A cobertura especial d’A Feira do Livro, que acontece de 14 a 22 de junho, é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras
MINISTÉRIO DA CULTURA E PETROBRAS APRESENTAM
A FEIRA DO LIVRO 2025, Repertório 451 MHz,
Gaza está em toda parte
Alexandra Lucas Coelho faz uma denúncia do genocídio de palestinos em seu novo livro e diz que a Europa e a grande imprensa são cúmplices da tragédia
18jul2025Está no ar o 150º episódio do 451 MHz, o podcast dos livros. Este episódio traz como convidada a escritora e jornalista portuguesa Alexandra Lucas Coelho, que conversa com o poeta e crítico literário Eduardo Sterzi sobre a devastação da Faixa de Gaza. Coelho fala sobre seu novo livro Gaza está em toda parte (Bazar do Tempo), uma denúncia do genocídio de palestinos por Israel, e faz duras críticas à Europa e à grande mídia, que considera cúmplices da tragédia.
A conversa aconteceu em 16 de junho na mesa Gaza está em toda parte, durante A Feira do Livro 2025. Transformada em podcast, faz parte da temporada especial do 451 MHz com encontros da quarta edição do festival literário paulistano. O episódio foi realizado com apoio do Ministério da Cultura e tem apresentação exclusiva da Petrobras.
Dias antes do encontro, o conflito no Oriente Médio havia escalado com o maior bombardeio realizado por Israel a instalações nucleares e militares do Irã nos últimos anos. Esses ataques são mencionados antes do início da conversa na leitura de uma carta do filósofo húngaro-brasileiro Peter Pál Pelbart, que subiu ao palco e pediu à comunidade judaica, da qual faz parte, que repudie as ações israelenses contra os palestinos na guerra deflagrada pelos ataques do Hamas a Israel no 7 de outubro de 2023.
“É hora de arrebentar esse espelho que nos devolve uma imagem de sermos as maiores vítimas da história”, diz Pelbart, lembrando do genocídio de judeus no Holocausto. “É hora de, quebrando esse espelho, enxergar o rosto de quem está do outro lado dele”, afirma o filósofo sobre as vítimas palestinas da ação militar israelense em curso.
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Alexandra Lucas Coelho, que reúne reportagens, artigos e fotografias de viagens à Palestina em Gaza está em toda parte, diz que a mensagem de Pelbart vai ao encontro da sua coletânea. “Todas as palavras que o Peter Pál disse têm um eco muito fundo em mim e, de alguma forma, se relacionam intimamente com este livro. Porque esses judeus insubmissos de que ele falou atravessam este livro inteiro.”
Mãe e filha do genocídio
No episódio, a autora portuguesa critica a postura da Europa, a quem chama de “mãe e filha” do genocídio em Gaza. “O 7 de outubro não acontece no vácuo porque Gaza já era o maior escândalo neste planeta. A Europa, que é a mãe e a filha de Israel, a mãe e a filha deste genocídio, permitiu que mais de dois milhões de pessoas fossem enclausuradas, atiradas e abandonadas atrás daquele muro a partir de 2005”, diz, lembrando da barreira Israel-Gaza, construída a partir de 2002 e composta também por cercas de arame farpado e paredes de aço.
A origem do Estado de Israel, afrma Coelho, está diretamente conectada ao antissemitismo europeu, que alcançou sua expressão máxima no Holocausto promovido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Segundo a escritora, os europeus antissemitas se aliaram depois aos defensores da criação do Estado de Israel na Palestina, “pois se os judeus fossem para lá, eles não estariam na Europa”.
“Os palestinos estão a expiar tudo aquilo que é culpa da Europa, antes de mais nada. E é exatamente por isso que a Europa tinha a obrigação, antes de toda a gente, de impedir que [o genocídio] acontecesse”, afirma a autora.
