Conceição Evaristo, Mart’nália, Patrick Chamoiseau e Mano Brown (Divulgação; Reprodução)

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Flup 2025 promove encontros de Conceição Evaristo com escritores negros francófonos

A 15ª edição da Festa Literária das Periferias, que começa em 19 de novembro no Rio de Janeiro, terá ainda a participação do cineasta Steve McQueen, batalha de rimas e shows de Mart’nália e Mano Brown

12nov2025 • Atualizado em: 24nov2025

O Viaduto de Madureira, no Rio de Janeiro, recebe de 19 a 23 e de 27 a 30 de novembro mais uma edição da Festa Literária das Periferias, a Flup. Neste ano, a homenageada é a escritora mineira Conceição Evaristo, que participa de oito mesas ao lado de convidados como Mireille Fanon, jurista e filha do psiquiatra martinicano Frantz Fanon; Patrick Chamoiseau, autor francês de origem martinicana vencedor do Goncourt por Texaco; e Yanick Lahens, escritora haitiana que acaba de publicar no Brasil o romance Banho de lua (Bazar do Tempo). A programação está sujeita a modificações.

A programação da Flup também traz um encontro com Ana Maria Gonçalves, que na sexta-feira da semana passada (7) tomou posse na Academia Brasileira de Letras — ela é a primeira mulher negra a ter um assento na instituição. Além dos debates sobre literatura, o festival promove uma batalha de rimas com dezesseis escolas municipais do Rio e shows com artistas emblemáticos da cultura negra brasileira, como o rapper paulistano Mano Brown, as sambistas fluminenses Mart’nália e Sandra de Sá, e as cantoras soteropolitanas Luedji Luna e Majur. 

Diálogos transatlânticos 

A programação da Flup 2025 conta com apoio da Embaixada da França e promove diálogos entre autores do Brasil e escritores do Atlântico negro francófono. O festival recebe nomes da literatura em língua francesa do Haiti, Martinica, Guadalupe, Camarões, Ilhas Maurício e França.

Patrick Chamoiseau, que é capa da edição de novembro da Quatro Cinco Um, tem encontro marcado com Conceição Evaristo e o público da Flup na sexta (21), às 20h30. O autor acaba de publicar quatro livros no Brasil: Escrever em país dominado, pela editora Bazar do Tempo, e Contos dos sábios crioulos, Irmãos migrantes e O contador, a noite e o balaio, estes três últimos pela Editora 34. 

Em entrevista à Quatro Cinco Um, Chamoiseau conta como sua obra literário-ensaística navega no rio narrativo aberto, com dança, sons e crioulidade da Martinica: “Quando a linguagem de um escritor é poderosa, a beleza é suscetível de visitá-lo. Se a beleza visita uma obra, isso significa que ela tocou aquele mistério que chamamos de literatura. Mas isso é muito raro”, disse. 

Quem também cruza fronteiras para participar da Flup é a escritora mauriciana Ananda Devi. Autora do romance Eva dos seus escombros, que acaba de chegar às livrarias brasileiras pela Meia Azul, Devi conversa no sábado (22), às 14h, com o poeta palestino Ghayat Almadhoun e a jornalista indígena Olinda Tupinambá sobre a literatura como ferramenta de resistência cultural em meio aos exílios e migrações. 

No mesmo dia, às 16h, uma mesa reúne Itamar Vieira Junior, que acaba de lançar Coração sem medo (Todavia), último romance da trilogia iniciada com Torto arado, e o escritor e cineasta caribenho Olivier Marboeuf, cujo livro Fugas decoloniais: aquilombamentos nas margens das imagens ganhou tradução brasileira este ano. No dia seguinte (23), às 20h30, o filósofo afro-francês Dénètem Touam Bona, autor do recém-publicado Sabedoria dos cipós (Ubu), dá continuidade ao assunto em um bate-papo com o compositor, pesquisador e tradutor baiano Tiganá Santana sobre possibilidades de aquilombamentos em sociedades com heranças coloniais. 

Escrita, cinema e diáspora

Na quinta (27), às 19h, a Flup organiza, na Central Única das Favelas (CUFA), um encontro com o cineasta Steve McQueen, vencedor do Oscar por 12 anos de escravidão, sobre Mangroove, filme da série Small Axe, de McQueen. Na sexta (28), às 20h, McQueen também estará presente no bate-papo com Gabriel Martins, diretor de Marte um, vencedor do prêmio Grande Otelo da Academia Brasileira de Cinema. O encontro ainda terá a participação das cineastas Safira Moreira, Dione Carlos, Grace Passô, Juliana Vicente e Patricia Kingori. 

No mesmo dia, a homenageada Conceição Evaristo se encontra, às 18h, com a filósofa carioca Denise Ferreira da Silva, professora da Universidade de Nova York. A conversa terá como mote a “escrevivência”, conceito literário criado por Evaristo, e a filosofia anticolonial de Ferreira, num debate sobre como a literatura e a filosofia podem, juntas, levar a transformações. 

Logo depois, às 20h, a autora de Meridiana (Companhia das Letras) Eliana Alves Cruz se reúne com seus irmãos, Barbara Cruz, Paulo Vicente Cruz e Adriana Cruz, para relembrar suas trajetórias e formular caminhos para um Brasil onde prevaleça a justiça racial. Também 

O escritor carioca Jeferson Tenório que ano passado lançou De onde eles vêm (Companhia das Letras), também revisitará memórias ao lado da escritora estadunidense Alexis Pauline Gumbs — que neste ano publicou a biografia Audre Lorde: sobreviver é um universo (Todavia). No encontro, que será no sábado (29), às 20h, os dois conversam sobre histórias submersas e a escrita como diáspora.

Confira a programação completa