Listão,

Como continua gostoso o meu francês

Uma seleção de 38 lançamentos de literatura em língua francesa publicados no Brasil em 2023

12dez2023

O intercâmbio literário entre falantes do francês e do português brasileiro tem uma tradição de mais de duzentos anos, remetendo ao tempo em que um grupo de livreiros franceses se instalou no Rio de Janeiro, nas primeiras décadas do século 19, e impulsionou a primeira leva de traduções nacionais de livros escritos em francês. Nos últimos anos, as trocas se intensificaram com o aumento das traduções de autores do Brasil na França, na esteira da boa fase da literatura brasileira no exterior, enquanto o interesse pela produção de escritores de língua francesa segue em alta por aqui.

Em 2023, esse movimento editorial acolheu desde nomes da literatura contemporânea, entre eles vencedores recentes do prestigiado prêmio Goncourt, até autores clássicos que tiveram livros menos conhecidos finalmente editados em português. Com as traduções, as editoras brasileiras renovam o entusiasmo por obras que trazem perspectivas, experiências e a diversidade do mundo francófono aos leitores brasileiros.

Selecionamos 38 lançamentos do ano em ficção, não ficção, literatura infantojuvenil, poesia e quadrinhos escritos originalmente em francês. Confira a seguir.

Ficção

Pequeno país. Gaël Faye.
Trad. Marília Garcia • Carambaia • 208 pp • R$ 99,90

Romance • Romance histórico

Publicado no Brasil em 2019 pela Rádio Londres, este romance de formação reaparece agora em nova tradução, da poeta Marília Garcia — ganhadora dos prêmios Oceanos, Icatu e FNLIJ. Ambientado no Burundi em 1993 (país de origem do autor), a história é narrada por Gaby, um garoto de dez anos, filho de um casal de classe média, de pai francês e mãe ruandesa. Depois de receber notícias do massacre da etnia tútsi em Ruanda, sua mãe viaja ao país para procurar seus parentes, enfrentando muitos perigos com seu filho. 

Trecho

Mas antes disso tudo, antes da história que vou contar e de todo o resto, havia a felicidade, a vida que não precisava de explicação. A existência era tal como era, tal como tinha sido sempre e como eu queria que permanecesse. Um sono tranquilo, sereno, sem mosquitos dançando no ouvido, sem a chuva de perguntas tamborilando no telhado de zinco da minha cabeça. No tempo da felicidade, quando me perguntavam: “Tudo bem?”, eu sempre respondia: “Tudo!”. Bate-pronto. A felicidade não dá margem para a reflexão. Mais tarde, comecei a considerar essa questão. A pesar os prós e os contras. A me esquivar ou concordar ligeiramente com a cabeça. Aliás, o país inteiro havia começado a fazer isso. As pessoas respondiam apenas: “Tudo indo”. Porque a vida já não podia estar bem de verdade depois de tudo o que tinha acontecido com a gente. 

A mais recôndita memória dos homens. Mohamed Mbougar Sarr.
Trad. Diogo Cardoso • Fósforo • 400 pp • R$ 104,90
Romance • Aventura 

Ganhador do prêmio Goncourt de 2021, o quarto romance do escritor senegalês — um estudioso da obra do grande poeta Léopold Senghor — se inspira num episódio do século passado para construir uma trama labiríntica cujo tema é uma outra obra literária. Em 1968, o escritor malinense Yambo Ouologuem se tornou o primeiro negro a conquistar o prestigiado prêmio Renaudot, mas quatro anos depois seu livro foi acusado de plágio e ele acabou sendo retirado das livrarias. No romance de Sarr (que dedicou seu livro a Ouologuem), um jovem escritor senegalês, Diégane Latyr Faye, descobre em Paris um livro mítico publicado em 1938 por T. C. Elimane, O labirinto do inumano, cujo autor desapareceu silenciosamente após uma rumorosa acusação de plágio. Faye inicia então uma investigação para descobrir se o “Rimbaud negro” ainda está vivo.

Trecho

Sem me deixar tempo para refletir, ele retomou:

“Sempre critiquei quem se deixa levar pela facilidade da máxima ‘Cada povo tem o governo que merece’. Ou sua variante: ‘Cada povo escolhe seu governo à sua imagem e semelhança’. Isso sempre me soou como um desprezo simplista pelo povo e uma complacência imperdoável com certos governantes egoístas e cruéis. ‘Os crimes daqueles que lideram não são culpa daqueles que são liderados’, escreveu Victor Hugo em algum lugar, já não lembro onde. Mas começo a pensar que não estão erradas as pessoas que veem os dirigentes medíocres como reflexo do povo. Vejo nossos compatriotas e me pergunto: será que merecemos algo melhor? Também somos um cardume. De sardinhas. Que fazemos, individual e coletivamente, para merecer coisa melhor que figuras políticas imorais, mancomunadas?”

