Do berço carioca à juventude carnavalesca, passando pelo exílio nos anos de chumbo e pelos escritos sobre feminismo e liberdade, até sua chegada à cadeira dez da Academia Brasileira de Letras (ABL), Rosiska Darcy de Oliveira não se esquivou de riscos e percalços ao longo da vida. Esses e vários outros capítulos da trajetória da escritora e professora são rememorados na coletânea Rosiska, uma fotobiografia, publicada pela Edições Pinakotheke, que une centenas de retratos e excertos de sua produção literária e acadêmica.
Organizada por três amigas — Cristina Aragão, Maria Celeste Garcia e Izabella Teixeira —, a fotobiografia narra os mais de oitenta anos de Rosiska não somente pelas lentes de fotógrafos consagrados, mas também por registros cotidianos de seu marido, o diplomata Miguel Darcy de Oliveira. As imagens ganham contexto e profundidade a partir de fragmentos de textos da biografada, como do célebre Elogio da diferença: o feminino emergente (Rocco, 2012) e do discurso de posse na presidência do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Entre fotografias com Paulo Freire, Fernanda Montenegro, Gilberto Gil, Ana Maria Machado e outros figurões da cena política e cultural brasileira, a coletânea aprofunda o grande apreço de Rosiska pela liberdade, que lhe foi negada durante a ditadura militar (1964-85), desembocando no exílio na Suíça após a prisão inesperada de seu marido. A obra também relembra seus anos como professora na Universidade de Genebra, onde foi precursora dos estudos de gênero, além de trazer entrevistas e depoimentos que destacam seus esforços constantes pela consolidação da democracia. A seguir, a Quatro Cinco Um reproduz algumas das imagens presentes no livro.
Neste lago, Rosiska aprendeu a nadar (Acervo da família/Divulgação)
Rosiska em 1977 (Acervo da família/Divulgação)
Rosiska no baile de carnaval, no Copacabana Palace - Rio de Janeiro, circa 2004 (Miguel Darcy/Divulgação)
Rosiska com Alexander Calder, em Saché, França (Miguel Darcy/Divulgação)
Rosiska com o amigo Darcy Ribeiro na saída para o Baile da Cidade, em 1985 (Miguel Darcy/Divulgação)
Rosiska e Fernanda Montenegro na primeira temporada de Viver sem tempos mortos, adaptação do livro A cerimônia do adeus, de Simone de Beauvoir, com direção de Felipe Hirsch e direção de arte de Daniela Thomas, em 2009 (Miguel Darcy/Divulgação)
Rosiska no salão francês da Academia Brasileira de Letras, onde o acadêmico fica sozinho momentos antes de tomar posse, em 2013 (Guilherme Gonçalves/Acervo Academia Brasileira de Letras)
