História,

Fernando Rosas vem ao Brasil lançar ‘Salazar e os fascismos’

Historiador português participa no Rio de seminário sobre os cinquenta anos da Revolução dos Cravos, que pôs fim à mais longeva ditadura da Europa

03out2023

Discussões sobre o fascismo costumam deixar de fora o Estado Novo português, regime comandado por António de Oliveira Salazar por mais de quarenta anos. Será que a mais longeva ditadura da Europa, que só caiu após a Revolução dos Cravos, em 1974, está mesmo distante dos regimes autoritários de Adolf Hitler na Alemanha e Benito Mussolini na Itália?

O historiador português Fernando Rosas acredita que não, e seu Salazar e os fascismos: ensaio breve de história comparada antecipa já no título o cotejo que o autor faz entre a experiência lusa e os demais fascismos europeus do período entreguerras. É também sobre isso que ele fala no Rio de Janeiro na próxima semana.

Premiado pela Academia Portuguesa da História, o ensaio do historiador passa por uma rápida revisão da historiografia, discute relações entre história e memória, analisa as condições em que o fascismo surgiu e elabora um esboço comparativo entre os diferentes regimes. Rosas também usa sua experiência acadêmica para trazer reflexões atuais, num esforço de apreender as semelhanças com a onda conservadora que tomou o mundo nos anos recentes.

Em resenha publicada na revista dos livros, o também historiador Lincoln Secco, da USP, destaca o argumento de Rosas sobre como Salazar conseguiu instituir um regime próprio e duradouro: “Talvez possamos definir o salazarismo como o mais bem-sucedido desses [fascismos europeus], porque soube se adaptar. O historiador demonstra que o regime foi a ‘modalidade portuguesa’ do movimento, ‘nacionalista, corporativo, antidemocrático, policial’”. Lira Neto, autor da celebrada trilogia sobre Getúlio Vargas e de biografias de outras importantes figuras da cultura nacional, assina a orelha da edição brasileira, lançada pela Tinta-da-China Brasil, selo editorial da Associação Quatro Cinco Um.

Lançamento no Rio

O autor estará no Brasil para lançar Salazar e os fascismos na próxima terça, 10, no Rio de Janeiro. Rosas participará do 18º Seminário Internacional da Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses, evento que antecipa o cinquentenário da Revolução dos Cravos, em 2024, com encontros entre quinze professores de instituições brasileiras e portuguesas na PUC-Rio.

Professor da Universidade Nova de Lisboa, Rosas participará do debate de abertura do evento, em conferência mediada pela professora Izabel Margato, da PUC-Rio. Na noite da mesma terça, às 19 horas, o autor lançará o livro na Livraria da Travessa de Botafogo, ao lado de Margato e do professor Alexandre Montaury, organizadores do seminário, que lançarão as coletâneas de ensaios Imagens do real e a escrita da experiência e Humanidades: democracia e liberdade, ambos pela editora 7 Letras.

Próximos títulos

Uma das editoras mais inventivas de Portugal, a Tinta-da-China aportou no Brasil em 2012 e desde 2022 é o selo editorial da Associação Quatro Cinco Um. Cumprindo a função da associação de difusão da cultura do livro, a editora tem uma série de lançamentos previstos para os próximos meses.

Ainda em outubro, a nova coleção “Ensaio Aberto”, organizada por Tatiana Salem Levy e Pedro Duarte, será inaugurada com dois novos títulos: A parte maldita brasileira, de Eliane Robert Moraes, e Não escrever (com Barthes), de Paloma Vidal. Em novembro está previsto o lançamento de Morte e ficção do rei Dom Sebastião, do historiador André Belo.