Quem matou meu pai. Édouard Louis.
Trad. Marília Scalzo • Todavia • 72 pp • R$ 49,90
Romance • Romance autobiográfico

Uma narrativa breve do autor de O fim de Eddy (2018) sobre seu retorno à feia cidade de sua infância para rever e ajudar seu pai doente, que agora mal consegue andar e respirar. Ele retrata as desigualdades sociais do país e o desprezo dos políticos pelos trabalhadores e reflete sobre sua angustiante relação com a família, marcada pela pobreza, pela vergonha e pelos conflitos. 

Trecho

Vários anos depois, quando fugi da cidade e fui morar em Paris, quando à noite nos bares conhecia homens e eles queriam saber como era minha relação com a família — é uma pergunta bizarra, mas a fazem — eu sempre respondia que detestava meu pai. Não é verdade. Sabia que amava você, mas sentia a necessidade de dizer aos outros que o detestava. Por quê?

Será que é normal ter vergonha de amar?

Mas quando você bebia demais, baixava os olhos e dizia que me amava, que não entendia por que no resto do tempo era tão violento. Chorava confessando que não sabia como interpretar essas forças que o atravessavam, que o faziam dizer coisas das quais se arrependia no minuto seguinte. Você era tão vítima da violência que exercia como daquela que sofria.

Você chorou quando as torres gêmeas desabaram.

Antes da minha mãe você amou uma mulher chamada Sylvie. Você mesmo tatuou o nome dela no braço com nanquim. Quando eu perguntava sobre ela você não queria responder. Um amigo me disse outro dia, quando eu falava de você: “Seu pai não queria falar do passado porque esse passado o lembrava de que ele poderia ter sido uma pessoa que não foi”. Talvez ele tenha razão.

Lutas e metamorfoses de uma mulher. Édouard Louis.
Trad. Marília Scalzo • Todavia • 112 pp • R$ 54,90
Romance • Romance autobiográfico

Surpreendido ao ver uma foto muito antiga de sua mãe transbordando de felicidade, o escritor se pergunta como ela se transformou na figura triste e humilhada que conheceu. Maltratada pelo marido violento, que a impedia de trabalhar fora, cuidava dos filhos e da casa. Após o acidente do marido, passou a garantir o sustento da casa dando banho em idosos. Não tinha uma boa relação com Édouard, mas culpava o casamento: “Está vendo, fico bem menos estressada e bem mais gentil quando estou sem seu pai; é ele que faz com que eu seja má.”

Entrevista

“Em Lutas e metamorfoses conto a história de uma mulher que, aos 45 anos, colocou as coisas do marido em sacos de lixo, jogou-os pela janela e nunca mais o deixou entrar em casa. Por duas décadas, esse homem disse que ela tinha de cozinhar e cuidar dos filhos, impediu-a de trabalhar, dirigir, usar maquiagem e a humilhava, chamando-a de ‘vaca gorda’, para fazer as outras pessoas rirem. Essa mulher de baixa renda, que parecia presa a esse destino, um dia conquistou sua liberdade. Para descrever a beleza desse processo, busquei inspiração na poesia, nas canções e em fotos que despertam emoções. Por isso as frases se repetem ao longo do livro, assim como os refrões das músicas que amamos se repetem.”

Édouard Louis em entrevista à Quatro Cinco Um

Dezessete anos. Colombe Schneck.
Trad. Isadora Pontes e Laura Campos • Relicário • 80 pp • R$ 52,90
Romance • Romance autobiográfico

Inspirada no livro O acontecimento, de Annie Ernaux, a autora francesa narra a experiência de ter se submetido a um aborto quando tinha apenas dezessete anos, em 1995. Nessa época o aborto já era legalizado na França e o procedimento foi realizado em boas condições sanitárias, diferentemente do que ocorreu com Ernaux. O fato marcou o fim de sua adolescência despreocupada e o início de sua vida adulta.

“Nosso útero e suas diferentes funções, ações, poder, manifestadas pela menstruação, ovulação, gravidez e menopausa é motivo de constrangimento e tabu, e tudo que envolve o assunto é meio disfarçado. […] Muito nova, tive que aprender sobre métodos contraceptivos (mas não o namorado com quem eu fazia sexo) e eu falhei, não sabia direito quando tomar a pílula e me senti decepcionada, incapaz e só queria esconder minhas deficiências, minha incapacidade de controlar meu corpo. Não sou a única que se sentiu assim.”

Colombe Schneck em entrevista à Quatro Cinco Um

Trecho

À noite, meu pai está na clínica. Ele me ajuda a me levantar. Voltamos para casa. A casa de minha mãe.

Sua filha, uma estudante do ensino médio, acaba de abortar. O que ela me diz quando chego? Nada de que eu possa me lembrar. Não me pergunta se tudo correu bem. Não é uma pergunta que se faça depois de um aborto. Não pergunta se estou triste, aliviada, cansada, se chorei. Ela não faz esse tipo de pergunta.

