Ilustração de Jan Limpens

Literatura infantojuvenil,

Leitores de carteirinha: setembro 2025

Jovens frequentadores de bibliotecas comunitárias resenham seus livros preferidos

31ago2025 • Atualizado em: 08set2025 | Edição #97

Beatriz Carla D.  S. Macêdo, 19 — Recife (PE)

Taylor Jenkins Reid. Os sete maridos de Evelyn Hugo. Tradução de Alexandre Boide
Paralela • 360 pp • R$ 69,90

Hoje vou falar um pouco sobre Os sete maridos de Evelyn Hugo, de Taylor Jenkins Reid. Lançado em 2019 nos Estados Unidos, o livro foi o vencedor na categoria Ficção Histórica do Goodreads Choice Awards, premiação anual organizada por uma rede social para leitores.

O romance narra a vida misteriosa e cheia de reviravoltas de Evelyn Hugo, uma lendária atriz de Hollywood. Prestes a completar oitenta anos, longe dos holofotes e disposta a revelar toda a verdade sobre sua trajetória, Evelyn decide enfim contar sua história.

Suas condições dizem que somente Monique Grant, uma jornalista promissora e pouco reconhecida, poderá publicar os seus segredos, em forma de biografia — e que esta só deverá ser publicada depois da morte da atriz.

A narrativa se alterna entre o ponto de vista de Monique e os relatos de Evelyn, que construiu sua fama por meio de sete casamentos — todos estratégicos — e de uma imagem cuidadosamente montada.

Preconceitos

Ao longo das entrevistas, a atriz conta sobre seus relacionamentos, sua origem humilde como filha de imigrantes cubanos em Nova York e a luta contra o machismo, o preconceito e o preço da fama em uma Hollywood glamourosa, mas também cruel.

Mais do que um drama sobre casamentos e escândalos, a obra é um símbolo de representatividade bissexual, já que Evelyn revela que seu verdadeiro amor foi uma atriz com quem viveu uma relação profunda, escondida por causa dos preconceitos da época.

A história traz uma crítica à indústria do entretenimento e ao preço que se paga para alcançar o sucesso

Cada capítulo, intitulado com o nome de um dos maridos de Evelyn, revela mais do que um simples relacionamento: mostra os sacrifícios e as decisões difíceis que ela tomou para proteger a si mesma e aqueles que amava. Um dos trechos do livro exemplifica bem a visão da atriz a respeito do mundo em que estava inserida:

Eu gostaria que o mundo fosse como você vê. Gostaria que o resto das pessoas com quem dividimos o planeta correspondesse às suas expectativas. Mas elas não estão à altura. O mundo é cruel, e ninguém está disposto a estender a mão a ninguém.

Mas o principal: ela deixa claro desde o início que não se arrepende de nada, pois tudo foi feito por amor ou sobrevivência.

Riso e dor

Com momentos de riso, dor, surpresa e empatia, o romance emociona ao mostrar que por trás da estrela de cinema havia uma mulher complexa, forte e longe de ser perfeita. Além disso, faz uma crítica sensível à indústria do entretenimento e ao preço que se paga para alcançar o sucesso.

No fim, só nos resta questionar: por que Monique Grant foi a jornalista escolhida para contar a verdadeira história de Evelyn Hugo e por que a atriz não quis que a história fosse publicada ainda em vida? Leia Os sete maridos de Evelyn Hugo para descobrir.

Quem escreveu esse texto

Beatriz Carla D.  S. Macêdo

19 anos, estuda em Recife (PE).

Matéria publicada na edição impressa #97 em setembro de 2025.

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