A curadora e historiadora Aracy Amaral (André Seiti/Divulgação)

Arte, Memória,

Morre a curadora e crítica de arte Aracy Abreu Amaral, aos 96 anos

Uma das maiores especialistas em Tarsila do Amaral, desenvolveu trabalhos pioneiros sobre o modernismo brasileiro

15set2026

Morreu nesta terça (15), em São Paulo, aos 96 anos, a curadora e historiadora da arte Aracy Abreu Amaral, uma das maiores especialistas do país na obra de Tarsila do Amaral (1886-1973) e autora de trabalhos pioneiros sobre o modernismo brasileiro. A causa da morte não foi divulgada. 

O velório será realizado no cemitério Parque Morumby, a partir das 14 horas, e o sepultamento será às 17h. 

Nascida em São Paulo, em 1930, Amaral atuou como crítica de arte, curadora, historiadora de arte, arquiteta, jornalista e professora. Formada em jornalismo pela PUC-SP em 1959, trabalhou no jornal A gazeta como redatora responsável pela página feminina.

Referência

Em 1969, se tornou mestra em história da arte pela Universidade de São Paulo (USP), com o trabalho “As artes plásticas na Semana de 22”. A pesquisa pioneira foi publicada como livro em 1970 e se tornou referência para estudantes e pesquisadores do movimento modernista. 

Nas décadas seguintes, Amaral publicaria outros títulos fundamentais para a história da arte, como Blaise Cendrars no Brasil e os modernistas (1970), sobre a influência do escritor e poeta suíço (1887-1961) no pensamento modernista brasileiro, Tarsila: sua obra e seu tempo (1975), resultado da pesquisa para o doutorado, concluído também na USP, e A hispanidade em São Paulo: da casa rural à Capela de Santo Antônio (1981), pelo qual ganhou o prêmio Jabuti, em 1982. 

Em paralelo, desenvolvia trabalhos na área de museologia. Começou como assistente de direção do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC-USP), na década de 60. Na década de 70 foi diretora técnica da Pinacoteca do Estado de São Paulo. Em 1982, assumiu a direção do MAC-USP, cargo que ocupou até 1986. 

Durante os anos 80, tornou-se ainda professora titular de história da arte da USP, onde atuou até a aposentadoria, em 1990. No campo editorial, organizou antologias, escreveu ensaios e redigiu textos para catálogos de arte e arquitetura. Como crítica, colaborou com diversos veículos de imprensa, no Brasil e no exterior. Ao longo da trajetória, também realizou a curadoria de exposições sobre o modernismo brasileiro no Brasil e na França, e atuou como julgadora de salões e bienais de arte. 

Como uma das maiores especialistas na obra de Tarsila do Amaral, de quem dizia ser parente distante, entrevistou a pintora várias vezes nas décadas de 60 e 70. Mais tarde, se tornaria consultora para a pesquisa que organizou o site e o catálogo com a obra da artista, publicado em 2008.