Como toda noite, tomo um banho e vou me deitar.

No dia seguinte, tenho febre, dor na barriga. Gemo, reclamo, não posso ir à festa organizada para comemorar o Bac, o término do ensino médio.

Aos meus amigos da minha idade, que amo e para quem conto tudo, não digo nada. Não ouso. Não escrevo “confessar”, pois não cometi um erro que deveria “confessar”. Não, não quero compartilhar meu sofrimento. Eles não entenderiam, penso que estão no mundo da inocência.

Naquele momento, não disse nada, e depois tampouco, nunca falaria para ninguém. Às vezes, quase digo a palavra, quase compartilho “o aborto” com uma amiga próxima. E logo em seguida desisto. Por que esse silêncio? Por que até mesmo as mulheres se calam?

Tenho vergonha.

Olhos azuis, cabelos pretos & A puta da costa normanda. Marguerite Duras.
Trad. Adriana Lisboa • Relicário • 172 pp • R$ 62,90
Romance • Biografia

Escrito em 1968, o romance Olhos azuis, cabelos pretos descreve um jovem casal que, num quarto de uma casa à beira-mar, lamentam a ausência de alguém que exerce um intenso fascínio sobre ambos. O relato se inspira na complexa relação afetiva vivida por Duras com seu amante homossexual, Yann Andrea, 38 anos mais jovem do que ela. Já A puta da costa normanda é um texto biográfico redigido por Duras na mesma época de Olhos azuis, cabelos pretos, e expõe os bastidores da confecção do romance: Yann Andrea datilografou o livro numa máquina de escrever, mas criticava sua amante por seu empenho em ficar escrevendo, que não deixava espaço para que eles saíssem e aproveitassem a vida.

Savannah Bay. Marguerite Duras.
Trad. Angela Leite Lopes • Temporal • 176 pp • R$ 64
Teatro

Peça escrita em 1982 e reescrita no ano seguinte, quando foi encenada no Petit Théâtre du Rond-Point, na época coordenado por Jean-Louis Barrault. Duras admirava muito a esposa de Barrault, Madeleine, e escreveu para ela o papel principal desse drama. Uma mulher que já atingiu o “esplendor da idade” deseja encenar uma peça de teatro com a ajuda de sua memória bastante vacilante e de uma jovem que talvez seja sua neta. Ela não se recorda bem de nada, mas acredita que tem o dever de entregar um espetáculo para o público.

Ioga. Emmanuel Carrère.
Trad. Mariana Delfini • Alfaguara • 272 pp • R$ 79,90/39,90
Romance • Romance autobiográfico

Ganhador de muitos prêmios (Femina, Renaudot, FIL, Biblioteca Nacional da França, Princesa de Astúrias), o escritor francês decide passar dez dias num retiro de silêncio do interior para escrever um livrinho simpático sobre a ioga, mas é forçado a interromper seu projeto devido à morte de um amigo no ataque ao Charlie Hebdo. Sua vida vira pelo avesso, seu livro empaca, sua relação amorosa entra em crise e ele é diagnosticado com transtorno bipolar.

“Eu me comprometi com esse livro em um momento de extrema harmonia na minha vida. Tinha a impressão de estar finalmente navegando águas serenas, levando uma vida harmoniosa. Talvez seja sempre assim, como diz aquele ditado da tradição judaica: ‘Se você quer fazer Deus rir, conte a ele sobre seus planos’. Eu tinha planos coerentes que a vida se encarregou de explodir. Tudo mudou de figura e se converteu em uma enorme crise pessoal que levou a uma depressão profunda e me colocou em um hospital psiquiátrico por quatro meses. São coisas que, enquanto a gente vive, parece que não sairemos delas jamais, não conseguimos nos imaginar em outro lugar. E, de repente, estamos em outro lugar.”

Emmanuel Carrère em entrevista à Quatro Cinco Um.

Trecho

Na floresta, onde caminho triste, há quem observe as árvores. Quem fique ali agachado, em frente a um toco de árvore, e o contemple, o olhar pensativo. Quem acaricie um caule, apalpe uma casca de árvore, dissecando as sensações provocadas pelo contato entre sua pele e a madeira. E quem simplesmente se poste diante do tronco de um carvalho, o contemple e depois o enlace. Seus braços o rodeiam, suas mãos o apalpam, seus rostos de olhos semicerrados se esfregam contra a casca, em êxtase. É uma prática new age conhecida, abraçar as árvores, se comunicar com Gaia, o planeta, acariciando árvores, e me pergunto se as pessoas que fazem isso teriam essa ideia se ninguém lhes tivesse dito que isso era algo a fazer, que é um sinal de sensibilidade, de conexão com a natureza, de desapego, sei lá. Eu me salvo da tristeza pela ironia. Um artifício clássico, a que recorri tantas vezes. Pensamento negativo, pensamento do qual deveria fugir, mas, ao contrário, onde me refugio, e que se transforma em um outro, ainda mais negativo, e além de negativo muito eficiente, porque terrivelmente convincente. 

