Crônica de Natal,

Conversa, música e as coisas tecendo um idioma específico

A poeta gaúcha descreve uma noite de Natal típica em sua família

19dez2025

Minha ceia de Natal acontece geralmente em Passo Fundo (RS), na casa dos meus pais. Fazemos uma janta simples, nada de mais, a gente gosta da função de estar reunido conversando e dando risada, por si.

Sempre tem música ao fundo, numa seleção que não sei bem classificar. Vai de “Hurt”, do Johnny Cash (somos dramáticos) até o clássico “Perigosa e linda, jeito de bandida, mas com um toque sedutor” (somos suspeitos), do glorioso grupo Os Atuais. Só pra se ter uma ideia.

As conversas variam: futebol (meu irmão é jornalista esportivo, meu pai jogava), trocas de família, bobagem, trabalho.

Meu marido está sempre junto; minha irmã se arruma, eu faço a maionese, minha maionese é a melhor de todas. Se tem coisa neste mundo que é boa é a tal da batata.

Não falamos de poesia ou de escrita. Mas as coisas ali vão tecendo seu idioma específico, tento escutar.

Quem escreveu esse texto

Mar Becker

É autora de Cova profunda é a boca das mulheres estranhas (Círculo de Poemas).