Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: setembro 2023

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

01set2023 - 00h00 | Edição #73

Alice Araujo Silva, 13 – São Paulo (SP)

Raphaële Frier & Zaü. Martin e Rosa.
Pequena Zahar • 48 pp • R$ 54,90

Martin e Rosa é o livro da autora Raphaële Frier e do ilustrador Zau sobre a segregação no sul dos Estados Unidos. Martin Luther King e Rosa Parks enfrentaram a política racista, que separava as pessoas brancas das negras: os ônibus tinham assentos separados — e os negros ficavam na humilhante situação de ficar no fundo do ônibus, perto dos banheiros.

O livro me surpreendeu por muitos motivos. Um deles é a quantidade de informações: em geral os livros com muitas ilustrações não têm essa característica. Além da luta de Martin e Rosa, ele conta com uma parte chamada “Para conhecer melhor”, com informações extras no final do livro.

Gostei muito desse livro porque me fez pensar: o que aconteceria se Rosa Parks não tivesse resistido?

Outro motivo que chamou a minha atenção foi perceber a importância da luta de Rosa e Martin para inspirar as pessoas negras a reivindicar ações para que não aconteçam cenas lamentáveis como a absurda existência da Ku Klux Klan (KKK), um grupo criado por pessoas brancas que “queriam defender os direitos deles” contra as pessoas de cor. Eles faziam coisas terríveis, como queimar escolas e casas, matavam e penduravam as vítimas nas árvores e mandavam pelo correio cartões-postais e cartazes com as fotos dos corpos enforcados.

Gostei muito desse livro porque me faz pensar: o que aconteceria se Rosa Parks não tivesse resistido? Como seria se a associação de defesa dos negros utilizasse estratégias parecidas com a da KKK? E como existem pessoas que ainda defendem a KKK?

Júlia Caroline S. de Oliveira, 16 – Salvador (BA)

Rachel de Queiroz. O Quinze.
José Olympio/Record • 208 pp • R$ 54,90

O romance O Quinze retrata a seca no Ceará em 1915. Foi escrito por Rachel de Queiroz e publicado em 1930, quando a autora ainda não havia completado vinte anos de idade.

A narrativa acompanha as histórias de Conceição, Vicente e a família do vaqueiro Chico Bento, mostrando diferentes pontos de vista, pois cada personagem tem seu drama particular. A obra tem um enorme caráter social: além de retratar as pessoas da região, aborda também a fome e a seca.

O Quinze começa pelo ponto de vista de Conceição, uma jovem professora de Fortaleza — uma mulher independente e com ideias fortes que passa as férias com a sua avó, em Quixadá. Fica evidente a paixão dela por Vicente, um vaqueiro, e ambos começam a flertar.

Seca e desemprego

Mas a seca começa a avançar e, pela falta de pasto, alguns fazendeiros decidem soltar o gado à própria sorte. O vaqueiro Chico Bento fica desolado quando Dona Maroca solta o gado da fazenda onde ele trabalhava. Ele perde o emprego e sua família é forçada a ir em busca de qualquer coisa em outro lugar, iniciando uma saga trágica. Chico é submetido à humilhação de pedir comida para sua família. É aqui onde o drama de O Quinze vai ao ápice, pois a trajetória da família é marcada por muitos infortúnios.

Rachel traz cenas fortes. O livro tem uma linguagem simples e direta, com frases breves e precisas. Os diálogos fluem naturalmente, espontâneos. O livro tem dois polos narrativos, ora contando o caminho de Chico Bento e sua família, ora a história de Conceição e Vicente. O Quinze é uma leitura rápida e impactante. Um clássico da literatura brasileira, que toca nas feridas do sertanejo e expõe de maneira crua a miséria do Nordeste. 

Nota da redação
A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por jovens que frequentam o Ateliescola Acaia (SP) e a Rede de Bibliotecas Comunitárias de Salvador (BA). Contamos com eles para manter acesa a chama da leitura! Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br, a ONG Vaga Lume no site vagalume.org.br e o Instituto Acaia no site acaia.org.br.

Quem escreveu esse texto

Júlia Caroline S. de Oliveira

Tem 16 anos, estuda em Salvador (BA).

Alice Araujo Silva

Tem 13 anos, estuda em São Paulo (SP).

Matéria publicada na edição impressa #73 em agosto de 2023.