Listão da Semana,
A dívida impagável do ‘Filho’
O deslocamento de classe do jornalista e escritor Thallys Braga no duro e comovente Filho chega esta semana às livrarias
16set2026O deslocamento de classe do jornalista e escritor Thallys Braga no duro e comovente Filho chega esta semana às livrarias. Na linhagem de Didier Eribon e Édouard Louis, o carioca estreia na literatura com a narrativa da origem geográfica, social e simbólica do “viado pobre de Inhoaíba” e de sua trajetória entrelaçada à da mãe.
Também na seleção de lançamentos: Meu nome verdadeiro é Elisabeth, de Adèle Yon; um ensaio de Malcom Ferdinand sobre a contaminação das Antilhas por agrotóxicos; Ainda não, romance de Natália Zuccala; Mulheres e extrema direita no Brasil, de Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira; a trajetória de Raimundo Jinkings, por Isa Jinkings; Tea Rooms: mulheres trabalhadoras, de Luisa Carnés; a história do primeiro transformista a estrelar um filme brasileiro, por Sancler Ebert; Como Clarice Lispector pode mudar sua vida, por Simone Paulino; e mais novidades quentinhas.
Veja os lançamentos de semanas anteriores.

Filho. Thallys Braga.
Companhia das Letras // 232 pp // R$ 69,90
O repórter da Piauí revisita a infância no subúrbio carioca e sua trajetória de ascensão social pelos estudos. Entre pobreza, homofobia e o preço de partir, as memórias são marcadas pela relação complexa do autor com a mãe.
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“Thallys Braga não seria o escritor que é sem Didier Eribon. É inútil, no entanto, buscar menção ao filósofo e sociólogo francês nas devastadoras páginas de Filho. Mas está lá, na capa do livro, um comentário de Édouard Louis, que por sua vez não teria se tornado quem é sem Eribon. É assim, na perspectiva da transmissão intelectual, distinta de lacração ou vassalagem, que Braga estreia com um ensaio pessoal duro e, de muitas formas, comovente”, escreve o colunista Paulo Roberto Pires na Quatro Cinco Um.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 25% de desconto para compras no site da Companhia das Letras. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Meu nome verdadeiro é Elisabeth. Adèle Yon.
Trad. Julia da Rosa Simões // Todavia // 352 pp // R$ 104,90
A autora investiga a verdadeira história da bisavó, Betsy, diagnosticada com esquizofrenia e lobotomizada nos anos 50, em um estudo sobre a psiquiatria e a representação da loucura feminina. Fenômeno editorial na França, a trama surgiu como tese de doutorado da escritora, pesquisadora e chef de cozinha parisiense.
“Yon optou por exibir todas as faces da pesquisa a que se dedicou por três anos, confessando dúvidas e descrenças pessoais, relacionando argumentos e demonstrando seu estado de espírito, que vai do pasmo à revolta. Desse modo, ela divide com o leitor o processo investigativo por meio de uma narrativa que não deixa de ter feição cinematográfica: as ações se sucedem de forma quase visual. A sequência é clara, engenhosa, e corresponde a um thriller de boa linhagem”, escreve Elvia Bezerra em resenha para a Quatro Cinco Um.
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Terra-mundo: para desfazer o habitar colonial. Malcom Ferdinand.
Trad. Letícia Mei // Ubu // 336 pp // R$ 99
O engenheiro ambiental e cientista político denuncia o ecocídio e defende a justiça decolonial ao investigar a contaminação das Antilhas, em especial Martinica e Guadalupe, por agrotóxicos que levaram ao envenenamento da população.
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Ainda não. Natália Zuccala.
Todavia // 256 pp // R$ 89,90
Um dia na vida de Adriano, um adolescente bolsista em um colégio de elite que deseja acabar com a própria vida permeada por relações escolares violentas e pelo racismo. A autora paulista também publicou os romances Cheia (Urutau, 2021), finalista do São Paulo de Literatura, e Estela a esta hora (Todavia, 2023).
“Falava bairro, no colégio. Mas, no bairro, o bairro tinha outro nome. Até podia usar quebrada, quando falasse com os vizinhos, mas daí eu me sinto uma imitação de merda do Mano Brown, só que aguado e desmilinguido. Boiava no próprio arsenal linguístico sem saber manejar a letalidade das suas armas. Na Escola, poderia afiar as gírias, demarcar sua experiência como quem circulava na cidade muito melhor do que os outros, não, eram os colegas que imitavam o vocabulário que Adriano conhecia de experiência. Falseadas, sem corpo, ventríloquas as gírias na boca deles, sabia. Uma imitação de merda, isso sim.”
Trecho de Natália Zuccala “Ainda não”
Saiba mais sobre o livroAssinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto para compras no site da Todavia. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Mulheres e extrema direita no Brasil. Christina Vital da Cunha e Jacqueline Moraes Teixeira.
Pref. Marilene de Paula // Elefante // 112 pp // R$ 66
As pesquisadoras analisam a trajetória de lideranças femininas ligadas à extrema direita e mostram que essas mulheres não se limitam ao papel de coadjuvantes: são figuras que transformam ideais de fé, família e feminilidade em linguagem, alinhadas a estratégias de mobilização, redes de influência e práticas de cuidado — num projeto político que traz algum protagonismo sem escapar da hierarquia de gênero.
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Meu Antônio. Isa Jinkings.
Apres. Ivana Jinkings // Pref. José Paulo Netto // Posf. Roberto Corrêa e Amarílis Tupiassú // Boitempo // 272 pp // R$ 69
A trajetória do paraense Raimundo Jinkings (1927-1995) como jornalista, líder sindical e comunista contada pela esposa, a professora Isa Jinkings, com quem teve cinco filhos e fundou a Livraria Jinkings, em 1965. Na primeira parte, a autora recupera a história de amor do casal, desde os anos 40, entremeada por episódios políticos, como a atuação no Partido Comunista Brasileiro (PCB). A segunda parte reúne textos do próprio Raimundo sobre política e militância. O volume conta ainda com textos de terceiros sobre as contribuições de Raimundo Jinkings.
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Tea Rooms: mulheres trabalhadoras. Luisa Carnés.
Trad. Mariana Sanchez // Posf. Ana Paula Cabrera // Fósforo // 176 pp // R$ 84,90
Na Madri dos anos 30, às vésperas da ditadura franquista, Matilde passa a trabalhar em um salão de chá para ajudar a família, empobrecida e faminta. Ao lado de outras balconistas, ela enfrenta jornadas precárias e um ciclo de exploração, encontrando força na solidariedade. É a primeira obra da escritora e jornalista espanhola da chamada Geração de 27 a chegar ao Brasil.
Assinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto para compras no site da Fósforo. Conheça o Clube de Benefícios 451.

