Listão da Semana,

A natureza de Audre Lorde

A biografia nada convencional de Alexis Pauline Gumbs, a partir das paixões da grande militante do feminismo negro, chega às livrarias

10jul2025

A vida de uma mulher, grande militante do feminismo negro e do ativismo lésbico, vista a partir de suas paixões, entre elas, o amor à natureza. Desse material, a também poeta e ativista Alexis Pauline Gumbs desenvolveu a biografia nada convencional Audre Lorde: sobreviver é uma promessa, que chega esta semana às livrarias.

Também na seleção da semana: a poesia reunida de Antonio Cicero; De pé, tá pago, do marfinense GauZ’; um novo romance da catalã Eva Baltasar; ensaios sobre a crise da democracia, organizados por Luis Felipe Miguel e Luciana Ballestrin; O quarto do bebê, da portuguesa Anabela Mota Ribeiro; Espinosa, um romance de Livia Garcia-Roza; um relato sobre a transição de gênero do músico Apolo Pinheiro, por Bianca Vasconcellos; Desabamento, o livro em que Édouard Louis conta a trajetória de seu irmão mais velho; e mais novidades quentinhas.

Veja os lançamentos de semanas anteriores.


Audre Lorde: sobreviver é uma promessa. Alexis Pauline Gumbs.
Trad. Érika Nogueira Vieira // Todavia // 520 pp // R$ 134,90

A acadêmica e poeta amplia a oferta ainda limitada de obras sobre a vida da norte-americana, que costumava se apresentar como “negra, lésbica, mãe, guerreira e poeta”, num formato diferente daquele das biografias convencionais. O livro é composto por capítulos curtos que, organizados fora da ordem cronológica, tematizam momentos importantes da trajetória da escritora e assuntos caros a ela.

“Audre nem sempre apanhava quando se comportava mal. Às vezes a mãe a mandava para a cama sem rezar. Essas noites eram as piores, porque Audre não tinha um nome para a escuridão. Ou as escuridões. A escuridão da noite. A escuridão de seus sonhos assombrados. A escuridão relativa de sua pele sob a sombra do racismo internalizado de sua mãe. ‘Eu costumava acordar arrasada por pesadelos’, lembra Audre. Adulta, ela descobriu um caminho para lançar mão do que chamou de ‘um lugar sombrio onde cresce, oculto […] nosso verdadeiro espírito.’”

Leia mais um trecho do livro

Trecho de Alexis Pauline Gumbs “Audre Lorde: sobreviver é uma promessa”

Saiba mais sobre o livro

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Fullgás: poesia reunida. Antonio Cicero.
Posf. Noemi Jaffe // Companhia das Letras // 240 pp // R$ 79,90

ntegra da obra poética do escritor brasileiro que, morto em 2024, conciliou como poucos o erudito e o popular. Traz, além de seus três livros de poesia — Guardar (1996), A cidade e os livros (2002) e Porventura (2012) —, uma seleção de poemas inéditos e letras de música representativas de sua carreira, como a que dá título ao livro. O poeta foi homenageado em uma das mesas mais emocionantes d’A Feira do Livro deste ano, da qual participou sua irmã (e grande colaboradora) Marina Lima.

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De pé, tá pago. GauZ’.
Trad. Diogo Cardoso // Ercolano // 176 pp // R$ 89,90

O romance intercala duas narrativas. Em uma delas, um segurança anônimo — um alter ego do autor do livro, convidado para a Flip 2025 — expõe os estigmas raciais que permeiam a Europa hoje ao observar as manias e contradições dos clientes das lojas que vigia. Na outra, dois marfinenses chegam à França nos anos 1990. Em entrevista à Quatro Cinco Um, o escritor criticou a visão, bastante presente na França onde ele vive, de que os africanos formam uma massa homogênea. “Mesmo que haja uma base cultural comum, somos afetados por coisas diferentes.” Leia a entrevista concedida a Adriana Ferreira Silva na íntegra.