O beijo de Narciso. Jacques Fersen.
Trad. Régis Mikail • Ercolano • 144 pp • R$ 79,10
Romance • LGBTQIA+

Romance queer escrito em 1907 e ambientado na Antiguidade, que narra as desventuras do belo Milès, filho de uma escrava com um rico comerciante de Biblos. Desde a infância, o rapaz foi predestinado ao sacerdócio, mas decidiu fugir do templo de Adônis após uma experiência traumática. Enfrenta uma série de dificuldades e acaba se tornando um escravo à venda no mercado de Atenas. Sua grande beleza o torna desejado por muitos, mas Milès é incapaz de retribuir o amor que lhe é consagrado.

A menina que não fui. Han Ryner.
Trad. Régis Mikail • Ercolano • 256 pp • R$ 116
Romance • LGBTQIA+

Escrito em 1903 pelo escritor anarquista e pacifista francês, o romance escandalizou a França por escancarar a questão da homossexualidade masculina e da identidade trans. Conta a história de François de Taulane, apelidado de “mulherzinha” pelos colegas que sentiam tanto desprezo quanto atração por ele. Ryner descreve as incertezas da personagem e seus conflitos psicológicos e se abstém de fazer qualquer julgamento sobre o protagonista.

Os trabalhadores do mar. Victor Hugo.
Trad. Jorge Coli • Editora Unesp • 512 pp • R$ 89
Romance • Clássicos

Nova tradução do romance publicado em 1866 por Hugo, que na época vivia no exílio por sua oposição a Napoleão 3º (deixou a França após o golpe de Estado em dezembro de 1851). Relata a luta de um pobre pescador solitário que, apaixonado pela filha de um velho armador que promete conceder a mão da moça àquele que resgatar o motor de um navio, enfrenta as forças da natureza para tirar a máquina das profundezas. 

Noventa e três. Victor Hugo.
Trad. Mauro Pinheiro • Estação Liberdade • 416 pp • R$ 83
Romance • Romance histórico • Clássicos

Publicado em 1874, após a Comuna de Paris, o último romance escrito por Hugo é um épico sobre a Revolução Francesa. Conta a história de três personagens em 1793 quando, em meio ao Terror, a região da Vendeia se levanta contra o governo revolucionário. De um lado está o Marquês de Lantenac, homem ligado ao rei deposto e líder da contrarrevolução. De outro, seu sobrinho Gauvain, chefe de um batalhão revolucionário, e Cimourdain, um ex-padre. 

Um circo passa. Patrick Modiano.
Trad. Bernardo Ajzenberg • Carambaia • 144 pp • R$ 87,90
Romance • Romance histórico • Thriller • Suspense

Uma história de mistério publicada em 1992 pelo escritor francês, que em 2014 receberia o Nobel de Literatura. O protagonista é um jovem de dezoito anos que não estuda nem trabalha. Vive sozinho num apartamento em Paris porque seus pais se mudaram para o exterior para escapar de problemas. Ele conhece Gisèle, uma jovem um pouco mais velha e bem mais experiente do que ele, durante um depoimento a uma autoridade do governo. Depois eles são contactados por uma dupla de homens que lhes dá um carro para atuarem como mensageiros, sem maiores explicações. E eles se entregam a essa missão, sonhando com uma vida em Roma. 

Cena de um crime. Patrick Modiano.
Trad. Ivone Benedetti • Record• 176 pp • R$ 59,90
Romance • Thriller • Suspense

Em seu novo romance policial, o francês Patrick Modiano aborda temas como os labirintos da memória e o peso do passado. Situado na Paris dos anos 60 e perpassado por segredos e intrigas, o livro retrata a história de um homem que busca respostas sobre um roubo infame e jamais solucionado de sua infância. Ganhador do Nobel de Literatura em 2014 e do prêmio Goncourt em 1978, Modiano costuma explorar, por meio da autoficção, os efeitos duradouros da Segunda Guerra Mundial e do período de ocupação nazista na França.

La Maison: minha história na prostituição. Emma Becker.
Trad. Alessandra Bonrruquer • Record • 336 pp • R$ 74,90
Romance

Sob o nome de Justine (personagem do Marquês de Sade), a escritora parisiense Emma Becker trabalhou dois anos como prostituta em dois bordéis de Berlim, onde essa atividade é legalizada (ganhava 4 mil euros por mês e entrou na Previdência Social da Alemanha, onde a atividade é legal) para arrumar um bom assunto para seu terceiro romance. Nessa narrativa autoficcional, ela descreve suas experiências e seu relacionamento com colegas, que às vezes eram mães e até esposas que escondiam dos maridos suas ocupações.

