A cobertura especial d’A Feira do Livro, que acontece de 14 a 22 de junho, é apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras
MINISTÉRIO DA CULTURA E PETROBRAS APRESENTAM
A FEIRA DO LIVRO 2025,
Adriana Lisboa, Júlia de Carvalho Hansen e a vida registrada em versos
Em mesa sobre seus últimos lançamentos, autoras comentaram a influência da escrita de diários e da presença das figuras paternas em suas obras
16jun2025Diários, crises, perdas, o cotidiano e tudo que pode alimentar a poesia permearam a conversa entre a escritora carioca Adriana Lisboa e a poeta paulistana Júlia de Carvalho Hansen durante a mesa Antes de dar nomes ao mundo, que aconteceu na tarde do domingo (15) n’A Feira do Livro, com mediação da crítica literária Luciana Araujo Marques.
Autora da coletânea de poemas que deu título ao encontro, lançada recentemente pela editora Relicário, Adriana Lisboa contou que o livro começou a ser escrito em 2021, com a morte do pai, e foi concluído no fim do ano passado. Segundo ela, Antes de dar nomes ao mundo tem algo de diário, ao compilar momentos específicos vividos pela poeta.
“A criação do livro em episódios foi se fazendo enquanto eu fazia outros trabalhos. Escrevi um ensaio autobiográfico sobre a perda dos meus pais, escrevi Os grandes carnívoros, romance sobre nossa relação com animais, e tem um pouco disso tudo aqui”, disse.
A forma de diário também permeia o recém-lançado Ano passado (Nós), de Hansen. A poeta paulistana contou que deixou de escrever os próprios diários aos dezessete anos, quando foi apresentada à poesia de Ana Cristina Cesar. “A partir daquele momento, a vontade que eu tinha de registrar minha vida em diários se modificou porque passou a ser a vontade de que o texto tivesse uma vida própria.”
O livro registra um momento de crise da autora. O primeiro poema foi escrito pouco depois de ela ter tido uma crise de burnout. “Eu estava há uns três anos sem um projeto de livro. Achei que se não escrevesse iria sucumbir à destruição que estava minha vida pessoal. O livro se pensa também como um registro dessa crise.”
Figuras paternas
As figuras paternas são outro ponto em comum das duas coletâneas de poemas, como ressaltou a mediadora. Lisboa, que mora fora do Brasil há vinte anos, contou ter escrito o poema que abre seu livro, “Pré-história” — que leu durante a apresentação —, ao passar um mês no Rio de Janeiro, quando o pai estava em estado terminal.
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No caso de Júlia Hansen, a escrita de Ano passado se deu durante uma separação amorosa e a perda de memória do pai. “Meu pai é um intelectual e, entre outras coisas, estudou a memória”, contou. “Não deixa de ser uma dessas ironias da vida.”
Questionadas por pessoas na plateia, as autoras falaram da presença dos pais nas suas obras. ”Meus pais sempre foram personagens mais difíceis de lidar quando estavam vivos. Quando os pais se vão, há algo no meu imaginário que leva eles para outro lugar”, disse Lisboa.
Ao responder a outra pergunta, Hansen falou sobre a importância do pai, o professor e crítico literário João Adolfo Hansen. “Meu pai me ensinou a escrever. Quando eu não conseguia escrever, ele me dizia para escrever sobre não conseguir escrever”, contou. “Não teria outra opção a não ser me sentir livre para fazer o que quero fazer. Li os poemas [para ele] antes de publicar o livro e ele ficou muito emocionado.”
A quarta edição d’A Feira do Livro 2025 acontece de 14 a 22 de junho, na praça Charles Miller, no Pacaembu. Realizado pela Associação Quatro Cinco Um, pela Maré Produções e pelo Ministério da Cultura, o festival literário paulistano, a céu aberto e gratuito, reúne mais de duzentos autores e autoras do Brasil e do exterior em uma programação com mais de 250 atividades, entre debates, oficinas, contações de histórias e encontros literários. Confira a programação e outras notícias do festival.
A Feira do Livro 2025 · 14 — 22 jun. Praça Charles Miller, Pacaembu
A Feira do Livro é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet – Incentivo a Projetos Culturais, Associação Quatro Cinco Um, organização sem fins lucrativos dedicada à difusão do livro e da leitura no Brasil, Maré Produções, empresa especializada em exposições e feiras culturais, e em parceria com a Prefeitura de São Paulo.


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