A jornalista e escritora Marcella Franco (Renato Parada/Divulgação)

Trechos,

Retrato de um vínculo único

Maternidade solo é tema do livro de estreia de Marcella Franco, ilustrado por Paula Schiavon; leia um trecho

27abr2026

Solo, livro de estreia da jornalista e escritora Marcella Franco, chega às livrarias brasileiras esta semana pela Bazar do Tempo. A ilustração é de Paula Schiavon, autora de Diário das coisas impossíveis (Livros da Matriz, 2022), vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura na Categoria Infantil. Baseada na experiência pessoal de Franco, a obra mergulha na história de uma mãe e seu filho, apresentando a maternidade solo a partir das duas perspectivas que se entrelaçam durante o crescimento compartilhado.

Marcella é colaboradora frequente da Quatro Cinco Um. Na edição 105, assina a resenha de Enquanto você está aqui (Fosforo, 2026), da jornalista Camila Appel. Para a edição 101, a primeira de 2026, escreveu a reportagem “Alô, Ruth?”, dedicada à premiada autora de literatura infantojuvenil Ruth Rocha. 

Em maio de 2025, também para a revista revista dos livros, resenhou a autobiografia O novo agora (Alfaguara, 2025), de Marcelo Rubens Paiva: “O novo agora brilha ao esmiuçar a paternidade e seu consequente arrebatamento, e consegue ilustrar com afeto o reforço dos laços do autor com os pais, o deputado Rubens Paiva, assassinado pela ditadura, e Eunice Paiva, advogada e ativista pelos direitos humanos”.

Para o lançamento de Solo, a Bazar do Tempo promove eventos em São Paulo e no Rio de Janeiro, com sessão de autógrafos e conversa com a autora. Na véspera do Dia das Mães, dia 9 (sábado), a capital paulista recebe a autora na livraria Bibla, às 10h. No sábado seguinte, dia 16, o encontro acontece na Janela Livraria, com participação da jornalista Aline Midlej, apresentadora do Jornal das Dez, da GloboNews.

Trecho de Solo

Um dia, foi todo mundo embora. Sua avó já tinha feito as malas, e as visitas pararam de tocar a campainha para te conhecer, porque a gente só conhece alguém uma vez e depois chega. Seu pai também saiu e não voltou mais. Por um tempo, segurei sozinha você embrulhadinho e só esperei alguém chegar. Quando vi que continuava tudo igual e ninguém vinha, entendi que essa ia ser a nossa história.

Não tem malabaristas nas Olimpíadas. Mas você e eu seríamos medalhistas de ouro se participássemos de uma competição de quem equilibra melhor um monte de coisas sem ajuda de ninguém. Nossos dias eram um neném numa mão, na outra a colher na panela, um pé passando pano no chão, e o outro… bem, o outro tinha que ficar bem firme no chão, senão todo mundo caía.

Estou cansada e às vezes me sinto sozinha. Mas não é nada contra você.

Um dia, foi todo mundo embora. Eu fiquei embrulhadinho no colo da minha mãe. Outra lágrima gorda rolou na bochecha dela. Fiquei feliz porque agora ia ter minha mãe só para mim.

Os melhores momentos do dia eram quando minha mãe fingia que era uma malabarista. 

Eu dava muita risada! E, mesmo que ela equilibrasse colher, panela, pano e gato, o meu lugar no colo dela estava sempre garantido.

Acho que nossa história é diferente pra mim e pra minha mãe. Por exemplo, eu nunca me senti sozinho, porque ela estava lá pra mim o tempo todo. Mas minha mãe só tinha eu, e eu era uma criança, não um adulto.

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