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Como salvar a democracia, por Levitsky e Ziblatt, e mais 13 lançamentos

Em ‘Como salvar a democracia’, os cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt sugerem medidas que possam salvar o sistema democrático e a política norte-americana pós-Trump

17nov2023 - 14h47 | Edição #75

Como salvar a democracia é uma das questões mais debatidas (e angustiantes) dessas primeiras décadas do século 21. É sobre ela que os cientistas políticos Steven Levitsky e Daniel Ziblatt se debruçam, procurando respostas no cenário dos Estados Unidos pós-Trump, no ensaio que chega esta semana às livrarias. 

Junto com ele, chegam às prateleiras um livro de poemas de Anne Sexton; um romance de José Luís Peixoto; uma versão atualizada do clássico O animal social, de Elliot e Joshua Aronson; a poesia de Charles Bukowski e a de Renata Penzani, um ensaio sobre as torcidas esportivas, um romance sobre pai e filho de Fernando Rinaldi; e mais novidades quentinhas. 

Viva o livro brasileiro!

Como salvar a democracia. Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.
Trad. Berilo Vargas • Zahar • 320 pp • R$ 79,90

Na sequência de Como as democracias morrem (2018), escrito depois da eleição de Donald Trump em 2016, os cientistas políticos norte-americanos sustentam que, apesar dos tropeços, os Estados Unidos estão caminhando rumo a uma democracia multirracial, mas seguem vulneráveis a reações autoritárias, pois não conseguiram eliminar instituições obsoletas (eleições indiretas, juízes vitalícios) que permitem que minorias partidárias e supremacistas dominem as maiorias populares de forma tirânica. Por isso eles propõem medidas para tornar as instituições mais sólidas.

Leia mais: Livro de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt escarafuncha as causas da crise que acomete as democracias mundo afora, para além do populismo e da demagogia

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Compaixão. Anne Sexton.
Trad. Bruna Beber • Relicário • 376 pp • R$ 89,90

Seleção de poemas da escritora norte-americana (ganhadora do prêmio Pulitzer de Poesia de 1967) que, ao longo da vida, enfrentou transtornos mentais e uma penosa luta contra a depressão. Seus versos abordam seus traumas de infância, suas dificuldades conjugais, seus problemas com drogas e álcool e os tormentos da vida doméstica de uma forma bastante crua e impactante. 

Ouça também: O podcast 451 MHz recebe a jornalista Patricia Campos Mello e a historiadora Silvana Jeha para uma conversa sobre mulheres, insubmissão e loucura

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Almoço de domingo. José Luís Peixoto.
Companhia das Letras • 216 pp • R$ 69,90

Autor de Autobiografia (com José Saramago como protagonista), o escritor português ganhou o Prêmio Oceanos em 2016 por Galveias. Neste novo romance, Peixoto recupera as memórias de um grande empresário, dono de um império cafeeiro em Portugal, para expor a história recente do país a partir da ascensão de António de Oliveira Salazar ao poder, passando por eventos como a Guerra Civil Espanhola, o governo de Marcello Caetano, a Revolução dos Cravos e a figura do premiê socialista Mário Soares. 

Leia também: O historiador português Fernando Rosas mostra como Salazar instituiu regime próprio e duradouro, equilibrando nacionalismo e liberalismo

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O animal social. Elliot Aronson com Joshua Aronson.
Trad. Marcello Borges • Goya • 504 pp • R$ 99,90

Nova tradução do livro escrito em 1972 (e atualizado em 2017) pelo psicólogo social norte-americano, que discute questões como o preconceito, a violência, o bullying, a comunicação de massa e a política com base em inúmeros experimentos, buscando explicar os padrões que levam os indivíduos a agir de determinadas formas.

Leia tambémFatalismo, liberdade e a luta pelo futuro

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Arder na água, afundar no fogo: poesia. Charles Bukowski.
Trad. Alexandre Bruno Tinelli • HarperCollins • 240 pp • R$ 69,90

Com prefácio de Angélica Freitas, reúne quatro coletâneas de poemas do grande escritor americano (nascido na Alemanha): Meu coração em outras mãos (poemas de 1955 a 1963), Crucifixo na mão de uma caveira (1963 a 1965), Rua do Terror esquina com Via da Agonia (1965 a 1968) e Arder na água, afundar no fogo (1972 a 1973): “Acordei na maior secura e as samambaias estavam mortas/ as plantas amarelas que nem trigo/ minha mulher tinha ido embora/ e as garrafas vazias que nem cadáveres no chão/ me rodeavam sem serventia/ o sol contudo ainda brilhava”.