Três. Valérie Perrin.
Trad. Julia Sobral Campos • Intrínseca • 528 pp • R$ 89,90/62,90
Romance • LGBTQIA+

Três grandes amigos de infância, que passavam o dia juntos nadando e trocando confidências aos dez anos de idade, se distanciam completamente na vida adulta. Décadas mais tarde, a descoberta de um carro submerso no fundo de um lago com um cadáver dentro traz à tona fatos inquietantes sobre o passado. Uma jornalista começa a investigar a morte enquanto reflete sobre a complicada relação entre os ex-amigos. 

Mágoa. Emmanuel Tugny.
Trad. Simone Ceré • Sulina • 128 pp • R$ 50
Romance

Emmanuel Tugny é o nome artístico do escritor, músico, filósofo e diplomata Ronan Prigent, que publicou cerca de trinta obras (entre romances, poemas, ensaios e discos). Neste romance, ambientado durante a guerra civil que se seguiu à Revolução Russa, uma revolucionária desiludida, cujo marido foi preso pela polícia secreta soviética, reflete sobre a justiça, a verdade e o amor numa condição em que não se pode ter notícias do amado.

O filho do homem. Jean-Baptiste Del Amo.
Trad. Julia da Rosa Simões • Todavia • 208 pp • R$ 79,90/59,90
Romance • Thriller • Suspense

Romance que deu o prêmio Goncourt de estreia a Del Amo, o livro narra a história de um homem que, depois de anos ausente, retorna ao lar para levar sua companheira e seu filho de apenas nove anos para uma casa isolada na montanha, onde ele viveu com seu pai violento. Assombrado pelo passado e consumido pelo ciúme, o homem afunda lentamente na loucura.

Águas-vivas não têm ouvidos. Adèle Rosenfeld.
Trad. Flavia Lago • Fósforo • 200 pp • R$ 69,90/44,90
Romance

Romance sobre uma deficiente auditiva capaz de falar que, graças às muitas horas treinando leitura labial, interpretando e reconhecendo os sons esparsos que consegue captar, transita razoavelmente entre os demais falantes. Contudo, com o agravamento progressivo de sua surdez, precisa decidir se opta por um implante coclear ou se mergulha de vez no silêncio.

Viver à sua luz. Abdellah Taïa.
Trad. Camila Vargas Boldrini • Nós • 192 pp • R$ 70
Romance

Autor de Um país para morrer (2021), o escritor marroquino — pioneiro da ficção gay na cultura islâmica — narra o drama de Malik, uma mulher que cai na miséria após ser abandonada pelo primeiro marido (que decide lutar na Indochina ao lado dos franceses), mas consegue se casar de novo e tem nove filhos — e tenta evitar que eles enfrentem as mesmas privações.

“Venho de uma família pobre e numerosa. Nós éramos nove filhos. Com meus pais éramos onze. Onze pessoas lutando para sobreviver em uma pequena casa de três cômodos, que era como um verdadeiro teatro da vida. Vivíamos como em um filme egípcio muito melodramático e tagarela. Onze pessoas que convivem, conversam, discutem, sonham, que são atravessadas por desejos, que preparam o futuro.”

Abdellah Taïa em entrevista à Quatro Cinco Um.

Não ficção

Paixão simples. Annie Ernaux.
Trad. Marília Garcia • Fósforo • 64 pp • R$ 54,90
Biografia

Relato autobiográfico publicado em 1992, na qual a ganhadora do Nobel narra uma experiência amorosa que experimentou quando, já divorciada e mãe de dois filhos crescidos, ela teve um relacionamento intenso com um homem casado. Durante esse período, escreve, “eu me aproximei do limite que me separa do outro, a ponto de às vezes imaginar que iria chegar do outro lado”.

Trecho

O fato de A. ser estrangeiro tornava ainda mais difícil fazer qualquer interpretação de seu comportamento, moldado por uma cultura da qual eu só conhecia o aspecto turístico, os clichês. No início, me senti desencorajada por esses limites óbvios ao entendimento mútuo, reforçados pelo fato de que, embora ele se expressasse muito bem em francês, eu não falava a língua dele. Mais tarde admiti que essa circunstância me poupava da ilusão de acreditar numa comunicação perfeita, ou até numa fusão, entre nós. O tempo todo eu avaliava quão imprecisas eram nossas conversas, observando a leve diferença entre o francês falado por ele e o uso padrão da língua, ou minhas dúvidas a respeito do sentido atribuído por ele a uma palavra. Eu tivera o privilégio de viver desde o começo, de modo constante e em plena consciência, aquilo que depois sempre acabamos descobrindo, imersos em estupor e angústia: que o homem que amamos é um completo estranho.

