Ministério da Cultura apresenta
Praça lotada durante a mesa Foro n'A Feira (Matias Maxx/Terebi/A Feira do Livro)

A FEIRA DO LIVRO 2026,

‘Foro de Teresina’ e Sandro Veronesi lotam primeiro dia d’A Feira do Livro

Literatura, alimentação, política, música, escrita, maternidade e cultura popular foram temas debatidos nas mesas

31maio2026

O primeiro dia d’A Feira do Livro 2026, que começou neste sábado (30), foi marcado por plateias cheias, como a lua que iluminou a noite de estreia da quinta edição do evento paulistano. No Palco da Praça, foi difícil encontrar uma brecha para assistir à apresentação ao vivo do podcast Foro de Teresina, que encerrou a programação oficial do dia. 

O escritor italiano Sandro Veronesi, autor dos romances O colibri e Caos calmo, ambos publicados pela Autêntica Contemporânea, também atraiu grande público e ficou mais de uma hora dando autógrafos na tenda da Livraria da Travessa, a livraria oficial do festival.

O escritor italiano Sandro Veronesi (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

Durante o Foro de Teresina, a plateia se aglomerou nas laterais do palco para ver os apresentadores Ana Clara Costa, Fernando de Barros e Silva e Celso Rocha de Barros. O trio analisou os efeitos políticos, para a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, da classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como grupos terroristas pelos Estados Unidos. 

A versão ao vivo do podcast ainda abordou os desdobramentos mais recentes do caso do Banco Master e teve um momento especialmente divertido: os espectadores participaram do tradicional quadro “Kinder Ovo”, em que os integrantes tentam adivinhar quem são as figuras públicas responsáveis por declarações reproduzidas em clipes sonoros — em duas das três rodadas, quem venceu foi o público.

A política também foi tema da faixa Folha na Praça, na qual os jornalistas da Folha de S.Paulo Eduardo Scolese e Gabriela Biló realizaram um balanço sobre as dificuldades enfrentadas pela imprensa durante o governo de Jair Bolsonaro. Na conversa mediada pela jornalista Flavia Lima, ex-ombudsman do jornal, eles defenderam a importância da atuação jornalística durante a pandemia e discutiram como esse período os preparou para a cobertura de momentos em que a própria democracia está em disputa. 

No Espaço Motiva Tablado Literário, houve uma conversa sobre democratização da cultura e importância da literatura e de outras artes na formação pessoal. A mesa Democratizar é fazer chegar reuniu Aninha de Fátima Sousa, da Fundação Itaú, Paulo Werneck, diretor-geral d’A Feira, e Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake e ex-secretário estadual de Cultura, com mediação de Renata Ruggiero, do Instituto Motiva. “Cultura não é um luxo; é algo que devia ser fundamental para todos, como saúde e educação”, disse a diretora da Fundação Itaú.

Ficção e poesia

Um dos nomes mais esperados do sábado (30), o escritor Sandro Veronesi começou sua conversa com o jornalista Ruan de Sousa Gabriel, do jornal O Globo, dizendo que há cinco milhões de italianos em São Paulo e que estariam todos na plateia do Palco Praça. Duas vezes vencedor do Prêmio Strega (por O colibri e Caos calmo), o escritor falou da aceitação do sofrimento humano e do heroísmo do homem comum.

Os Egana Djabbárova e Alberto Martins (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

Já os poetas Egana Djabbárova, russa de família azerbaijana, e Alberto Martins, autor de Boris e Marina: poemas (Companhia das Letras), exaltaram a poesia da vida na mesa Mãos destinadas à escrita, no Auditório do Museu do Futebol. O uso da violência como instrumento de poder, especialmente contra mulheres, foi denunciado por Djabbárova. A autora do romance As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita (Ars et Vita) contou à mediadora Marina Darmaros que a principal questão que tentou responder com seu recém-lançado primeiro livro em prosa foi: a violência é parte da nossa cultura? Segundo Djabbárova, homens dizem que têm atitudes violentas porque isso é parte da tradição, mas, para ela, a violência não é parte de nenhuma cultura.

Música e cultura popular

A Feira do Livro 2026 foi aberta com uma apresentação musical do Quinteto de Sopros do Instituto Baccarelli, tocando Ary Barroso, Luiz Gonzaga e trilhas sonoras de filmes. O conjunto de câmara do instituto atraiu mães e pais que aproveitaram a manhã para levar os filhos ao festival literário paulistano.

A música também foi a tônica num encontro recheado de boas histórias. A escritora e tradutora norte-americana Tracy Mann compartilhou episódios do seu convívio com artistas brasileiros, como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Dominguinhos, nos anos 70. As memórias da autora estão no livro O mundo todo é Bahia: memórias do Brasil (Laranja Original). Na conversa da mesa Enquanto corria a barca, mediada pelo escritor João Paulo Cuenca, Mann se emocionou ao lembrar que, quando eram crianças, os dois filhos de Gil que morreram, Pedro e Preta, brincavam com ela.

