Festival literário, Flip,
Conheça os autores da Tinta-da-China Brasil na Flip
Selo editorial da Associação Quatro Cinco Um tem três escritores na programação principal e três na paralela
03jul2026Ficção, diário pessoal, crítica literária e política: alguns dos destaques recentes do catálogo da Tinta-da-China Brasil, selo editorial da Associação Quatro Cinco Um, estarão na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece de 22 a 26 de julho, com curadoria de Rita Palmeira — que esteve recentemente no podcast 451 MHz falando sobre a próxima edição do festival literário, cuja autora homenageada é a poeta paulista Orides Fontela.
A Tinta-da-China Brasil leva a Paraty autores de perfis e origens muito variadas, mas que têm em comum a originalidade e a liberdade narrativa. Nas mesas da programação principal, o público vai conhecer obras singulares, que desafiam as convenções e fogem dos clichês da prosa contemporânea.
A romancista alemã Carmen Stephan, por exemplo, escolheu um ponto de vista inesperado — um irônico e perigoso mosquito transmissor da malária — para narrar a história de quando se contaminou durante uma viagem ao Brasil. Ela quase morreu, mas sobreviveu e nos conta a experiência em Malária: um romance, que foi premiado na Alemanha e chegou ao Brasil em 2025, em tradução de Claudia Abeling.

Stephan vai se apresentar na sexta (24), às 10h, na mesa “Água parada água parada água parando”, ao lado do médico Drauzio Varella, autor de um livro de não ficção sobre a sua experiência com a febre amarela. A mediação é da jornalista Laura Capelhuchnik. A escritora alemã também participa de um bate-papo na Casa Motiva (às 16h30, com Pauliny Tort e Patricia Ditolvo).
Uma outra viagem está na origem do comovente misto de diário pessoal e ensaio que o físico e diplomata Ernesto Mané publicou sobre a visita que fez à Guiné-Bissau para conhecer a família paterna. O resultado é Antes do início, livro de estreia que impressiona pela carga afetiva e pelas reflexões sobre temas da cultura e da sociedade, como negritude, geopolítica e paternidade.

Mané fala sobre seu livro no domingo (26), às 10h, na mesa “A porta está aberta”, com a poeta franco-congolesa Ève Guerra, mediados pela jornalista Adriana Ferreira Silva. Na quinta (23), Mané e Stephan conversam juntos no evento fechado “Viagens que criam escritores”, para hóspedes e convidados da Pousada Literária, que organiza a sessão em parceria com a Flip e com a Livraria das Marés. E na sexta-feira (24), o autor participa de um bate-papo com Alexandre Vidal Porto e João H. Bayão sobre a vida dupla de diplomata e escritor, com mediação de Clara Becker.
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Também na programação principal, a crítica literária e poeta Paloma Vidal leva ao palco da Flip a prosa experimental de Não escrever [com Roland Barthes], misto de ensaio e performance que explora a influência e o fascínio exercidos pelo crítico francês até mesmo quando deixamos de escrever. Vidal participa da mesa “A saída é a volta”, no sábado (25), às 10h, ao lado do escritor guatemalteco Eduardo Halfon. A mediação da conversa será feita pela jornalista Gabriela Mayer.
Programação paralela
Na programação paralela, que acontece nas casas parceiras do festival paratiense, a Tinta-da-China Brasil apresenta três outros autores.
A romancista e crítica literária Tatiana Salem Levy lança em Paraty Diga a coisa como ela é, coletânea de ensaios que aborda um vasto repertório literário, dos clássicos aos contemporâneos, lidos e relidos pela perspectiva de uma grande escritora. O livro terá um lançamento em Paraty, na Livraria das Marés, na quinta (23), às 18h, com mediação de Paloma Vidal.

Salem Levy ainda participa de uma conversa com a podcaster Marcela Ceribelli e a escritora Jeovanna Vieira, na sexta (24), na Casa Estante Virtual, debatendo a violência contra a mulher na literatura, com mediação da jornalista Monica Ramalho.
A política brasileira em tempos de extremismos está no foco dos pesquisadores do Centro de Análise da Liberdade e do Autoritarismo (LAUT) Conrado Hübner Mendes, Fernando Romani Sales e Nina Santos, que estão entre os autores de Como desarmar o autoritarismo no Brasil. O volume, que será lançado na 24ª Flip, propõe uma nova agenda para desradicalizar diferentes esferas da sociedade: como a educação, as forças de segurança, o sistema de justiça e as comunicações.
Diretor do LAUT, autor de textos e coorganizador de Como desarmar o autoritarismo no Brasil, o professor de direito Conrado Hübner Mendes apresenta o projeto em debate na Casa República, no sábado (25), em horário a confirmar.
Autora de um dos textos do livro, que propõe estratégias para desradicalizar a arena da comunicação, a jornalista e pesquisadora baiana Nina Santos participa de duas atividades na Casa das Favelas: na quinta (23), às 19h30, ela fala sobre a vida e obra de seu avô no “Encontro com Milton Santos”, e na sexta (24), às 10h30, integra a mesa “Literatura e territórios”.
Pós-Flip
Para quem não for a Paraty ou perder os debates, na semana seguinte à Flip Carmen Stephan lança Malária: um romance em São Paulo e no Rio, cidade que é um dos cenários do livro. Na quarta (29), às 19h, na Travessa de Botafogo, a autora conversa com a tradutora Flora Thomson-DeVeaux.
Na capital paulista, na quinta (30), Stephan conversa com a escritora pernambucana Micheliny Verunschk na Megafauna Copan, às 19h. Na sexta (31), a escritora alemã apresenta seu romance na Faculdade de Medicina da USP, no Auditório de Técnica Cirúrgica, às 9h, em bate-papo com os professores Marcos Boulos e Silvia Di Santi, especialistas em malária.
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