Listão da Semana,
O nascimento da escrevivência
Defendida em 1996, dissertação de Conceição Evaristo chega às livrarias três décadas depois, reunindo pesquisa histórica e crítica sobre a tradição literária negra dos séculos 19 e 20 no Brasil
02mar2026O trabalho pioneiro de Conceição Evaristo, que deu origem ao conceito de escrevivência, virou livro e chega esta semana às livrarias. Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade, a dissertação de mestrado defendida em 1996, reúne pesquisa histórica e análise crítica sobre a produção de autores dos séculos 19 e 20, evidenciando o papel de memória e afirmação identitária da literatura negra.
Também na seleção da semana: Pequenos fantasmas, coletânea de contos de Humberto Werneck; Os esquecidos de domingo, de Valérie Perrin; O açúcar e a fome, trabalho clássico do sociólogo francês Robert Linhart sobre a economia açucareira no Brasil; Cobalto de sangue, sobre as consequências da exploração do metal na República Democrática do Congo; e mais novidades quentinhas.
Veja os lançamentos de semanas anteriores.
Literatura negra: uma poética de nossa afro-brasilidade. Conceição Evaristo.
Apres. Denise Carrascosa // Pref. Conceição Evaristo // Pallas // 208 pp // R$ 59
Mais Lidas
Defendida há três décadas, mas só agora publicada em formato de livro, a dissertação de mestrado de uma das mais celebradas escritoras brasileiras trata das características da literatura produzida por autores negros no país. Foi nesse trabalho que a autora apresentou pela primeira vez o seu conceito de escrevivência, hoje amplamente difundido.
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Pequenos fantasmas. Humberto Werneck.
Seja Breve // 80 pp // R$ 61,90
Coletânea de contos do jornalista e cronista, sua primeira e única obra de ficção, escrita quando tinha vinte anos, volta a circular após uma única edição de pequena tiragem em 2005. As histórias se passam em Minas Gerais e retratam a rotina e as descobertas (muitas vezes assombrosas) de homens e meninos da década de 60.
“Os vagalumes moravam perto da noite, na beira do rio. Pelas seis horas brotavam da neblina e picotavam a sombra num voo luminoso. O menino havia de esperar,
encolhido na moita, para ter o vagalume maior de todos.
– Joaninha, eu queria tanto casar com você.
– Bobo, só gente grande é que casa.
– Então eu quero ficar grande logo, pra casar com você.”
Trecho de Humberto Werneck “Pequenos Fantasmas”
Saiba mais sobre o livro
Os esquecidos de domingo. Valérie Perrin.
Trad. Sofia Soter // Intrínseca // 288 pp // R$ 69,90
A autora do best-seller Água fresca para as flores (Intrínseca, 2022) tem seu romance de estreia enfim publicado no Brasil. Na trama, uma jovem auxiliar de enfermagem se aproxima de uma idosa que vive na casa de repouso onde trabalha. A amizade improvável incentiva ambas a desvendarem segredos do passado.
O açúcar e a fome: pesquisa nas regiões açucareiras do Nordeste brasileiro. Robert Linhart.
Posf. Luiz Renato Martins // Contrabando Editorial // 184 pp // R$ 70
Publicado originalmente como reportagem do jornal francês Le Monde e depois transformado em livro, investiga o impacto da desregulamentação do trabalho e do uso da fome como instrumento de dominação durante a ditadura no Brasil pós AI-5. Nele, o sociólogo francês parte de depoimentos de trabalhadores bóias-frias, militantes e intelectuais para desenvolver um relato em primeira pessoa.
Cobalto de sangue: como as vidas no Congo movem o mundo conectado. Siddharth Kara.
Trad. Clóvis Marques // Rocco // 288 pp // R$ 89,90
Investiga a crise humanitária que assola a República Democrática do Congo a partir da mineração do cobalto, matéria-prima de diversas tecnologias que buscam reduzir a emissão de CO2 e que são, por isso, muito visadas por países que tentam honrar seus compromissos climáticos.
Vapt-vupt
+ novidades quentinhas
Astrologia pós-colonial: a leitura dos planetas por meio do capital, do poder e do trabalho. Alice Sparkly Kat.
Autêntica // 288 pp // R$ 87,90
A astróloga propõe uma leitura da história da astrologia, destrinchando sua relação com o idealismo romano, com o capital, o governo e a lógica neoliberal.
Excelsior. Alex Červený.
Trad. Ela Bittencourt e Fernando Scheibe // Intr. Nicolas Bourriaud // Ubu e Galeria Almeida & Dale // 296 pp // R$ 249
Primeiro panorama abrangente da obra do renomado artista paulistano. Em edição bilíngue, inclui um ensaio do professor e curador Giancarlo Hannud.
Antologia mamaluca. Sebastião Nunes.
Org. Fabrício Marques // Posf. Fabrício Marques // Círculo de Poemas // 296 pp // R$ 99,90
Reúne mais de cem trabalhos que, publicados originalmente entre 1968 e 1989, combinam texto e recursos imagéticos para satirizar convenções sociais.
Colaborarou neste Listão: Jaqueline Silva