Luiz Antonio Simas, Alberto Mussa e Fernanda Mena (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

Na mesa Encantarias brasileiras, que abriu os debates do evento, o historiador, músico e babalaô Luiz Antonio Simas e o romancista Alberto Mussa protagonizaram um encontro inspirador, que teve muita cantoria e especulações acerca de passados e futuros ancestrais. Mediada pela jornalista Fernanda Mena, da Folha de S.Paulo, a mesa reuniu os autores cariocas em uma conversa acalorada, que proporcionou uma conexão direta entre Rio de Janeiro e São Paulo a partir das tecnologias e saberes da rua, do samba e das encruzilhadas. 

A cultura afro-brasileira foi tema da mesa Estudos africanos a partir do Brasil e estudos brasileiros a partir das Áfricas, que inaugurou a programação do Tablado Mário de Andrade. No encontro, o professor, escritor e cantor Tiganá Santana e a coordenadora do núcleo de acervo do Instituto Çaré Angela Fileno falaram sobre o legado do antropólogo Pierre Verger para os estudos afro-brasileiros e as críticas pós-coloniais que são feitas ao trabalho do francês. A conversa teve como mote o lançamento de Iorubahia (Letra da Cidade), uma coletânea de textos raros escritos por Verger entre os anos 1960 e 80. 

Memória e família

Já o Auditório do Museu do Futebol recebeu a escritora Noemi Jaffe e o poeta Eucanaã Ferraz, com mediação de Tarso de Melo, na mesa Escrita e memória. A conversa girou em torno da atração criada pelas palavras na vida dos dois autores, de lembranças de infância e de como a família influenciou os livros mais recentes de ambos. 

Jaffe publicou, no ano passado, o romance Te dou minha palavra (Companhia das Letras), em que faz de sua infância e adolescência como filha de sobreviventes do Holocausto a matéria-prima da narrativa. Já Ferraz está lançando Aramão (Companhia das Letras), híbrido de poesia, ensaio, memória e crônica a partir de mitos e relatos autobiográficos.

Mesa Maternidades em perspectiva (Flavio Florido/Terebi/A Feira do Livro)

Outra mesa em torno de questões familiares foi Maternidades em perspectiva, que reuniu a a catalã Mar García Puig, autora de A história dos vertebrados, com a brasileira Marcella Franco, autora do recém-lançado Solo, ambos publicados pela Bazar do Tempo. As autoras conversaram a respeito do processo criativo das obras e refletiram sobre o futuro da maternidade, da paternidade e da criação de filhos.

Já a mesa Entre o silêncio e o encontro, do Espaço Motiva Tablado Literário, tratou de temas ligados ao comportamento humano. A jornalista Petria Chaves e o psicólogo Alexandre Coimbra Amaral falaram sobre os impactos da pandemia nas relações humanas, a apreciação do silêncio e a importância de discutir espaços de convivência espalhados pela cidade. Amaral criticou a cultura do individualismo, muito difundida por coachs, que defendem narrativas de superação sem a ajuda de outras pessoas.

Meio ambiente

Descolonizar o paladar foi um dos motes da mesa Floresta na boca, que reuniu a chef paulistana Bel Coelho, a antropóloga amazonense Inara Nascimento e a pesquisadora fluminense Rute Costa. Na conversa mediada pela jornalista Isabelle Moreira Lima, não faltaram menções a ingredientes e pratos da rica biodiversidade brasileira — e ficou o recado de que comer é um ato político.

O espaço socioambiental foi abordado pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, autor de Paisagismo sustentável para o Brasil (Olhares), que discutiu caminhos e soluções para o enfrentamento da crise climática em grandes cidades. Na mesa Cidades verdes de terceira geração no Brasil, parte da programação paralela do evento, Cardim falou sobre a importância da educação ambiental, defendeu o uso de espécies nativas em projetos de restauração ecológica e explorou como as árvores viraram vilãs para os paulistanos.

Oficina As chuvas na Mata Atlântica (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

Já o Espaço Rebentos, voltado ao público infantojuvenil d’A Feira do Livro, foi inaugurado na manhã de sábado (30) com a oficina As chuvas na Mata Atlântica, conduzida pela artista plástica e ilustradora paulistana Claudia Marchetti. No festival, ela lança Ojuara: a chuva na Mata Atlântica (Seloceleste), segundo volume da trilogia que acompanha uma menina caiçara e fala da importância da preservação dos territórios e saberes ancestrais dos respectivos povos tradicionais.