A outra filha. Annie Ernaux.
Trad. Marília Garcia • Fósforo • 64 pp • R$ 54,90
Biografia

Uma carta retórica que Ernaux endereça a uma irmã mais velha que ela nunca chegou a conhecer pois morreu com apenas seis anos de idade, de difteria. Seus pais nunca conversaram com ela a respeito. Só aos dez anos de idade a futura escritora soube da irmã morta, ao ouvir uma conversa entre a mãe e uma cliente, durante as férias do verão de 1950: “Ela era mais boazinha do que aquela ali.” “Aquela ali” era a futura escritora. As palavras de sua mãe deixaram marcas na criança, que decidiu fingir que não sabia da outra filha.

Trecho

Não consigo reconstituir a história, apenas o teor e as frases que atravessaram todos os anos até hoje, que num instante se alastraram por toda a minha vida de criança como uma chama muda e sem calor, enquanto eu continuava dançando e rodopiando ao lado dela, a cabeça baixa para não despertar nenhuma suspeita.

[Aqui me parece que as palavras rasgam uma zona crepuscular, me engolem e acabou.]

Ela conta que eles tiveram outra filha além de mim e que ela morreu de difteria aos seis anos, antes da guerra, em Lillebonne. Ela descreve as placas na garganta, a asfixia. E diz: ela morreu como uma santinha

A escrita como faca e outros textos. Annie Ernaux.
Trad. Mariana Delfini • Fósforo • 240 pp • R$ 74,90/52,90
Biografia 

Coletânea de escritos em que a autora francesa esclarece episódios de sua vida e de seu projeto literário. O primeiro texto é o seu discurso ao receber o Nobel, em 7 de dezembro de 2022, no qual compartilha o prêmio com todos aqueles que defendem mais liberdade, igualdade e dignidade para todos os seres humanos, independentemente do seu sexo, gênero, pele e cultura. Em seguida, ela expõe sua trajetória em uma longa entrevista ao escritor francês Frédéric-Yves Jeannet. E, em uma conferência de 2012, ela descreve a sua infância em uma família pobre.

Trecho

Os ataques se tornam cada vez mais sexistas, o que é muito corriqueiro na sociedade francesa. Nunca leremos a respeito de um livro escrito por um homem o que às vezes leio sobre livros escritos por mulheres, sobre os meus. Do mesmo modo, na imprensa não se chama um escritor do sexo masculino apenas por seu primeiro nome, como frequentemente fazem em relação a mim.

Crônicas digitais: postagens no The Huffington Post. Antoine Compagnon.
Trad. Laura Taddei Brandini • Editora UFMG • 181 pp • R$ 56
Ciências sociais

Crônicas do professor de literatura francês sobre os efeitos colaterais das conquistas tecnológicas da era digital, que por um lado o aliviaram de tarefas maçantes, mas, por outro, propiciaram uma infinidade de trapaças de alunos nos trabalhos escolares e trouxeram uma grande dose de intolerância e de aspereza nas discussões virtuais.

A vergonha é um sentimento revolucionário. Frédéric Gros.
Trad. Walmir Gois • Ubu • 176 pp • R$ 59,90
Filosofia • Crítica literária

Escrito na sequência de Desobedecer (2018) e Caminhar (2021), o novo livro do pensador francês traça um panorama desse sentimento desde a Antiguidade clássica, analisando o papel da vergonha em face dos códigos de honra medievais e dos costumes da era vitoriana e apontando seu potencial revolucionário.

Trecho

Os moralistas clássicos reduzem o escopo da vergonha. Ela não é mais um mecanismo social obrigatório e ritualizado, a catástrofe das famílias. Ela ganha espaço no pequeno drama pessoal, no modo como o julgamento dos outros me afeta. Tristeza branda de origem narcísica. A dimensão contagiosa, coletiva e ritualística desaparece. A vergonha se torna uma suscetibilidade inconveniente — que não pode ser totalmente ignorada, pois, afinal, é preciso levar em conta os costumes de seu tempo. Não há dúvida simbólica a depurar nem capital vital a restaurar, é um afeto do eu que se converte em uma ansiedade mesquinha: mas o que vão pensar de mim?

A saga dos intelectuais franceses 1944-1989 Volume II: O futuro em migalhas (1968-1989). François Dosse.
Trad. Leila de Aguiar Costa • Estação Liberdade • 768 pp • R$ 138
História

Conta a história da intelligentsia francesa desde a libertação do país, ao final da Segunda Guerra: a ascensão de Sartre (e suas rupturas com Aron, Camus, Lefort, Merleau-Ponty), a ilusão do comunismo, a derrota no Vietnã, a virada estrutural (Lévi-Strauss, Foucault, Lacan), a guerra da Argélia, a emergência do Terceiro Mundo, a irrupção do gaullismo, as vanguardas dos anos 60, a luta contra o totalitarismo, o advento da consciência ecológica.