Estrelas ausentes
Ela também direciona suas críticas à grande imprensa, que não pressionou Israel a liberar a entrada, no território palestino, de jornalistas famosos e correspondentes de veículos de influência mundial. “Se as estrelas do jornalismo tivessem podido estar em Gaza, Israel não tinha podido bombardear Gaza, não tinha podido tratar aquele território como tratou. Portanto, o jornalismo ocidental foi cúmplice”, diz a escritora. “Para mim é a maior tragédia, o maior colapso, a maior abdicação na história do jornalismo. É uma das tragédias dentro desta tragédia.”
“Não conheço ninguém que tenha entrado naquela pequena faixa de terra, nenhum repórter, que não tenha percebido que aquilo não se comparava com nada no planeta. Como é que foi possível esquecer aquelas pessoas ali todos estes anos, desde 2005?”, resume Coelho.
Livros do episódio
Veja abaixo os livros que aparecem nesta edição do 451 MHz, incluindo títulos lançados pela convidada e outras leituras recomendadas:
- Gaza está em toda parte, de Alexandra Lucas Coelho (Bazar do Tempo, 2025).
- Oriente próximo, de Alexandra Lucas Coelho (Caminho, 2024).
- Líbano, labirinto, de Alexandra Lucas Coelho (Caminho, 2023).
- O meu amante de domingo, de Alexandra Lucas Coelho (Bazar do Tempo, 2021).
- A nossa alegria chegou, de Alexandra Lucas Coelho (Companhia das Letras, 2021).
- Deus-Dará, de Alexandra Lucas Coelho (Bazar do Tempo, 2019).
- Vai, Brasil, de Alexandra Lucas Coelho (Tinta-da-China, 2015).
- Viva México, de Alexandra Lucas Coelho (Tinta-da-China, 2013).
- Caderno afegão: um diário de viagem, de Alexandra Lucas Coelho (Tinta Negra, 2012).
- Hiroshima, de John Hersey, traduzido por Hildegard Feist (Companhia das Letras, 2002).
- Eichmann em Jerusalém, de Hannah Arendt, traduzido por José Rubens Siqueira (Companhia das Letras, 1999).
- Hiroshima está em toda parte, de Gunther Anders (Elefante, 2025).
- Nós, filhos de Eichmann: carta aberta a Klaus Eichmann, de Gunther Anders, traduzido por Felipe Catalani (Elefante, 2023).
- Memória para o esquecimento, de Mahmud Darwich, traduzido por Safa Jubran (Tabla, 2021).
Mais sobre a convidada
Alexandra Lucas Coelho é jornalista e escritora. A portuguesa já publicou quinze livros. O mais recente, Gaza está em toda parte (Bazar do Tempo), que ela lançou n’A Feira do Livro 2025, é uma crônica da aniquilação da Palestina, abrindo com a mais recente ida da autora a Gaza. O tema já tinha inspirado três obras anteriores dela: Oriente, próximo, seu primeiro livro, o romance E a noite roda, premiado pela APE (Associação Portuguesa de Escritores) em 2012, e Líbano, labirinto, a primeira obra de não ficção a vencer o Prêmio Oceanos, em 2021.
Temporada especial
Em julho, mês em que completa seis anos no ar, o 451 MHz publica uma temporada especial de quinze episódios com mesas que fizeram sucesso n’A Feira do Livro 2025. Ou seja, a cada dois dias, até 1º de agosto, um episódio novo do podcast dos livros vai ao ar. Saiba mais aqui.
O 451 MHz é uma produção da Associação Quatro Cinco Um.
Apresentação: Paulo Werneck
Produção: Beatriz Souza e Mariana Franco
Edição e mixagem: Fabio Teixeira
Identidade visual: Quatro Cinco Um
Apoio: Ministério da Cultura
Apresentação exclusiva: Petrobras
Para falar com a equipe: [email protected]
A Feira do Livro 2025 · 14 — 22 jun. Praça Charles Miller, Pacaembu
A Feira do Livro é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos dedicada à difusão do livro e da leitura no Brasil, Maré Produções, empresa especializada em exposições e feiras culturais, e em parceria com a Prefeitura de São Paulo.
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