Darwin: o imitador do belo sexo. Sancler Ebert.
O sexo da palavra // 128 pp // R$ 52
O pesquisador resgata a história do artista espanhol, considerado o primeiro transformista a estrelar um filme nacional, o curta Augusto Aníbal quer casar (1923), e que teve uma trajetória relevante nos palcos brasileiros, mas é desconhecido pelo público.

Como Clarice Lispector pode mudar sua vida. Simone Paulino.
Nós // 120 pp // R$ 70
Em nova edição, um relato sobre o poder da literatura de Lispector e a capacidade da escritora em conferir sentido às inquietações existenciais dos leitores, ainda que encontrem uma obra um tanto enigmática.
Vapt-vupt
+ novidades quentinhas
Beyond the clouds: a garotinha que caiu do céu – Vol. 1. Nicke.
Trad. Eliana Takara // Estação Liberdade // 212 pp // R$ 64,90
Um jovem sonhador trabalha numa oficina mecânica na Cidade Amarela, onde a poluição cobriu permanentemente o sol e as estrelas. Primeiro mangá publicado pela editora, inaugura uma série que mistura fantasia com steampunk.
Um búfalo na areia. Paloma Franca Amorim.
Apres. Viviane Nogueira // Incompleta // 100 pp // R$ 55
Em nove contos, a autora registra episódios da infância e do amadurecimento, dos conflitos internos às lembranças de uma Amazônia hoje destruída. A autora paraense já publicou, pela Alameda, Eu preferia ter perdido um olho e O oito.
História de Taipei. R.F. Kuang.
Trad. Ana Beatriz Omuro e Yonghui Qio // Intrínseca // 336 pp // R$ 79,90
Uma jovem sino-americana vai estudar chinês em Taiwan quando recebe a notícia da morte do avô — que havia motivado sua busca pela identidade. Da autora da série A guerra da papoula (Intrínseca).
Sobre a igualdade de todas as coisas: diálogos na fronteira entre a física e a filosofia. Carlo Rovelli.
Trad. Silvana Cobucci // Objetiva // 184 pp // R$ 79,90
Autor de Sete breves lições de física (2015) e A ordem do tempo (2018), o físico italiano propõe uma visão em que observador e mundo são inseparáveis. Baseado em aulas ministradas na Universidade de Princeton.
O gosto da liberdade. Alejandro Puyana.
Trad. Lígia Azevedo // Pref. Keila Vall de la Ville // Pinard // 496 pp // R$ 99,90
O romance de estreia do venezuelano radicado nos Estados Unidos acompanha um ex-guerrilheiro confrontado pelo passado décadas depois, quando antigos dilemas da luta armada se cruzam com o regime de Hugo Chávez.
Uma fera no Paraíso. Cécile Coulon.
Trad. Flávia Lago // Cosac // 224 pp // R$ 89
Primeiro romance da escritora e dramaturga francesa publicado no Brasil e vencedor do Prêmio Literário Le Monde, esse gótico rural acompanha a vida de Émilienne na propriedade onde cria sozinha os netos órfãos.
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