Morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos, a escritora, educadora popular e ativista de direitos humanos Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha Teles, que se tornou uma das principais vozes contra os crimes cometidos pela ditadura militar no país.
A morte foi confirmada nas redes sociais por pessoas próximas à ativista. A causa não foi confirmada. O velório será realizado na quarta-feira, das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.
Mineira de Contagem, Teles foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Presa em 28 de dezembro de 1972, foi levada à Operação Bandeirantes (Oban), onde foi submetida a sessões de tortura, que, segundo seu depoimento, foram realizadas pelo major do exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, então comandante do DOI-Codi de São Paulo.

O marido da ativista à época, César Augusto Teles, e seu companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli também foram levados ao órgão de repressão. Amelinha contou ter testemunhado o assassinato de Danielli. Os filhos dela, Edson e Janaína, então com quatro e cinco anos de idade, também foram sequestrados e levados à Oban, onde presenciaram os pais serem torturados.
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As memórias são narradas em Contos da cela três, escrito originalmente em 1973, quando se tornou presa política no Dops. O livro foi lançado pela editora Ema, em 2024.
Em 2005, a família Teles moveu uma ação contra Brilhante Ustra, que em 2008 se tornou o primeiro agente da ditadura a ser declarado torturador.
Luta pela democracia
Ao participar d’A Feira do Livro em 7 de junho deste ano, Teles, que integrava a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, falou da importância da luta pela memória.

“Nós estamos fazendo história, mas temos que registrar e estudar a história do Brasil, recuperar essa história, para a gente realmente poder consolidar uma democracia”, afirmou durante a mesa Lutar para lembrar, ao lado do jornalista e escritor Camilo Vannuchi, com mediação de Juliana Borges, colunista da Quatro Cinco Um.
Ela também ressaltou a participação das mulheres na luta contra o regime militar e, especialmente, pela democracia: “A nossa democracia só vai ser alcançada de fato com as mulheres. E tem uma razão: somos mais da metade da população e as mais oprimidas em qualquer lugar do mundo”.

Feminista, a ativista também participou do jornal Brasil Mulher na década de 70 e publicou livros considerados hoje clássicos sobre o movimento feminista brasileiro, entre os quais Breve história do feminismo no Brasil (Brasiliense, 1993) e O que são os direitos humanos das mulheres (Brasiliense, 2006).
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