Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: julho 2022

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

28jun2022 - 17h43 | Edição #59

Melissa Oliveira, 16 – Recife (PE)

Amanda Lovelace. A princesa salva a si mesma neste livro. 

Tradução de Izabel Aleixo •  Leya • 208 pp • R$ 36

O livro de poemas A princesa salva a si mesma neste livro, de Amanda Lovelace, publicado em 23 de abril de 2016, retrata de forma leve e acolhedora vários temas, como paixões na adolescência, saúde mental, relacionamento abusivo, e traz uma leitura cheia de empoderamento e inspiração aos leitores. Eu não conhecia a Amanda até me deparar com este livro. Senti que precisava dar uma chance para uma escritora de que nunca tinha ouvido falar antes e com certeza foi uma das melhores escolhas da minha vida.

Durante a leitura eu me senti acolhida e representada. Todos os meus sentimentos estavam descritos no livro de poemas e, para uma garota de dezesseis anos no auge da adolescência, eu me senti extremamente feliz por estar sendo compreendida.

A Amanda conseguiu colocar neste livro todos os sentimentos que um adolescente sente e situações que passa durante essa fase da vida. Seja na escola, em um relacionamento, ou até mesmo dentro de casa. Não existem palavras para descrever este livro, que é simplesmente fantástico. Além de o livro ter me inspirado a começar a escrever poemas, me fez compreender e aceitar as minhas diferenças.

Pode ter certeza: é impossível não se emocionar com A princesa salva a si mesma neste livro. 

Maria Eduarda Silva da Silva, 18 –  Porto Alegre (RS)

Antoine de Saint-Exupéry. O pequeno príncipe. 

Tradução de Dom Marcos Barbosa • HarperCollins • 96 pp • R$ 21,90

O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, foi o primeiro livro que eu realmente parei para ler quando tinha nove anos, para fazer um trabalho da escola e, meu Deus!, como este livro me marcou. Como uma leitura tão leve nos faz refletir tanto.

O pequeno príncipe traz uma forte crítica ao fato de se tornar “grande”. Afinal, o que seria se tornar grande? Este livro nos explica isso a cada planeta que o pequeno príncipe conhece, pois ao crescer nós deixamos de dar valor a certas coisas e focamos em outras que, para nós, enquanto crianças, não teriam valor algum, e em cada um desses planetas nós vemos isso.

Quando adultos, nós deixamos de perguntar coisas que para nós quando crianças seriam o mais importante, por exemplo: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será que ele coleciona borboletas?”. E passamos a perguntar coisas do tipo: “Qual é a sua idade? Quanto pesa? Quanto ganha do seu pai?”. Quando crescemos os valores são invertidos.

Como lidamos com a vida

Este livro nos faz pensar em como nós estamos lidando com a vida e como mudamos a forma de pensar tão repentinamente que, quando menos esperamos, estamos pensando como pessoas grandes pensariam.

Recomendo muito essa leitura, pois ela sempre me faz refletir se as coisas que eu estou valorizando são realmente tão importantes, sem contar que ele tem um final incrível, que há duas formas de ser visto, como pessoas grandes ou como crianças. Independentemente de como encaramos o final do livro, ele vai seguir sendo uma ótima leitura, que traz incríveis reflexões sobre o que nós nos tornamos e sobre o que nos tornaremos. E termino dizendo: “As crianças devem ser muito tolerantes com as pessoas grandes. Mas, com certeza para nós, que compreendemos o significado da vida, os números não têm tanta importância!”. 

Débora Fernanda Mafra Fonseca, 14 – Mirinzal (MA)

Harper Lee. O sol é para todos. 

Tradução de Beatriz Horta •  José Olympio • 350 pp • R$ 64,90

Protagonizado pela menina Scout, O sol é para todos nos traz o assunto do racismo, que ainda faz parte da prática de muitas pessoas. Um lindo e emocionante romance que, embora seja de gerações passadas, surpreende os leitores pela atualidade. Mesmo diante de personagens tão acomodados e preconceituosos, Scout consegue se adaptar a uma realidade mais doce criada por sua imaginação brilhante e sua visão de mundo infantil, que lhe permite sonhar e deixar em cada parte do livro um pouco de amor e esperança.

Matheus Adams Pereira Almeida, 19 – Soure (PA)

C. J. Tudor. O homem de giz. 

Tradução de Alexandre Raposo • Intrínseca • 272 pp • R$ 69,90/39,90

O homem de giz empolga os leitores do início ao fim. O thriller tem dois tempos: o passado (a infância traumática de Eddie Adams) e o presente de um grupo de crianças que usam desenhos de giz para se comunicarem sobre os locais dos assassinatos da cidade. Seus segredos se tornam constantes, e tudo o que parecia ser bom se torna ruim. Os anos passam, e a vida adulta traz dores de cabeça intensas para todos os envolvidos. Guarde a experiência de tudo o que você viver. 

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC) é um dos projetos mais importantes de articulação entre leitores e bibliotecas no Brasil. Publicamos a resenha de duas jovens frequentadoras da Biblioteca Popular do Coque (PE) e da Biblioteca Comunitária Mestra Griô Sirley Amaro (RS). A Vaga Lume é uma organização que promove a leitura e auxilia a gestão de bibliotecas comunitárias nas comunidades rurais da Amazônia. Publicamos aqui resenhas de livros escolhidos por dois jovens que frequentam a Biblioteca Viajando no Mundo das Letras (MA) e a Biblioteca Comunitária Benedito Ramos (PA). Conheça e saiba como apoiar a Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias no site rnbc.org.br e a Vaga Lume no site
vagalume.org.br.
Este texto foi realizado com o apoio do Itaú Social

Quem escreveu esse texto

Melissa Oliveira

16 anos, estuda em Recife (PE)

Maria Eduarda Silva da Silva

18 anos, estuda em Porto Alegre (RS)

Débora Fernanda Mafra Fonseca

14 anos, estuda em Mirinzal (MA)

Matheus Adams Pereira Almeida

19 anos, estuda em Soure (PA)

Matéria publicada na edição impressa #59 em junho de 2022.