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Leia mais: Flip 2025 terá performances de Arnaldo Antunes e Gregorio Duvivier e geopolítica com Ilan Pappe e Marina Silva


Permafrost. Eva Baltasar.
Trad. be rgb e Meritxell Hernando Marsal // Dublinense // 144 pp // R$ 69,90

Uma narradora cínica, interessada apenas em arte e em sexo e com tendências suicidas, busca se proteger da vida por meio de uma metafórica camada de gelo emocional. O livro da catalã, já estabelecida como poeta antes de se aventurar na prosa, forma com Boulder (Dublinense, 2024) e Mamute — este ainda inédito — uma espécie de tríptico sobre mulheres de alguma forma apartadas da sociedade.

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Democracias em crise, teorias em transe. Luis Felipe Miguel e Luciana Ballestrin (org.)
Autêntica // 240 pp // R$ 64,90

O volume compila textos que refletem sobre os limites das instituições democráticas, propondo caminhos para enfrentar uma crise que desafia, mais do que política, a própria ordem social.

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O quarto do bebê. Anabela Mota Ribeiro.
Bazar do Tempo // 284 pp // R$ 78

A jornalista e escritora portuguesa reflete sobre perda, maternidade e a violência estrutural contra as mulheres em seu primeiro romance. Nele, a descoberta do diário de uma das pacientes de seu pai, um psicanalista já morto, leva a uma obsessão inesperada e à descoberta de uma forma de reatar os laços com a memória de seu genitor.

Assinantes da Quatro Cinco Um têm 20% de desconto no site da Bazar do TempoConheça o Clube de Benefícios 451.


Morro doce. Bianca Vasconcellos
Rua do Sabão // 196 pp // R$ 68,90

A jornalista narra a transição de gênero do músico Apolo Pinheiro e as dificuldades que ele enfrentou para assumir sua identidade masculina nos palcos e fora deles após viver anos como uma mulher lésbica.


O desabamento. Édouard Louis
Trad. Marilia Scalzo // Todavia // 168 pp // R$ 69,90

Depois de dissecar as biografias de sua mãe, de seu pai e dele próprio, o autor de Mudar: método, considerado um dos principais nomes da autoficção contemporânea, se volta para a trajetória de seu irmão mais velho, morto precocemente aos 38 anos após uma vida permeada pela violência e pela desesperança.

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Leia mais: Com o relato da morte do irmão mais velho, o mais recente romance de Édouard Louis encerra o ciclo de narrativas sobre a família que teve que abandonar para se tornar quem é


Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Acho que vamos todas para o céu. Júlia Silva Moreira.
Diadorim // 286 pp // R$ 76
Repassa as memórias de uma travesti, da infância à vida adulta, para então revelar a origem de seu nome. Romance de estreia da autora.

A escritura e a arte na era da inteligência artificial. Philippe Willenart.
Iluminuras // 160 pp // R$ 79
O pesquisador elenca os motivos pelos quais acredita que os humanos jamais se renderão às criações artísticas de modelos de linguagem generativa.

A primeira coisa que existiu: poesia brasileira para jovens leitores. . Bruna Beber e Fabrício Corsaletti.
Ils. Gabriel Furmiga // Baião // 64 pp // R$ 54,90
Coletânea com obras de vinte poetas — incluindo Arnaldo Antunes, Chacal e Ledusha Spinardi — que celebram a poesia como encanto e descoberta.

Divo. Rosemara M. Neto.
Quixote // 112 pp // R$ 56
A sátira atravessa décadas da vida do protagonista, um homem do campo ingênuo que não percebe o efeito que causa sobre os que estão ao seu redor.

Georges: edição comentada. Alexandre Dumas.
Trad. Jorge Bastos // Pref. Eric Martone // Clássicos Zahar // 296 pp // R$ 89,90
O autor reivindica sua negritude neste romance em que o protagonista, um “orgulhoso mulato” filho de um rico fazendeiro em uma colônia francesa, lidera uma revolta demandando a liberdade dos escravizados locais.

Colaboraram neste Listão: Maria Fernanda Barros, Jaqueline Silva e Manuela Stelzer

Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, editora da Quatro Cinco Um, é autora de Tantra e a arte de cortar cebolas (Editora 34).

Clara Balbi

Jornalista, foi editora-assistente da Ilustrada, caderno de cultura da Folha de S.Paulo