Pastichos e miscelânea. Marcel Proust.
Trad. Jorge Coli • Editora Unesp • 258 pp • R$ 74
Crítica literária • Clássicos

Publicado em 1919, o livro reúne divertidos exercícios estilísticos e narrativos nos quais Proust parodia a prosa de autores como Balzac, Flaubert, Renan, Michelet e os irmãos Goncourt a partir de um caso real do início do século (o affaire Lemoine, um golpista que dizia ter descoberto o segredo da fabricação de diamantes e arrancou uma fortuna de investidores). Na segunda parte, destaca-se o fascínio de Proust pelo crítico inglês John Ruskin, de quem o escritor francês traduziu La Bible d'Amiens

Os admiradores desconhecidos de La Nouvelle Héloïse. Daniel Mornet.
Trad. Geraldo Gerson de Souza • Ateliê Editorial e Edições Sesc • 88 pp • R$ 73
Crítica literária 

Ensaio publicado em 1909 pelo historiador e crítico literário francês (autor de Les Origines intellectuelles de la Révolution française, de 1933) que se baseia nas numerosas cartas recebidas por Jean-Jacques Rousseau dos leitores de seu romance Julie ou La Nouvelle Héloïse, que fornece um panorama do frisson que os romances franceses provocavam no público da época.

O grande confronto: como a cegueira e a corrupção das elites europeias promoveram a guerra de Putin contra nossas democracias. Raphaël Glucksmann.
Trad. Julia da Rosa Simões • Vestígio • 160 pp • R$ 59,80/41,90
Política • Ciências sociais • História

Filho do filósofo francês André Glucksmann, o diretor de cinema e eurodeputado critica asperamente as elites europeias que deixaram suas nações dependentes dos combustíveis fósseis da Rússia em vez de trabalhar para acelerar a transição energética, e que depois toleraram as investidas de Vladimir Putin para evitar um conflito aberto, contribuindo para aumentar o poderio militar e a influência dos mafiosos russos.

O garoto do meu pai. Emmanuelle Lambert.
Trad. Adriana Lisboa • Autêntica Contemporânea • 128 pp • R$ 54,90/38,90
Biografia

Uma filha descreve os últimos cinco dias de vida de seu pai, que teve uma infância triste numa família pobre, mas se transformou num homem hiperativo e brincalhão (por vezes explosivo). Agora, internado num hospital, luta contra um agressivo câncer no pâncreas, enquanto sua filha vai se recordando de sua relação próxima com ele.

Trecho

Sobre o amontoado de pele cansada, sobre o rosto fatigado de suportar a carcaça e as renúncias do envelhecimento, passou então uma sombra, uma lembrança dos seus primeiros anos de vida. Um pedacinho da criança que ele havia sido, triste, solitária e sem dinheiro estava preso em suas entranhas.

Há alguns anos, ainda era possível divisar o fantasma agachado no fundo de um apartamento dilapidado, em Issy-les-Moulineaux, nas portas de Paris. Ele desapareceu, o imóvel tendo sido demolido pela prefeitura por causa da insalubridade, e junto com ele o pátio magro e os colchões de palha onde trepava uma vegetação selvagem, sobretudo ervas daninhas. Nesse buraco em meio aos velhos prédios do bairro operário, o cascalho arranha. As crianças encontram ali o que precisam para compor um jardim, um matinho aqui, bambu ali, três flores, coleópteros, minhocas e a janela do andar de cima, onde às vezes um adulto aparece com o rádio ao fundo.

A dor. Marguerite Duras.
Trad. Luciene Guimarães de Oliveira e Tatiane França • Bazar do Tempo • 208 pp • R$ 64
Biografia

Com base nas anotações de seu diário de juventude, a escritora rememora os trágicos eventos da Segunda Guerra Mundial, quando seu marido foi preso e levado a um campo de concentração na Alemanha, descrevendo a situação de Paris naquela época em meio aos integrantes da polícia nazista e membros da Resistência Francesa. 

Trecho

Me disseram: “seu filho está morto.” Foi uma hora depois do parto. A madre superiora foi abrir as cortinas, o dia de maio entrou no quarto. Percebi quando a criança passou diante de mim, no colo da enfermeira. Eu não a tinha visto. No dia seguinte, eu perguntei: “Como ele era?” Me disseram: “Ele é loiro, um pouco arruivado, tem as sobrancelhas altas como você, se parece com você.” “Ele ainda está aqui?” “Sim, está aqui até amanhã.” “Ele está frio?” R. me respondeu: “Eu não o toquei, mas deve estar. Está muito pálido.” Então ele hesitou e disse: “Ele é bonito, deve ser também por causa da morte.” Eu pedi para vê-lo. R. me disse não. Eu pedi à madre superiora, ela me disse não, que não valia a pena. Me explicaram onde ele estava, à esquerda da sala de parto. Eu não podia me mover. Meu coração estava muito cansado, estava deitada de costas. Não me movia.