Ouça também: Em diálogo com Joyce, Baudelaire, Pessoa e Drummond, o poeta Paulo Henriques Britto une ironia e rigor da forma em nova coletânea

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Maracujá. Renata Penzani.
Laranja Original • 112 pp • R$ 40

Autora do romance infantojuvenil A coisa brutamontes (Cepe), finalista do prêmio Jabuti de 2019, a escritora e jornalista lança um livro de poemas: “quase tudo passa/ depressa demais/ algumas coisas/ nunca acontecem de novo/ para sempre é só uma questão de perspectiva/ cultive algumas/ vocês podem muito mais/ que imaginam/ (mesmo que imaginem bastante)”.

Leia também: Livro infantojuvenil responde às perguntas filosóficas sobre o tempo e a infância de forma poética

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Torcidas: o estádio como ritual de intensidade. Hans Ulrich Gumbrecht.
Trad. Nicolau Spadoni • Editora Unesp • 128 pp R$ 48

Professor emérito de literatura comparada na Universidade Stanford (onde lecionou por quase trinta anos), o premiado crítico alemão é também um grande fã dos esportes (o livro Elogio da beleza atlética, de 2007, revela seu fascínio por diversas modalidades). Neste ensaio de 2021, ele faz um elogio às multidões e ao estado de espírito que emana dos estádios.

Leia também: Com doses misteriosas de fato e ficção, o escritor Mario Prata narra em seu novo livro onde, quando, como e por que surgiu o futebol

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Dueto dos ausentes. Fernando Rinaldi.
Reformatório • 288 pp • R$ 64

Romance em que dois narradores contam sua própria história enquanto comparecem como personagens nos relatos dos outros. De um lado, um psicanalista que, após perder o único filho, começa a escrever um diário no qual transforma o filho num personagem cujo pai nunca existiu. De outro, um filho que narra sua vida desde a infância, rememorando as descobertas do corpo, a consciência da morte e ausência do pai.

Leia também: Despedidas do pai — Em novo romance, Natalia Timerman fala das pequenas chances que nos chamam antes do ‘nunca mais’

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Vapt-vupt
+ novidades quentinhas

Discursos de ódio contra negros nas redes sociais. Luciana Barreto.
Pallas • 112 pp • R$ 45

Baseado no mestrado da autora, o livro investiga a história do racismo no Brasil e expõe o discurso de ódio nas redes sociais em nome da “liberdade de expressão”.

Fronteiras visíveis. João Anzanello Carrascoza e Juliana Monteiro.
Maralto • 184 pp • R$ 49,90

Os criadores do Catálogo de perdas (2017) apresentam sete pares de contos, precedidos por imagens fotográficas, sobre as relações afetivas e os ciclos da vida.

Prometeu prisioneiro. Ésquilo.
Trad. Trajano Vieira • Editora 34 • 184 pp • R$ 65

Nova tradução dessa peça magistral, em que Prometeu, titã castigado por Zeus por ter ensinado o uso do fogo aos humanos, critica todos os deuses.

O nome da rosa: graphic novel. Umberto Eco & Milo Manara.
Trad. Raphael Salomão Khede • Record • 72 pp • R$ 89,90

Autor de Clic (1983), o quadrinista italiano confere uma forma visual ao célebre romance de Eco, em que o protagonista tem os traços de Marlon Brando.

Dias malditos. Ivan Aleksêievitch Búnin.
Trad. Márcia Vinha • Carambaia • 212 pp • R$ 99,90

Anotações feitas pelo escritor russo (que ganharia o Nobel em 1933, após se exilar na França) em 1918 e 1919, em meio ao caos que se seguiu à Revolução Russa.

Os olhos do meu pai. Menalton Braff.
Reformatório • 168 pp • R$ 58

O novo romance do escritor gaúcho (ganhador dos prêmios Jabuti e Machado de Assis) está centrado num embate trágico entre pai e filho de uma família rural.

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Quem escreveu esse texto

Iara Biderman

Jornalista, , editora da Quatro Cinco Um, está lançando Tantra e a arte de cortar cebolas (34)

Mauricio Puls

É autor de Arquitetura e filosofia (Annablume) e O significado da pintura abstrata (Perspectiva), e editor-assistente da Quatro Cinco Um.

Matéria publicada na edição impressa #75 em outubro de 2023.