Katherine Funke // Autêntica // 376 pp // R$ 87,90

Maior coletânea da modernista neozelandesa (1888-1923) publicada no Brasil, com trinta contos. Além de textos famosos, como “Êxtase”, a seleção da pesquisadora — que também traduz os textos — abrange todos os períodos da produção da autora.

Domingos de amêndoa se configura como um passeio pela paisagem mansfieldiana em português brasileiro, mostrando a ‘escritora nata’ que Virginia Woolf atestava. Enquanto antologista, ao selecionar trinta contos, Ancona Lopez abrange as cinco publicações feitas entre 1911 e 1924, sem se prender a uma ideia de temporalidade”, escreve Emanuela Siqueira em resenha para a Quatro Cinco Um.

Leia a resenha na íntegra

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Entresalas. Sergio Poroger.
Maayanot // 144 pp // R$ 198

Os bastidores dos cinemas de rua clicados pelo jornalista e fotógrafo ao longo de dez anos estão reunidos neste volume com 82 imagens feitas no Brasil, Estados Unidos, Holanda, Polônia e Argentina. O fotolivro também traz acesso a quatro minidocumentários produzidos pelo autor sobre personagens que conheceu durante o projeto.

Veja uma seleção de imagens do livro na Quatro Cinco Um.


Lacerda: coração de tempestade Vol. 1 (1914-1955). Mário Magalhães.
Companhia das Letras // 536 pp // R$ 109,90

Após mais de uma década de pesquisa, o autor de Marighella (Companhia das Letras, 2012) reconta neste primeiro volume a trajetória de Carlos Lacerda (1914-1977) da juventude como militante comunista à sua consolidação como protagonista na política brasileira — indo até a crise de 1955, quando ameaçou a posse de JK.

No episódio #210 do 451 MHz, que vai ao ar nesta sexta, 28, os jornalistas Mário Magalhães e Karla Monteiro conversaram sobre as semelhanças e diferenças entre Carlos Lacerda e Leonel Brizola, duas figuras centrais no cenário político brasileiro pré-golpe de 1964.

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Os armários vazios. Annie Ernaux.
Trad. Mariana Delfini // Fósforo // 144 pp // R$ 74,90

Publicado originalmente em 1974, o primeiro romance da francesa ganhadora do Nobel já evocava a experiência registrada no autobiográfico O Acontecimento (Fósforo, 2022): a protagonista, uma jovem que ascendeu socialmente, teme que o aborto que acaba de realizar tenha manchado a imagem que construiu de si.

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Bons tempos: yesteryear. Caro Claire Burke.
Trad. Anna Castro // Rocco // 368 pp // R$ 69,90

Uma esposa tradicional norte-americana — que conquistou milhões de seguidores mostrando a vida de “tradwife” na internet — acorda em 1855, onde é confrontada com a realidade do passado patriarcal que tanto romantizava: uma versão primitiva do marido e a dureza do trabalho rural na luta diária pela sobrevivência.


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

A lenda de uma casa senhorial. Selma Lagerlöf.
Trad. Leonardo Pinto Silva
// Posf. Isadel Machado // Zain // 128 pp // R$ 69,90
Publicado em 1899 pela autora sueca, primeira mulher a vencer o Nobel de Literatura, o romance acompanha um jovem e rico violinista que perde tudo e passa a transitar no limite entre razão e loucura, vida e morte.

Impossível: a história de amor de Maria Martins e Marcel Duchamp. Francis M. Naumann.
Trad. Richard Sanches // Edições Pinakotheke
// 178 pp // R$ 130
O pesquisador e curador norte-americano resgata a história de amor e arte do romance entre a escultora brasileira e o dadaísta francês, que viveram um romance secreto na Nova York dos anos 40.

Mapa de limite. Saulo Pereira de Mello.
Org. Carlos Augusto Calil e Patricia de Filippi // Pref. Otávio de Faria // Cosac // 200 pp // R$ 180

Registro do trabalho de conservação de Limite (1931), de Mario Peixoto (1908-1992), considerado um marco da vanguarda no cinema brasileiro. Inclui ensaios, críticas e materiais históricos Rocha, Brutus Pedreira e Walter Salles.

Minha clavícula e outros imensos desajustes. Marta Sanz.
Trad. Silvia Massimini Felix // DBA // 200 pp // R$ 82,90

Uma dor na clavícula resulta numa jornada médica e é transformada em uma reflexão sobre envelhecimento e privilégios. A escritora é curadora do pavilhão da Espanha, país convidado de honra da 28ª Bienal do Livro de São Paulo.

Nuvem gigante peluda. Gabriela do Amaral.
Posf. Ellen Lima Wassu // Telaranha Edições // 128 pp // R$ 62

A autora mescla poesia, textos curtos e algumas fotografias para investigar corpo, identidade e ancestralidade a partir de uma marca de nascença – a mancha “preta, peluda e gigante”.

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Gabriela Caputo

É jornalista e assistente editorial da Quatro Cinco Um.