A Feira do Livro, Literatura brasileira,

Inquietação ressonante

Carla Madeira, a segunda escritora mais vendida no Brasil, fala do sucesso dos seus romances

09jun2022 - 17h54 | Edição #58

Carla Madeira é, atualmente, a segunda escritora brasileira contemporânea mais lida no Brasil, apenas atrás de Itamar Vieira Junior com o seu arrasa-quarteirão Torto arado (Todavia). As vendas de Tudo é rio — sua estreia literária, lançada pela editora Quixote em 2014 e depois reeditada pela Record, alavancaram também as de seu livro mais recente, Véspera, lançado em 2021 — em quatro meses, venderam em torno de 80 mil exemplares. Agora, no segundo semestre deste ano, o seu segundo romance, A natureza da mordida, também ganha uma nova edição. Em seus livros, o afeto e a violência se entrelaçam de forma inescapável, destacando a complexidade das relações humanas.

Nesta quinta (9), às 19h, Madeira subiu ao Palco da Praça d’A Feira do Livro para falar de sua literatura. A escritora mineira conversou com a Quatro Cinco Um sobre o alcance das suas obras, a expectativa do retorno às livrarias de seu segundo romance e a felicidade de retornar aos eventos presenciais, com um contato mais próximo com o público.

Os eventos presenciais estão sendo retomados agora no Brasil, inclusive aqueles ligados à literatura. Quais são as suas expectativas de participar presencialmente de uma feira do livro aberta após dois anos de isolamento?
É muito bom retomar os encontros presenciais. A possibilidade de conversar de perto traz uma energia poderosa. Estive na ler — Salão do Livro Carioca, em maio, no Rio de Janeiro, e na Bienal Mineira do Livro, também em maio, em Belo Horizonte. Agora espero pelo encontro n’A Feira do Livro em São Paulo com muito entusiasmo.

Suas obras têm repercutido cada vez mais entre leitoras mulheres. Por que você acha que sua literatura reverbera especialmente entre o público feminino?
Acredito que as pessoas estão pautando o mundo que querem ver acontecer. A ressonância dos meus livros tem a ver com essa imensa inquietação que está dentro das pessoas. No contexto atual, em que todos (ou pelo menos muitos) são capazes de produzir e distribuir o que querem ver ser discutido, as experiências vividas por minhas personagens estão ajudando a pautar as conversas. Acho importante dizer que o público masculino tem participado cada vez mais.

Uma reedição de seu segundo romance, A natureza da mordida, chega às livrarias neste ano. O que motivou essa reedição? Há alguma mudança significativa em relação à edição anterior?
A natureza da mordida será relançado pela Record no segundo semestre de 2022. Já tínhamos planejado o relançamento desde minha ida para a editora, em 2020. A ideia era fazê-lo antes do lançamento de Véspera, mas acabei não conseguindo fazer a revisão que queria e, por isso, adiamos. Foi bom adiar porque deu tempo de amadurecer algumas questões. Não haverá nenhuma mudança estrutural. São mudanças delicadas, mas muito desejadas por mim, em especial no momento em que Olivia e Biá se conhecem. O livro está esgotado, há muitas pessoas querendo ler. Estou feliz que isso acontecerá em breve.

Quem escreveu esse texto

Paula Carvalho

Jornalista e historiadora, é autora e organizadora de Direito à vagabundagem: as viagens de Isabelle Eberhardt (Fósforo).

Matéria publicada na edição impressa #58 em fevereiro de 2022.