Quadrinhos

A Japan House São Paulo realizou uma edição especial do seu tradicional encontro do Ciclo de Mangá, desta vez presencialmente, no Tablado Literário Bubu. O evento faz parte da iniciativa da instituição de discutir a sociedade japonesa com base nos mangás e teve como tema de maio Bakuman (JBC), escrito por Tsugumi Ohba e ilustrado por Takeshi Obata. O encontro foi mediado por Vinicius Garcia, um dos educadores do centro cultural. 

O quadrinho também brilhou na oficina Autobiografia em quadrinhos, que levou as crianças do Espaço Rebentos a soltar a criatividade e a imaginação na produção de uma tirinha. A atividade, conduzida pelo professor Lucas Lima e pela antropóloga e documentarista Maria Clara Guiral, apresentou técnicas da roteirista Iana Cossoy Paro para estimular a criação dos pequenos.

De zines a xilos

Também no Espaço Rebentos, o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) promoveu uma oficina de produção de fanzinescom mediação de educadoras da instituição. Mais conhecidas como “zines”, essas publicações mais independentes e livres incentivam a criatividade, além de permitir que, de maneira simples e rápida, novas histórias cheguem ao mundo.

O público presente pôde montar sua própria publicação a partir da pergunta “O que você quer contar para o mundo?”. Começando com a dobradura de uma folha no formato A6, a atividade criativa ensinou o passo a passo de como dar vida a livros únicos. Com giz, pincéis, lápis e recortes de revistas, novas histórias foram surgindo na tenda e na mente das crianças e dos adultos presentes. 

Oficina conduzida pelo XiloCeasa (Camila Almeida/Terebi/A Feira do Livro)

Outra oficina que deu asas à criatividade do público foi a de criação de xilogravuras. Conduzida pelo Coletivo XiloCeasa, a atividade transformou o legado de Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, em prática artística coletiva. A partir do livro A manga da terra (Ubu), crianças e adultos se reuniram em torno de uma técnica ancestral que dialoga com as ideias do pensador quilombola sobre comunhão e a relação entre seres humanos e natureza.

Houve também, no Espaço Rebentos, contação de histórias para crianças de três a dez anos, que sentaram para ouvir as palavras do brincante Ciro Prado, do coletivo Cafuzas. Os pequenos leitores puderam escolher entre diversos livros e, a cada narrativa concluída, uma nova ganhava espaço. De um jacaré com dor de dente a uma divertida festa à fantasia, as crianças aproveitaram a programação para mergulhar no universo da leitura e da imaginação.

A Feira do Livro 2026 

A quinta edição do festival literário, gratuito e a céu aberto, acontece de 30 de maio a 7 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizada pela Associação Quatro Cinco Um, a Maré Produções e o Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet, A Feira do Livro 2026 reúne mais de 100 autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de 200 atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.


A Feira do Livro
30 de maio a 7 de junho de 2026
Praça Charles Miller – Pacaembu – São Paulo/SP
Entrada gratuita
@afeiradolivro

Horário
Finais de semana e feriado: das 10h às 20h
Dias úteis (segunda, terça e quarta): das 14h às 21h

A Feira do Livro incentiva o público a visitar o festival a pé, de bicicleta, táxi, transporte por aplicativo ou transporte público. O estacionamento na praça é limitado.

Feira do Livro 30 de maio–7 de junho Praça Charles Miller, São Paulo Entrada gratuita

A Feira do Livro é uma realização da Associação Quatro Cinco Um, organização voltada para a difusão do livro no Brasil, da Maré Produções, empresa especializada em exposições de arte, e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet.

A edição de 2026 tem patrocínio ouro do Mercado Livre, da Motiva e da Prefeitura de São Paulo e prata do Itaú e Laranjinha Itaú. Juntos, os patrocinadores reforçam seu compromisso com o acesso à cultura, à leitura e à democratização do conhecimento. Conta ainda com o apoio do Pinheiro Neto Advogados, do Instituto Ibirapitanga, do Enjoei e da Companhia das Letras, além de parceria institucional da Livraria da Travessa, do Mercado Livre Arena Pacaembu, da SP Livro, do Museu do Futebol, junto à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. O evento também tem o apoio institucional da Embaixada da França no Brasil, do Instituto Camões, da Arco Educação, do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai, do Instituto Ramon Llull, da Gráfica Viena, da Chambril, da Kiro, da Frida & Mina, do INNSiDE by Meliá São Paulo Higienópolis, do Ernesto Tzirulnik Advocacia, da Ecooar, da ArPa, da ,ovo e do Bubu restaurante. A visibilidade e a difusão d’A Feira do Livro 2026 são ampliadas por meio de parcerias de mídia com a Quatro Cinco Um, Folha de S. Paulo, UOL, TV Brasil, Rádio Nacional, JCDecaux, Piauí, CartaCapital, Mídia Ninja, Nexo, Gama e PublishNews, que potencializam o alcance do evento.