Judoca. Thierry Frémaux.
Trad. Eloísa Araújo Ribeiro • Fósforo • 272 pp • R$ 89,90/69,90
Biografia

Diretor do Festival de Cannes e do Instituto Lumière descreve a sua experiência no judô — luta criada em 1882 pelo mestre Jigoro Kano, que embute uma maneira diferente de ver e se relacionar com o mundo — e sua trajetória no cinema, apontando a relação profunda entre o esporte e a arte. 

O que amar quer dizer. Mathieu Lindon.
Trad. Marília Garcia • Nós • 208 pp • R$ 76
Biografia

Ganhador do Prêmio Médicis de 2011, o livro narra a forte amizade do jovem Lindon (filho do fundador da Èditions de Minuit, que publicava autores como Samuel Beckett, Claude Simon e Marguerite Duras) com Michel Foucault, que lhe emprestava seu apartamento e o acompanhava em suas aventuras. Ele não assistia aos cursos do grande filósofo, pois tinha a impressão de que Foucault não gostaria disso. Mas foi o amigo que lhe salvou a vida, deixando lembranças que ainda hoje o reconfortam.

A leste dos sonhos: respostas even às crises sistêmicas. Nastassja Martin.
Trad. Camila Boldrini • Editora 34 • 288 pp • R$ 86
Ciências sociais

Autora de Escute as feras (Editora 34, 2021), a antropóloga francesa retorna à península de Kamtchátka para estudar um pequeno grupo dos even que, após o fim das fazendas coletivas criadas pela União Soviética, regressou à floresta para retomar seu antigo modo de vida baseado na caça, na pesca e na coleta, buscando se reconectar com a mata e com os animais. Agora, contudo, eles estão sendo ameaçados pelas mudanças climáticas e pela pilhagem capitalista. 

Poesia

Ellis Island. Georges Perec.
Trad. Vinícius Carneiro e Mathilde Moaty • Círculo de Poemas (Luna Parque/Fósforo) • 64 pp • R$ 64,90

No final dos anos 1970, o ficcionista e ensaísta francês visitou a ilhota localizada a sudoeste de Manhattan que serviu de porta de entrada nos Estados Unidos para os milhões de imigrantes que europeus que, movidos pela miséria e pela intolerância política e religiosa, migraram para o Novo Mundo no final do século 19 e início do século 20, para expor o caminho da diáspora.

Trecho

como descrever?

como contar? 

como olhar?

sob a frieza das estatísticas oficiais,
sob o zumbido tranquilizante das histórias mil vezes

repetidas pelos guias com chapéus de escoteiro,
sob a exibição oficial desses objetos do cotidiano que

se tornaram objetos de museu, vestígios raros, coisas

históricas, imagens preciosas,

sob a mansidão artificial dessas fotografias congeladas

para sempre na evidência enganosa do seu preto e branco,

como reconhecer este lugar?

restituir o que foi?

como ler esses rastros?

Prosa. Charles Baudelaire.
Trad. Júlio Castañon Guimarães • Penguin-Companhia • 1008 pp • R$ 129,90
Clássicos

Reúne textos do poeta francês, que se destacou como crítico literário e de artes plásticas, nos quais fala de suas experiências com o haxixe e da vida urbana parisiense. Um dos ensaios do livro é Spleen de Paris, uma coleção de poemas em prosa publicados postumamente que inspiraram os estudos de Walter Benjamin sobre a vida urbana na modernidade.

Infantojuvenil

O tédio das tardes sem fim. Gaël Faye & Hippolyte.
Trad. Alexandre Barbosa de Souza • Veneta • 32 pp • R$ 44,90

Prosa poética do rapper francês sobre sua infância solitária no Burundi, quando sempre tinha as tardes livres, numa casa sem televisão, computador ou telefones celulares, e gastava o tempo entre as árvores de um imenso jardim, ouvindo os pássaros e observando as formigas: “Quando menino, tive oportunidade de me entediar […]. Tive que aprender a usar os tesouros da imaginação para inventar brincadeiras e passatempos.”

Quadrinhos

Meu irmão caçula. JeanLouis Tripp.
Trad. Renata Silveira • Nemo • 334 pp • R$ 134,90/94,90

O desenhista, roteirista e artista plástico francês — que colaborou com a Metal Hurlant — descreve um dramático episódio de sua vida pessoal, ocorrido em 1976, quando seu irmão mais novo, então com apenas onze anos, morreu após ser atropelado pelo motorista de um carro durante suas férias na Bretanha. 

Correção: o livro Cara paz, de Lisa Ginzburg, constava na publicação original desta lista, mas, apesar de morar em Paris, a escritora é italiana.
Esse conteúdo foi realizado com o apoio da Embaixada da França no Brasil
[Crédito das imagens: Divulgação e Commons]