Atenta aos dramas humanos e ecológicos provocados pela ação das mineradoras, a jornalista Cristina Serra, autora de Tragédia em Mariana: a história do maior desastre ambiental do Brasil (Record) investe em um novo livro-reportagem para mostrar mais um caso de vidas dilaceradas pela atividade extrativista. Dessa vez, ela se volta para um episódio muito pouco noticiado: o afundamento de solo causado a partir do ano de 2018 pela extração de sal-gema em Maceió, ação da petroquímica Braskem, o que abriu crateras nas ruas e fissuras em pisos e paredes de lares de cinco bairros da capital alagoana: Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e Farol.
Em Cidade rachada: como a mineração engoliu cinco bairros em Maceió e arruinou a vida de 60 mil pessoas, publicado pela editora Máquina de Livros, Cristina recupera essa tragédia e procura dar a ela o espaço que os noticiários não deram. “Tal como Mariana e Brumadinho, o afundamento dos bairros em Maceió é resultado da combinação perversa de descaso com a vida humana e com o meio ambiente, extrativismo predatório, lucro acima da preocupação com segurança, omissão e cumplicidade de agentes públicos e poder político capturado”, escreve a autora na introdução da obra que terá evento de lançamento na próxima sexta-feira (14), às 19h, na COP 30, em Belém, na Casa da Mata Atlântica.
A Quatro Cinco Um reproduz algumas imagens que ilustram o livro:
O cenário distópico de casas vazias e destroçadas em Maceió (Carlos Eduardo Lopes/Divulgação)
Rachaduras nas casas eram ameaça constante para os moradores (Jorge Vieira/ Divulgação)
Piso de uma cozinha com rachadura: o tremor comprometeu milhares de casas em cinco bairros de Maceió (Jorge Vieira/ Divulgação)
Para autora do livro, afundamento de solo em Maceió representa descaso com a vida humana e com o meio ambiente (Joédson Alves/Agencia Brasil/Divulgação)
Em torno de 60 mil pessoas foram atingidas pelo afundamento de solo provocado pela extração de sal-gema em Maceió (Joédson Alves/Agencia Brasil/Divulgação)